



ZONA LOST. A saga continua - parte final.
O ‘Alt Porn’ no imaginário. Depois de tanta conversa com um dos donos da X-Plastic – a produtora brasileira de vídeos do gênero ‘Alt Porn’, o assunto que dominou foram os ‘Fetiches’ – os temas do desejo que aparecem, não mais nos vídeos, mas nas noites e nos clubes da cidade de São Paulo.
Lá vai, Alt Porn, parte 3 de 3:
Se você vai para Nova York ou Berlin encontra direto clubes de fetiche na programação, aqui não tem muito disso?
Tem alguns clubes de fetiche – o Libens, Vahala... o Domina - que é uma casa mais antiga, a dona até já foi na Luciana Gimenez para divulgar.
Nesses lugares não tem sexo nem nudez. Só preliminares. Geralmente têm a sala de ‘dungeons’, que é a masmorra, cheia de acessórios. A cultura SM usa muita referência medieval.
E como é o ambiente nesses lugares?
Por incrível que pareça o ambiente é família. A cena não é muito grande e todo mundo se conhece. Se você vai a um lugar num dia, noutro tem grandes chances de encontrar as mesmas pessoas. É um ponto de encontro.
Esses clubes têm festas temáticas. No Liebens, por exemplo, rola workshops de Bondage – que são especialistas em amarração.
Vira uma comunidade. Quem gosta, acaba trazendo outros.
E o que rola?
Chicote, algema, corrente, corda; espanca na cara, na bunda; dominação de mulher com homem, homem com mulher e mulher com mulher. Podolatria tem bastante também, que são pessoas que gostam de pés – caras que ficam rastejando pelo chão e chupando os pés das mulheres... É infinito o negócio.
Minino, “um tapinha não dói”...
Para quem está interessado acabou de lançar esse fim de semana um livro, na Vila Madalena, o Mais - Antologia Sadomasoquista da Literatura Brasileira (Ed. Annablume).
Você tem outros livros ou fontes para indicar?
A primeira dica é conhecer Marques de Sade claro, que é um livro de política que tem o sexo como alegoria. Tem também o livro ‘A História de O’ – (clássico do sadomasoquismo, lançado na França, em 1954); ‘A Secretaria’ – que é um filme blockbuster - aquilo é um conto de fada sadomasoquista.
No momento estou lendo ‘História eróticas do Antigo Testamento’.
Sei, e confere?
Num sei, preciso pegar o Antigo Testamento e procurar.
Tem um site referência que é o kink.com que tem programa de afiliados, e disponibiliza material.
E quais são as técnicas ou fetiches envolvidos?
BDSM – Bondage Discipline SM – que envolve amarração e submissão. Para esclarecer: submissão é diferente de masoquismo. O masoquista gosta de sentir dor. O submisso não necessariamente gosta de sentir dor, gosta de humilhação pública.
Dominação e submissão todo mundo tem uma parcela e é bom que se manifeste na hora do sexo para não sair batendo em alguém fora de hora.
Tem festa de Trampling, que é quando um homem deita no chão e a mulher pisa em cima.
Deve ter termos específicos que não acabam mais...
Tem. Por exemplo, “fazer Cena” - é fazer cena para outras pessoas ficarem olhando. O cara amarra a menina para mostrar que tipo de nó ele faz, como prende ela.
‘Fem Dom’ é uma palavra chave, uma tag de busca para o tipo de fetiche em que a mulher domina. Muito comum.
‘Baunilha’ – são as pessoas que não são SM. Uma pessoa ‘baunilha’ é aquela que vê o assunto na revista NOVA e vai pesquisar mais - vai nos lugares, chega nos conceitos, nos livros – daí é quando ganha sofisticação.
‘Switcher’ – é o ‘gilete’ no SM, a pessoa que gosta de dominar e se submeter. Todo mundo é switcher.
Tem muita gente na parada?
Tem muita gente que não sabe que gosta. É muito mais comum do que se imagina.
Geralmente o cara fica confuso - “por que gostei disso?” - ele não está sozinho, não é anormal, não precisa se confessar e pedir perdão.
E que outros lugares de fetiches tem aqui em Sampa?
Tem o Inner, o Marrakesh e o Nefertiti – que são casas de sexo grupal e voyerismo. É baunilha total. As casas de swing estão bem pop. Virou balada. As casas de SM já é um circuito mais precário.
E manter um site ‘porn’ não causa problemas para vocês?
No Brasil não tem órgão de fiscalização, mas todo mundo se protege porque nos Estados Unidos existe.
Eles são contra o pornô porque o pornô vende. Não estão preocupados com a pedofilia, por exemplo. Pedofilia é um problema, mas quem está interessado em pedofilia está em uma sociedade secreta. Tem um submundo para isso. O cara que curte isso não põe num site. Tem gente que toma remédio para diminuir o desejo e não ter mais vontade. O problema é muito maior
Eles são conservadores e moralistas, são contra o aborto e a favor da legalização das armas.
Veja a vice do McCain, ela é membro da associação de rifles, contra a evolução darwiniana. É a mesma gente que é contra a pornografia.
Lá tem o artigo 2257 que se você quer ter um site de mulher você precisa assinar um documento disponibilizando 24horas do dia para inspeção do FBI. Encontraram uma brecha na lei que é a ‘Obscenidade’. Eles querem dificultar.
A posição americana é muito simplista e o interesse não é o bem estar da população.





