Terra Magazine

17 de fevereiro de 2009

O museu do feminino através dos 50 anos de Barbie

repique2008 às 8:20

Fotos: Ricardo Schetty

Celebração dos 50 anos da Barbie no Brasil traz uma mostra com mais de 500 modelos da boneca, traçando um verdadeiro museu da história Pop. O Repique conversou com o colecionador Carlos Keffer, autor e realizador dessa exposição, que contou apaixonado, tin tin por tin tin, tudo sobre o evento,  sua coleção e todas as transformações por que passou a Barbie, a ‘Fashion Doll’ - a primeira boneca adulta da história. Vamos a ele:

Carlos, quando surgiu seu interesse por Barbies?
Há 15 anos. Sempre gostei da Barbie como um símbolo. A Barbie veio na onda do feminismo, quando por exemplo, nos anos 60, só vestia alta costura e passou a usar mini-saia, na época dos Beatles. Ela foi acompanhando todas essas transformações sociais e a transformação do papel da mulher na sociedade durante esses 50 anos.

Qual foi sua 1ª Barbie?
Sempre gostei muito de cinema. A primeira Barbie que tive foi a Barbie My Fair Lady – inspirada no papel de Audrey Hepburn, em Minha adorável dama. Era como se tivesse uma escultura do filme. Assim descobri que existiam outras Barbies que homenageavam o cinema, como a Barbie Dorothy, do Mágico de Oz, entre outras. Era como um museu do cinema para eu admirar.

Hoje, acho que é um museu do imaginário, uma viagem pela nossa cultura, tão criativa de personagens e ícones de beleza.

Foi assim que comecei a me dedicar a isso e aos poucos comecei fazendo exposições dessa coleção toda. Hoje tenho exclusividade pra fazer exposições da Barbie pelo Brasil - a cada dois anos, realizo uma exposição nova, viajo pelo Brasil todo, com cerca de 100 Barbies. Mas essa, comemorativa dos 50 anos, é a maior de todas, mostra o acervo completo, com 531 bonecas.

Conte um pouco então sobre essa mostra.
É um evento comemorativo dos 50 anos da Barbie, vai acontecer no Shopping Cidade Jardim, de 10 de março até 31 de julho. São 600m² de área com sete salas temáticas em que o visitante vai conhecer todas as faces e histórias da boneca. A primeira sala chama 50 Faces, e apresenta 50 bonecas históricas, desde a Barbie número 1, que sou eu o único colecionador no Brasil que tem. Foi lançada em 1959. O público nunca viu essa Barbie. Consegui em um lance de sorte junto a uma amiga que mora fora.

Desculpe perguntar, mas você pode revelar o valor que pagou?
Doze mil dólares. Vendi meu carro para comprá-la. Já investi fortunas. É um absurdo. Falo que não vou comprar mais, mas é difícil. Não consigo resistir. São cada vez mais bonitas, com tatuagens – tem uma Barbie rockeira, com o braço tatuado com caveira, unha preta, parece Herchcovitch… A Barbie é também um registro da moda. Ela eterniza o momento como as meninas se vestem.

Que outras Barbies tem nessa sala?
Tem a primeira Barbie negra, que foi lançada em 1980, quando começou todo o movimento negro americano.
Primeiro a Barbie ganhou amigas negras, hispânicas… mas só incorporou o rosto negro em 1980.
Sempre acontece assim, lançam amigas da Barbie com novos perfis e estilos e depois a Barbie incorpora o visual. Como é um brinquedo para crianças, existe o receio de aceitação desse público.

Essa é uma sala meio hollywoodiana com um bolo de três metros, rosa, grandes cenários, comparáveis a um carro alegórico de carnaval.

Até o bolo é rosa?
Tudo é rosa – parede, chão, teto…

Depois tem a sala Vintage, com cenários originais da vida da Barbie – proporcionais ao tamanho da  boneca -  seu ateliê, quando ela começa a trabalhar e ‘A casa dos sonhos’, de 1961. Era sua ‘casa própria’, quando ela começa a ter independência.

Nessa sala tem a árvore genealógica da Barbie – que as pessoas não sabem – mas ela tem seis irmãos e dezenas de amigos.

Depois tem a sala Fashion que conta a história da moda desde a Grécia antiga até os dias de hoje, tendo a Barbie como top model - afinal a Barbie existe muito antes de Claudia Schiffer ou Naomi Campbell.
É também uma homenagem a vários estilistas, alguns inclusive brasileiros (Conrado Segreto, Walter Rodrigues, Alexandre Herchcovich e Lino Villaventura).

Barbie Anna Sui - uma estilista norte-americana, de descendência chinesa. Representa elementos da moda glam-rock dos anos 1970 misturados à moda boêmia-chic atual. Somente 7.700 unidades desta boneca foram produzidas.

Barbie Anna Sui - uma estilista norte-americana, de descendência chinesa. Representa elementos da moda glam-rock dos anos 1970 misturados à moda boêmia-chic atual. Somente 7.700 unidades desta boneca foram produzidas.

Continuando… Depois tem a Sala Luxo/Noivas - essa sala tem Barbies feitas de porcelana em vestidos luxuosos. Edições limitadas. São super raras e valiosas. E as noivas estão em uma escada giratória. Embora a Barbie nunca tenha casado e passe a imagem de mulher super independente – sem filho nem marido – ela se une às noivas quanto aos sonhos possíveis de se realizar.

Na sala ‘Cenas da Vida’ – que tem esse nome de novela – as pessoas verão os momentos marcantes da vida da Barbie – suas profissões, quando ela se separou do Ken, seu namorado, e conheceu o Blaine, no verão do mesmo ano, em 2004 em uma praia em Malibu.

Nuóssa tem até isso?

Tem seu grupo de rock… quando ela toca em uma banda, junto com sua amiga Tereza, sua amiga hispânica; claro que a Barbie é a estrela principal da banda.

Tem também as curiosidades – ‘cultura de bandeja de Mc Donald’s’: se juntarmos todas as Barbies produzidas, lado a lado, deitadas, daria sete voltas ao redor da Terra; ou coisas como a cada dois segundos é vendida uma Barbie no mundo.

Na sexta sala ‘Astros e Estrelas’, a Barbie e o Ken incorporam as personalidades do cinema, música e TV, homenageando, por exemplo, Olivia Newton John e John Travolta em Grease, Arquivo X, e Família Adams.
E o grand finale, a sala Planetário - todas as Barbies étnicas - quando ela incorpora as belezas oriental, negra, hispânica, com trajes típicos de várias nações. Por exemplo, a Barbie da Índia, com piercing no nariz, que a gente não vê por aqui.

Qual o parentesco da Suzi e da Barbie?
A Suzi é brasileira, de 1964, foi inspirada na Barbie. A Barbie só chegou ao Brasil em 1982 por meio da Estrela. Até então, só havia Barbies importadas, dependia de alguém trazer do exterior ou comprar em uma loja do Iguatemi, a Caléche,  que era a única importadora.

Tudo isso é alucinante de verdade.
Sim. Um dos segredos que a mantém viva até hoje é o fato dela estar sempre muito bem humorada, trazer uma imagem positiva, de uma mulher confiante. E o fato de ser tratada como uma pessoa e não uma boneca.
Escrevi um livro sobre tudo isso. Mas só vou lançar no ano que vem.

PS.: À PARTE DE TUDO ISSO - esse é o último post do Repique, que encerra aqui sua temporada no Terra Magazine.
Foi um ano de posts diários, de segunda a segunda, cobrindo as mais variadas áreas - música, arte, cinema, design, literatura, viagens, festivais, variedades, e enfim, gente, muita gente, que esse espaço aqui foi inteiramente dedicado para pessoas interessantes contarem um pouco o que faz suas cabeças, seus ofícios, opiniões, histórias, interesses e paixões.
De Rita Lee a Deize Tigrona, grafiteiros, quadrinistas, fotógrafos, escritores, artistas, produtores de festivais e filmes pornôs, festeiros em geral… conversei, ouvi, falei e contei aqui minha curiosidade e vontade de saber mais.
A todos aqueles que foram entrevistados, colaboraram, comentaram, ou simplesmente acessaram esse Blog de Repique, fazendo com que se atingisse muito mais de um milhão de acessos - número que nunca imaginei ser possível, deixo aqui meu MUITO OBRIGADA e até a próxima.

É PIQUE, É PIQUE, É PIQUE!

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16 de fevereiro de 2009

Os três maiores e melhores carnavais do Brasil

repique2008 às 9:40

Samba, suor e cerveja – a tríade do Carnaval que já começa a buxixar por aí. Essa é a semana de aprontar as fantasias e fazer os planos para pular a maior festa de rua do Brasil. Nesses cinco, seis dias de festa os brasileirismos todos vêm à tona: musicalidade, sexualidade, malícia, sátira, bagunça e catarse.
Seja pop, comercial, alternativo, circuito off, roots, e contra – escolha todas as opções e se jogue. O Repique comenta aqui os três maiores e melhores carnavais do país.

Salvador - Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu.
A indústria do carnaval. Como fazer uma festa movimentar tanto dinheiro, infraestrutura e gente, só os baianos sabem a receita. Não é nenhum segredo da Coca-Cola, mas a essência e os ingredientes só existem e funcionam lá: sistema de abadás, cordeiros, segurança e os trios.
Os abadás - dizem os entendidos, se fizer as contas, é o melhor investimento do ano. Pode render cerca de 300% (ou virar purpurina).  Na festa, invista em técnicas de cortar e customizar essas tais camisetas para transformá-las em um modelito fashion-arejado.
A cidade fica inteiramente emplacada com logos de todo tipo de produtos e serviços – banco, cartão de crédito, operadoras de telefonia, cervejas – um gritando mais que o outro, todos querendo aparecer naquele mar de gente.

Superado esse fato, planeje sua festa: durante o dia rolam os trios blockbusters – Ivete, Chiclete com banana, Asa de Águia, Banda Eva, Timbalada… Mas dá para fazer um esquema bem alternativo e aproveitar a noite toda chegando ao circuito Barra-Ondina por volta das oito da noite. De olho no movimento, dá pra sair na pipoca tranquilamente. Um dos segredos é acompanhar os trios desde o Porto da Barra até a altura ali do Cristo, volta por trás pela rua paralela e já acompanha outro trio que esteja saindo; dessa forma nunca se chega até Ondina onde o caos e os graus etílicos transbordam.
Tem que conferir pelo menos as rainhas – Ivete, Daniela e Margareth – essa última já avisa: quinta começa a festa, “Os Mascarados esse ano não vai ter corda, mas tem que ir fantasiado”. Carlinhos Brown também é sempre bom. O rei em seu habitat. E os blocos afros – vá na raiz.

Regra número 1: Salvador não é só axé. É uma ode completa a MPB de todas as fases e gêneros. Têm blocos afros, Gil, Davi Moraes, Sandra Sá, Falcão do Rappa, rola até música dos Rolling Stones. Tem até DJ internacional. Sempre tem a eleição da música do ano, e a favorita logo desponta por aclamação e repetir-se-á infinitas vezes, até versão remix. Não é um problema. Ali Tudo faz sentido.

Domingo tem Filhos de Gandhi, espalhando meninos, rapazes e homens de branco e azul, em uma indumentária que deixa qualquer um lindo. Alfazema e colares de contas por todos os cantos.

E mais um detalhe: lá, olhos nos olhos por mais de três segundos é beijo na boca, não tem argumento, claquete, xaveco, nem perguntam o nome. Se não estiveres afim, simplesmente desvie o olhar. Funciona.

Rio de Janeiro
Seja turista ou carioca da gema, o bom é se jogar em todas as opções de festa: noites na Lapa, Monobloco na Fundição, sair em uma escola de samba – esse ano ainda tem fantasia, assistir os desfiles na avenida, sair em todos os blocos de rua possíveis, esqueça a praia.

Tem que entrar no clima com um mínimo de fantasia, nem que seja uma peruca rosa, senão destoa.
A diversão dos blocos de rua é garantida, é o carnaval na sua origem – um bando de gente animada querendo ser feliz. E os nomes são os melhores:
Desculpa Prá Beber, Simpatia é quase Amor, Suvaco do Cristo, Vem ni mim que sou facinha, Que M…é essa, Se Não quer me dar me empresta, Imprensa que eu gamo, Imaginou, agora amassa, Concentra mas não sai, Céu na Terra, Bagunça meu Coreto, Se Melhorar, Afunda, Bangalafumenga, Tô Que Tô Sem Fim, Me beija que eu sou cineasta… Tem pra todo mundo, em cada e toda esquina. Corra atrás da programação. Os melhores: Banda de Ipanema, Cordão do Boitatá e Carmelitas.

Recife e Olinda - Olinda de dia e Recife antigo de noite. Marco zero.
Carnaval de rua, gratuito, livre, com sol na cabeça, cheio de safadeza. Frevo, maracatu, ciranda, coco, samba, reggae, manguebeat, casa de Alceu, Noite dos Tambores Silenciosos, Rec Beat… A programação é ‘multicultural’ - de Caetano Veloso a Afrika Bambaataa, passando é claro por Lenine, DJ Dolores, Junio Barreto e Mundo Livre. E os blocos em Olinda: Homem da Meia-Noite,  A Mangueira Não Sai A Mangueira Entra, Eu Acho é Pouco, Bloco do Coco Arrasta Quenga, Nem Sempre Lili Toca Flauta, I Love Cafusú, e o famoso Enquanto Isso na Sala da Justiça - o bloco dos super-heróis - vale tudo: She-ha, Supermercado, OB Super, Os Flinstones.

Gaste sua energia, lave sua alma e não se meta em roubada.

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15 de fevereiro de 2009

As noites do Soulwax em São Paulo

repique2008 às 13:11

Part of the Weekend Never Dies
David e Stephen Dewaele – a dupla que encabeça o Soulwax, ou os mais conhecidos 2 Many DJs - vieram para o Brasil para discotecar no casamento de Iggor Cavalera e Layma Leyton, o casal MIxhell - prestigiadíssimos. No dia seguinte, na sexta 13, todos eles tocaram no bar secreto, DJ set, noitada open bar – vários drinks de vodka ou whisky, sem champagne. Custou R$200.
Eles tocaram cerca de duas horas - foi bacana, mas não foi memorável, faltou contagiar a galera.

Nas pick ups, One Man Party

Ontem (sábado) no Vegas, Stephen, que é o baterista da banda, se esbaldou e pôs a galera abaixo para dançar seu DJ set. Quebradeira.

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14 de fevereiro de 2009

Dica de sábado: o New Rave do Copacabana Club

repique2008 às 13:47

No caminho das pedras: o Copacabana Club vingou. Depois de lançar um single, emplacar o EP, sair no jornal, ganhar estrada, a banda curitibana fecha patrocínio, grava álbum em estúdio caprichado e grava amanhã seu primeiro clipe. E já escolheu o padrinho para o remix, o Boss in Drama.

O Repique conversou com Camila, a vocalista do Copacabana Club:
“Nossas referências são bem diversas. Cada um da banda traz o que gosta. É o que imprime nosso estilo. O baixista gosta de rock’n’roll, Rolling Stones e Beatles; o Alexandre, MPB, Disco, Soul;  eu e Claudinha, rock mais novo; e o Luciano é o mais pop da banda.
Temos 13 músicas.

www.myspace.com/copacabanaclubmusic

Outras dicas de Camila:

Metronomy - www.myspace.com/metronomy

Flaming Lips - www.myspace.com/flaminglips

The Do - www.myspace.com/thedoband

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13 de fevereiro de 2009

A noitada em Porto Alegre é do rock.

repique2008 às 11:20

Chegou a hora de Porto Alegre. O Repique foi atrás de saber como é a noite na capital gaúcha e conversou com duas pessoas: a Fergs, vocalista da banda A Red so deep, que defendeu a noitada rock da cidade. Em contraponto, Lucio Ka-Hara, o produtor da festa Neon, defendeu a cena eletrônica. Vamos a eles:

Fergs, conta como anda a noite em Porto Alegre.

Bom, tudo depende do público. Mas originalmente a balada em Porto Alegre é rock. Dos anos 80 pra cá é só o que é feito aqui. Se tem balada eletrônica, pode ter certeza que é electroclash.

Tem certeza que é só rock? Depois vão reclamar…

Tem a galera do samba-rock, mas eu nem sei onde eles vão. É difícil alguém ir a todos os lugares da cidade. Só que de onde veio a galera do samba-rock? Do rock!

E quais são as casas que pegam?

O bar mais importante da cidade é o Beco, que abriu em 2004 e que já mudou de lugar várias vezes. Agora tem dois Becos – o Cabaret do Beco e o Porão do Beco, onde tem os shows. É lá que rolam as histórias. É o mesmo dono, a mesma proposta, o mesmo nome - só aqui em Porto Alegre tem isso.

E o surreal é que quando tem duas festas no mesmo dia nesses lugares, lotam as duas casas. Houve uma vez que o dono criou uma história de uma festa open bar, e muita gente reclamou, não gostou, etc, e para tirar a dúvida, ele fez, na mesma noite, duas festas: a Open Beco – com o open bar, e a Eu odeio o Open Beco, com os mesmos DJs. Lotaram as duas.

Existe ainda o Ocidente, desde os anos 80, quem toma conta lá é a Julia, filha do Fiapo, o dono.

E o que é bem eletrônico é o Laika, onde também rola show de rock.

Então você gira, gira e cai no rock de novo. A cultura das bandas de rock aqui é muito forte.

E por que essa febre?

Consigo imaginar que é porque aqui é mais frio que qualquer outro lugar e é mais distante também. Agora tem internet, as informações chegam, mas antes as coisas não chegavam. Então as pessoas faziam elas mesmas suas bandas, tocavam suas músicas… Daí seu amigo é músico e você sai à noite para prestigiá-lo. Tem um mercado regional muito forte disso, dá grana, e as pessoas sobrevivem fazendo música.

Quais são as melhores festas?

Aqui a cultura das festas é em cima de quem organiza. Tem a Rendez-Vous, feita pela Jordana - é uma festa itinerante em puteiro – tocam músicas diversificadas. Tem a festa Lust for Life do Eduardo Normann e Mariana Kircher, da banda Space Rave – um casal que sempre agita.

Tem a 999, com hits dos anos 90; tem uma festa bacana, aos domingos que chama Kiss my Jazz. Tem muita festa com referência aos anos 60…

Anos 60?

Sim. Até tem uma música do Frank Jorge que chama ‘Obsessão anos 60’. A letra é bacana.

Não suporto mais esta obsessão pelos anos 60…
Não consigo explicar, só sei que ninguém mais
aguenta…

Bom, e quais são as bandas do momento então?

Difícil. Vou acabar falando as mesmas bandas de anos atrás e vai parecer que nada de novo acontece. Mas, das coisas novas, tem a Damn Laser Vampires, a Lautmusik… E das antigas, citaria a Walverdes que é super legal.

E a cena eletrônica, conta um pouco vai…

(Nessa hora entra o Lucio Ka-Hara para defender a noite eletrônica de POA):

Lucio: No Porão do Beco, tem a festa I Love Disco Rock.

Eu faço junto com o Gabriel Cevallos as festas Neon que são as que mais lotam. Rolam no Cabaret do Beco. Estamos encarando a coisa com mais seriedade, indo atrás de patrocínios, novos nomes…Investimos bastante em projeções e artes visuais. Já trouxemos pra cá o Boss in Drama, Database; dos gringos o Greg Wilson, Pantha Du Prince, Ben Mono… Em março vamos trazer o Lopazz, do selo Get Physical.

O Laika é um clube bem pequeno que está bombando agora com a festa do pessoal da Disconexo.

No Ocidente, às sextas, tem uma noite eletrônica, mas para um público completamente gay e a música é mais ‘bate cabelo’, ou ‘bate-peito’ - com as bichas bombadas sem camisa.

E como é a galera que freqüenta esses lugares e festas?

Fergs: Vai bastante gente nova. É meio fauna. Bem misturado. Porto Alegre é muito pequeno, não dá para apontar os guetos. Querendo ou não as pessoas se encontram nos mesmos lugares, não tem tantos espaços assim.

Lucio: Nas festas eletrônicas vai o público carente que não agüenta mais o rock e o indie rock. Gente que gosta de New Rave, fashionistas, antenados… Em Porto Alegre tem festa de tudo quanto é gênero.

E qual o roteiro de uma noitada aí?

Fergs: A galera se encontra na casa de alguém e começa a beber, vai para um bar – que não é a balada ainda, e encontra mais gente, bebe mais e aí sim vai pra balada. Ficam até 8 da manhã. Vão até onde a festa durar e acho que vai mais longe do que aí em São Paulo. Isso no fim de semana. Durante a semana é mais ir a shows. Rola essa cultura.

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12 de fevereiro de 2009

Evolução da espécie: a noitada de BH está cada vez melhor.

repique2008 às 11:52

A noite em Belo Horizonte. De um ano pra cá a cena alternativa mineira está cada vez mais quente. O Repique conversou com Silvia Matta Machado, a Pipi, a produtora da casa Roxy/Josefine para saber como anda o agito nessa cidade.

Vamos a ela que disse tudo, tudo o que é publicável:

Qual é o agito na noite por aí, Pipi?

Belo Horizonte foi mais provinciano, mas, de um ano para cá, o pessoal do NaSala se juntou com mais dois promoters da cidade, o Leo Ziller e o Didio Mendes que são feras – e que agora estão trazendo DJs foda pra cá. Já tivemos alguns selos por aqui: o Hed Kandy, Ministry of Sound…

Tem uma festa da Pacha por aqui a cada seis meses; logo mais teremos a White Party de Miami com DJs de Ibiza – isso nunca tinha acontecido por aqui.

Que vertente mais bomba por aí?

House. O boom do Trance já se foi.

E a cena de rock indie?

O rock indie aqui é precário. Não tem muito espaço e programação. Tem o Garage e o bar A Obra que são referências para essa cena.

E aquele Mary in Hell?

É mais electro. Para o público moderninho. É diferente da turma do rock. No Mary, o povo é mais estilizado. Nos outros o povo é mais rock’n’roll, ninguém olha para ninguém – eles vão para escutar o som. No fundo eles se agregam mas não se integram.

E as casas de música eletrônica?

Tem o NaSala que é um povo mais playboy, classe A. É sempre o mesmo público. Depois tem a Roxy/Josefine – a Roxy é hétero, a Josefine é gay. Tem o Deputa Madre que é um pouco de tudo, bem frequentado e tem o Robinho como DJ residente, que é um chuchuzinho aqui da cidade. Tem a Level, na Pic, que é bem legal também, tem uma programação boa. Sexta passada teve o Fabrício Peçanha e foi ótimo. É basicamente isso.

Fora isso é muito bar. Belo Horizonte é muito boteco de calçada – já foi considerada a capital dos botecos. Alguns bares estão abrindo um espaço para fazer uma pistinha, para mudar o ambiente, porque ninguém gosta de ficar sentado em torno de uma mesa a noite inteira.

Ótimo, e vem cá, que negócio é esse de Roxy é hétero e Josefine é gay?

É a mesma casa, mesmo espaço físico. Dois em um. Tem noites que são Roxy, tem noites que são Josefine. Aos poucos as pessoas foram entendendo e flui.

Aqui em BH não dá para ter os quatro dias gays ou quatro dias hétero, por mais que eu invista na programação. Não tem público para isso. Daí começamos como uma experimentação: quinta e sábado é gay, sexta e domingo é hétero. De vez em quando dá uns perdidos, mas a gente sempre informa para não ter problema.

E quais são as melhores festas?

O Ultra Music Festival, o Creamfields aqui é um sucesso… o projeto Cris às quartas no Deputa é muito bom. A Low Beats aqui na Roxy. A Discobox que está há anos rolando, uns seis, sete já.

E a galera, qual o perfil da moçada na noite por aí?

O pessoal sai muito pela música. O povo está se desenvolvendo mesmo, um povo bacana, antenado… Não está mais tão meninada. As pessoas estão abrindo a cabeça. Ainda pode melhorar, mas estamos no progresso.

Qual o roteiro de uma noitada em BH?

Toda festa tem um chill in na casa de alguém. Isso é de lei. Chegamos na festa no melhor horário, lá pelas duas, quando o DJ principal toca. O esquema de after não funciona muito por aqui. Nunca vinga e acaba ficando só os drogadinhos e o dealer. Não tem essa de acordar as cinco da manhã para ir pro After como em São Paulo. Quem vai, vai direto da noite e já chega meio estragado.

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11 de fevereiro de 2009

Bandas ao vivo bombam a noitada em Curitiba

repique2008 às 10:50

Seguindo o mapa da noite de algumas cidades do Brasil, o Repique conversou com Camila Cornelsen, integrante da banda Copacabana Club, fotógrafa, DJ e que faz o programa de rádio, o “91 Extra Rock” em Curitiba. Ela contou  tudo o que está pegando na capital quente de bandas de rock. Vamos a ela:

Camila, como está a noite em Curitiba?
Aqui está rolando um momento de várias cenas. Eu gosto da cena alternativa, ouço rock e vou ao James e ao Wonka.
O James acabou de ser reformado, há um mês ampliou o espaço para ter apresentação de bandas e está com uma programação incrível de rock e rock indie, está dando bastante apoio às bandas locais – aqui tem bastante banda legal – Sabonetes, Ruído/mm (Ruído por Milímetro), Stella Viva, Mordida, o Poléxia… Aos sábados lá é mais pop. No Wonka tem noites mais distintas – de jazz, samba – voltadas par ao público alternativo.
Fora esse circuito rock indie, as cenas são bem segmentadas, por exemplo, tem uma galera que curte Country, tem uma cena fortíssima de Country aqui. Quem gosta de Dub vai à balada do Dub, quem gosta de samba… Aqui não é como em São Paulo que a galera se mistura mais.
Aqui, o povo mistura mais em bares.

E no circuito de música eletrônica, o que rola?
Tem um bar de esquina, o Jean Pierre Lobo, lá a proposta é escutar música. Tem o Soho Underground que vai a galera do Dub. A Eon e a Liquid, que são as casas mais pops e que trazem os DJs de fora. E tem a Vibe que é um inferninho, lá rolam bastantes afters.

Quais são as melhores festas?
Antes tinha mais festas. Teve a I love All Starz, a La Rock… Tem uma que chama ‘In new music we trust’, rola já há uns dois anos. É mensal e tem sempre bandas novas e músicas boas.

Aqui é cíclico, e a onda agora é shows. Voltou a história de ter banda ao vivo.

E como é a galera que freqüenta a noite aí de Curitiba?
É engraçado mas ultimamente o público está muito jovem. Nas baladas de música eletrônica, que são mais caras, o público é mais adulto e com grana. No circuito indie, é mais diversificado. Tem para todo mundo.

E como é uma noitada clássica aí?
Balada aqui começa muito tarde. Mesmo numa quarta-feira, a festa enche à meia-noite e vai até às 6 da manhã. Eu vou e fico até o final, aproveito. Mesmo quem trabalha e estuda faz isso também. As noites aqui duram.
Os bares aqui têm feito muito ‘double drink’ – as pessoas chegam mais cedo e a noite também acaba mais cedo, porque todo mundo se detona mais rápido.

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10 de fevereiro de 2009

O mapa da noite em Salvador

repique2008 às 12:20

Entre muito Axé e música Afro, Salvador também tem suas festas alternativas. Com a ajuda de dois DJs e produtores da cidade, Luciano e Claudio Manoel (do Pragatecno), que fazem festas e tem seus projetos de música, o Repique mapeou onde fervem as noitadas de rock, dub e música eletrônica na capital soteropolitana. Vamos a eles:

Rapazes, qual é o panorama da noite aí em Salvador?
Claudio: Na cena de clubes não rola muita coisa. Não tem clubes específicos, só as boates normais para a ‘playboyzada’ – casas grandes, como a Lotus. Isso é uma deficiência aqui em Salvador.
Mas tem alguns projetos fixos.

E quais são as principais casas alternativas?
Luciano: Tem uma casa chamada Zauber que fica no Centro da cidade. Lá tem umas festas de música eletrônica e um festa que está dando certo de Dub, às quintas-feiras.
Tem também a Boomerangue – que talvez seja a principal casa alternativa daqui, onde rolam bandas de rock e festas. Eu faço duas festas lá, uma de rock e música eletrônica e outra de MPB, a ‘Baile Esquema Novo’.

Que sons que você põe nessa festa de MPB?
Luciano:
MPB dançante, de todos os gêneros. De Psirico ao Tchan, Chico Buarque a Paulinho da Viola. Rola de tudo. Começa ás 11 e vai até às 7 da manhã. Regina Casé já tocou, Caetano freqüentou, Jorge Mautner…

Precisa dos medalhões baianos para a festa fazer sucesso?
Luciano: Hoje em dia não precisa.

Quais são as melhores festas?

Luciano: Depende do dia, tem muitas festas - reggae, dub, rock, eletrônica – desde show até discotecagem. Mas as melhores, na minha opinião, são a Baile  Esquema Novo e a Ministério Público.
Claudio: Tem a Cocktail Party (às quintas) que é um clima mais bar do que pista, mas sempre tem uns seres humanos mais animados…A Nave, que é mais rock…

Festa Ministério Público, de Dancehall em Salvador

Festa Ministério Público, de Dancehall em Salvador

E quem freqüenta essas festas?
Luciano: Mistura tudo. Metaleiro, rockeiro, GLS, patricinha.
Claudio: Os modernos da cidade – gente das artes, de comunicação, design, artistas e consumidores de moda.

E como começa essa noitada?
Luciano: Todo mundo se encontra em um bar, e toma umas cervejas nos arredores. O pessoal chega turbinado. A cerveja aqui é cara.
Claudio: Aqui a noite não começa muito tarde, à meia noite, no máximo 1h, todo mundo está no clube. E não estica. É raro o afterhours aqui, o povo vai muito a praia. Por isso um dos points é o Porto da Barra.

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9 de fevereiro de 2009

Noites Fervidas: o agito em Campo Grande

repique2008 às 10:47

Continuando a saga da radiografia da noite nas principais cidades do Brasil, o Repique voltou os olhos para Campo Grande – uma das capitais que mais bombam na pista, com cena e biografia com mais de 10 de anos de história. Conversei com a Claudia Ferraz, ou a Kakô, uma promoter, estilista, jornalista, escritora, que foi uma das primeiras hostess do clube D-Edge – o clube que rompeu as barreiras da noite e aconteceu em pleno Mato Grosso do Sul, nos idos dos anos 2000, virando referência no Brasil e no mundo.

Kakô, como é o agito aí em Campo Grande?
Aqui em Campo Grande, desde 1997, tem festa de música eletrônica. Já faz 10 anos que Campo Grande é umas das capitais que mais acontecem na cena eletrônica, aonde vêm tocar vários DJs nacionais e internacionais.
Tem também a balada sertaneja, não sei te falar a respeito porque não acompanho, mas o povo aqui gosta bastante. Ontem mesmo abriu uma casa nova aqui, a Valley.

E quais são os clubes aí de Campo Grande?
Tem o The Club e o Garage – que é a maior boate daqui - recebe pelo menos uns dois DJs internacionais por mês. A casa expandiu para Cuiabá e ainda vai abrir outro espaço aí em São Paulo.
Antes, tinha o D-Edge que virou referência no Brasil e no mundo. Abriu aqui muito antes de São Paulo. Fui hostess lá, umas das primeiras aqui em Campo Grande.

E como está a cena de pista agora?
Bem aquecida. As pessoas têm conhecimento dos DJs, sabem quem é bom.

Quem é a galera que freqüenta?
Muita gente da nova geração, de 18 anos, menor de idade… Eles estão dominando a pista, saem todo fim de semana mesmo. A galera ‘old school’ já circula em menor freqüência.
O drama aqui é que o público não tem muita educação na pista. Não sei por que. Passam empurrando, param nas escadas sabendo que escada é lugar de passagem… Falta formatar um comportamento. É gente que vem para fazer carão, fazer fita, ver e ser visto, em geral ficam passando em frente ao DJ – é um pessoal menos fervido - todo mundo se diverte muito, mas dançam muito pouco.
Acaba tendo esse mix e essa contradição entre quem já está na balada e quem está chegando.

E no The Club, como é?
É mais underground, não é para qualquer um.

Mas no geral, dá para sacar quais são as tribos da noite aí em Campo Grande?
É um mix de subúrbio – quem junta dinheiro para ir à balada porque quer ver o DJ tal e o povo que tem dinheiro e sai sempre. Aqui não é barato. É bem elitizado.

E como é uma noite de balada ‘das clássicas’ por aí?
Tudo começa em torno do DJ, do nome que vem tocar, se as pessoas conhecem ou não. Assim começa o buxixo. Rola uma euforia, todo mundo fica na expectativa se o cara vai decepcionar ou não.
Uma das melhores noites aqui ultimamente foi com o Anthony Rother (08/Nov) que se animou a ponto de subir nas pick ups. Todo mundo vibrou. Foi o máximo, até 8 da manhã, ninguém saiu da pista.
Mas tem DJ que decepciona, tipo o Vitalic, que abandonou as pick ups no meio da noite e a galera ‘noiou’.

E depois do clube, o povo dá sequência?
Do clube vão para a casa de algum amigo e geralmente levam o DJ junto.

Que DJs vocês já carregaram para casa?
Nuóssa. Bastante. Funk D’Void, Mark Farina, Green Velvet… Dos brasileiros, o (Luiz) Pareto sempre vai, ele é bem amigo.

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8 de fevereiro de 2009

Little Joy faz turnê no Brasil com o jogo ganho

repique2008 às 9:41

Por Daniela Fazio

Ah, se todo projeto paralelo caíssse no gosto da crítica e do público de forma tão meteórica quanto o Little Joy. O álbum de estréia - de mesmo nome - que recebeu quatro das cinco estrelas da Rolling Stone americana, foi lançado em novembro do ano passado. Entre final de janeiro e começo de fevereiro, já foram nove shows – só no Brasil – todos repletos (senão lotados) de novos/velhos fãs já em êxtase. Ano passado se apresentaram em pequenas casas nos Estados Unidos e na Europa.

Fabrizio Moretti (Strokes) e Rodrigo Amarante (Los Hermanos) se conheceram em um festival em Lisboa enquanto tocavam com suas respectivas bandas. Logo depois, os dois se reencontram nos EUA enquanto Amarante gravava o álbum Smokey Rolls Down Thunder Canyon com Devendra Banhart. Na mesma época foram apresentados a Binki Shapiro, uma música californiana. Estava formado o trio.

Rodrigo Amarante tem empatia. Causa fascínio e furor. Vide a legião de seguidores e adoradores dos Los Hermanos. Na última apresentação do Little Joy em São Paulo (05/fev no Clash Club) não foi diferente. O sorriso estampado no rosto perdurou durante pouco mais dos 40 minutos de show. Tocou o bis sozinho no palco - Evaporar, a única das 11 canções totalmente em português. Fabrizio Moretti falou pouco. Interagiu menos ainda, mas suscitou gritinhos e assobios. Binki Shapiro não chamou tanta atenção em cena. Parece bem mais interessante e desenvolta nos vídeos.

Diante de tanto alvoroço, esse encontro fortuito e totalmente despretensioso, pelo visto, vai render ainda mais frutos. A idéia é contuinuar com o projeto paralelo. Músíca nova já tem.

www.myspace.com/littlejoymusic

Colaborou Daniela Fazio

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