O museu do feminino através dos 50 anos de Barbie
Fotos: Ricardo Schetty
Celebração dos 50 anos da Barbie no Brasil traz uma mostra com mais de 500 modelos da boneca, traçando um verdadeiro museu da história Pop. O Repique conversou com o colecionador Carlos Keffer, autor e realizador dessa exposição, que contou apaixonado, tin tin por tin tin, tudo sobre o evento, sua coleção e todas as transformações por que passou a Barbie, a ‘Fashion Doll’ - a primeira boneca adulta da história. Vamos a ele:
Carlos, quando surgiu seu interesse por Barbies?
Há 15 anos. Sempre gostei da Barbie como um símbolo. A Barbie veio na onda do feminismo, quando por exemplo, nos anos 60, só vestia alta costura e passou a usar mini-saia, na época dos Beatles. Ela foi acompanhando todas essas transformações sociais e a transformação do papel da mulher na sociedade durante esses 50 anos.
Qual foi sua 1ª Barbie?
Sempre gostei muito de cinema. A primeira Barbie que tive foi a Barbie My Fair Lady – inspirada no papel de Audrey Hepburn, em Minha adorável dama. Era como se tivesse uma escultura do filme. Assim descobri que existiam outras Barbies que homenageavam o cinema, como a Barbie Dorothy, do Mágico de Oz, entre outras. Era como um museu do cinema para eu admirar.
Hoje, acho que é um museu do imaginário, uma viagem pela nossa cultura, tão criativa de personagens e ícones de beleza.
Foi assim que comecei a me dedicar a isso e aos poucos comecei fazendo exposições dessa coleção toda. Hoje tenho exclusividade pra fazer exposições da Barbie pelo Brasil - a cada dois anos, realizo uma exposição nova, viajo pelo Brasil todo, com cerca de 100 Barbies. Mas essa, comemorativa dos 50 anos, é a maior de todas, mostra o acervo completo, com 531 bonecas.
Conte um pouco então sobre essa mostra.
É um evento comemorativo dos 50 anos da Barbie, vai acontecer no Shopping Cidade Jardim, de 10 de março até 31 de julho. São 600m² de área com sete salas temáticas em que o visitante vai conhecer todas as faces e histórias da boneca. A primeira sala chama 50 Faces, e apresenta 50 bonecas históricas, desde a Barbie número 1, que sou eu o único colecionador no Brasil que tem. Foi lançada em 1959. O público nunca viu essa Barbie. Consegui em um lance de sorte junto a uma amiga que mora fora.
Desculpe perguntar, mas você pode revelar o valor que pagou?
Doze mil dólares. Vendi meu carro para comprá-la. Já investi fortunas. É um absurdo. Falo que não vou comprar mais, mas é difícil. Não consigo resistir. São cada vez mais bonitas, com tatuagens – tem uma Barbie rockeira, com o braço tatuado com caveira, unha preta, parece Herchcovitch… A Barbie é também um registro da moda. Ela eterniza o momento como as meninas se vestem.
Que outras Barbies tem nessa sala?
Tem a primeira Barbie negra, que foi lançada em 1980, quando começou todo o movimento negro americano.
Primeiro a Barbie ganhou amigas negras, hispânicas… mas só incorporou o rosto negro em 1980.
Sempre acontece assim, lançam amigas da Barbie com novos perfis e estilos e depois a Barbie incorpora o visual. Como é um brinquedo para crianças, existe o receio de aceitação desse público.
Essa é uma sala meio hollywoodiana com um bolo de três metros, rosa, grandes cenários, comparáveis a um carro alegórico de carnaval.
Até o bolo é rosa?
Tudo é rosa – parede, chão, teto…
Depois tem a sala Vintage, com cenários originais da vida da Barbie – proporcionais ao tamanho da boneca - seu ateliê, quando ela começa a trabalhar e ‘A casa dos sonhos’, de 1961. Era sua ‘casa própria’, quando ela começa a ter independência.
Nessa sala tem a árvore genealógica da Barbie – que as pessoas não sabem – mas ela tem seis irmãos e dezenas de amigos.
Depois tem a sala Fashion que conta a história da moda desde a Grécia antiga até os dias de hoje, tendo a Barbie como top model - afinal a Barbie existe muito antes de Claudia Schiffer ou Naomi Campbell.
É também uma homenagem a vários estilistas, alguns inclusive brasileiros (Conrado Segreto, Walter Rodrigues, Alexandre Herchcovich e Lino Villaventura).

Barbie Anna Sui - uma estilista norte-americana, de descendência chinesa. Representa elementos da moda glam-rock dos anos 1970 misturados à moda boêmia-chic atual. Somente 7.700 unidades desta boneca foram produzidas.
Continuando… Depois tem a Sala Luxo/Noivas - essa sala tem Barbies feitas de porcelana em vestidos luxuosos. Edições limitadas. São super raras e valiosas. E as noivas estão em uma escada giratória. Embora a Barbie nunca tenha casado e passe a imagem de mulher super independente – sem filho nem marido – ela se une às noivas quanto aos sonhos possíveis de se realizar.
Na sala ‘Cenas da Vida’ – que tem esse nome de novela – as pessoas verão os momentos marcantes da vida da Barbie – suas profissões, quando ela se separou do Ken, seu namorado, e conheceu o Blaine, no verão do mesmo ano, em 2004 em uma praia em Malibu.
Nuóssa tem até isso?
Tem seu grupo de rock… quando ela toca em uma banda, junto com sua amiga Tereza, sua amiga hispânica; claro que a Barbie é a estrela principal da banda.
Tem também as curiosidades – ‘cultura de bandeja de Mc Donald’s’: se juntarmos todas as Barbies produzidas, lado a lado, deitadas, daria sete voltas ao redor da Terra; ou coisas como a cada dois segundos é vendida uma Barbie no mundo.
Na sexta sala ‘Astros e Estrelas’, a Barbie e o Ken incorporam as personalidades do cinema, música e TV, homenageando, por exemplo, Olivia Newton John e John Travolta em Grease, Arquivo X, e Família Adams.
E o grand finale, a sala Planetário - todas as Barbies étnicas - quando ela incorpora as belezas oriental, negra, hispânica, com trajes típicos de várias nações. Por exemplo, a Barbie da Índia, com piercing no nariz, que a gente não vê por aqui.
Qual o parentesco da Suzi e da Barbie?
A Suzi é brasileira, de 1964, foi inspirada na Barbie. A Barbie só chegou ao Brasil em 1982 por meio da Estrela. Até então, só havia Barbies importadas, dependia de alguém trazer do exterior ou comprar em uma loja do Iguatemi, a Caléche, que era a única importadora.
Tudo isso é alucinante de verdade.
Sim. Um dos segredos que a mantém viva até hoje é o fato dela estar sempre muito bem humorada, trazer uma imagem positiva, de uma mulher confiante. E o fato de ser tratada como uma pessoa e não uma boneca.
Escrevi um livro sobre tudo isso. Mas só vou lançar no ano que vem.
PS.: À PARTE DE TUDO ISSO - esse é o último post do Repique, que encerra aqui sua temporada no Terra Magazine.
Foi um ano de posts diários, de segunda a segunda, cobrindo as mais variadas áreas - música, arte, cinema, design, literatura, viagens, festivais, variedades, e enfim, gente, muita gente, que esse espaço aqui foi inteiramente dedicado para pessoas interessantes contarem um pouco o que faz suas cabeças, seus ofícios, opiniões, histórias, interesses e paixões.
De Rita Lee a Deize Tigrona, grafiteiros, quadrinistas, fotógrafos, escritores, artistas, produtores de festivais e filmes pornôs, festeiros em geral… conversei, ouvi, falei e contei aqui minha curiosidade e vontade de saber mais.
A todos aqueles que foram entrevistados, colaboraram, comentaram, ou simplesmente acessaram esse Blog de Repique, fazendo com que se atingisse muito mais de um milhão de acessos - número que nunca imaginei ser possível, deixo aqui meu MUITO OBRIGADA e até a próxima.
É PIQUE, É PIQUE, É PIQUE!














