É tempo de cinema… Em Cartagena

Por Camila Moraes, de Bogotá
Passadas as badalações dos festivais de cinema de Sundance e Berlim e, claro, do Oscar, os interessados no "outro" cinema olham para o encontro que inaugura a agenda do cinema latino em 2008: o Festival de Cine de Cartagena, que acontece no Caribe colombiano de 29 de fevereiro a 7 de março. O evento, que este ano está em sua 48ª edição, é o festival de cinema mais antigo da América Latina e dá destaque especial às cinematografias ibero-americanas.
A competição oficial será entre 20 filmes de 12 países latinos mais Espanha, incluindo duas produções colombianas (Satanás, de Andi Baiz, filme-representante da recente retomada do cinema colombiano – sem previsão de estrear no Brasil – e Los actores del conflito, nova obra do cineasta veterano Lizandro Duque, que abrirá o evento) e duas brasileiras (Proibido proibir, de Jorge Duran, e O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger). Outros países a competir sob a mirada do júri internacional são Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Equador, México, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.
Dentro da programação estendida, a boa de Cartagena são cada vez mais os curtas: este ano, são 27 títulos em competição no 16º Concurso Iberoamericano de Cortometrajes. Do Brasil, serão exibidos Café com leite, do jovem Daniel Ribeiro, premiado recentemente na mostra adolescente do festival de Berlim, Rummikub, de Jorge Furtado, além de mais três títulos nacionais. Já na categoria dos documentários – com 25 obras de entrada gratuita –, é esperadíssima a exibição de Los invisibles, filme produzido pelo recém-oscarizado ator Javier Bardem e grande vencedor dos prêmios Goya em 2008. E tem ainda o país-homenageado do ano: a França, que será celebrada com uma pequena retrospectiva de Truffaut, a presença do cineasta Alain Corneau (de Todas as manhãs do mundo) e a Mostra de Novos Realizadores Franceses.
A balada cinema fica completa com uma série de seminários, oficinas e visitas ilustres, entre elas a do diretor mexicano Carlos Reygadas, com seu multipremiado Luz silenciosa (2007), e a de um diretor de arte da equipe de Os Simpsons, Lucas Gray, que comparece para falar dos desenhos animados na seção “Eventos Teóricos”. Sem falar no incrível cenário colonial da cidade, que por si só já é uma visita cinematográfica. Quem estiver por lá, que aproveite.
Camila Moraes, 28 anos e paulistana, é jornalista e roteirista. Desde 2007, vive em Bogotá, onde estuda cinema, escreve para revistas culturais colombianas e toma cerveja Águila, além de alimentar seu www.lalatina.com.br, especializado em cinema latino.
É pique, é muito pique.
Postado por Paula Guedes