Viúva de Tom lança filme sobre Maestro em 2008

Em fase de finalização, um documentário sobre Tom Jobim chega aos cinemas ainda esse ano. O Repique teve a sorte de conversar com Ana Jobim, a viúva de Tom, o ‘Maestro’, que dirigiu o filme.
Elegante, ela faz o lançamento invertendo a ordem comercial, primeiro foi o DVD (pela Biscoito Fino), depois a telona. Coisas que só o coração pode entender:
2008, 50 anos de Bossa Nova, esse documentário tem a ver com as comemorações?
Ah, eu só cuido do patrimônio do Tom. Sou responsável por gerenciar os direitos. Quando inventaram a Bossa Nova eu nem tinha nascido. Não quero me envolver com isso… Está a maior briga para definir quem inventou a Bossa Nova, definir quem é o pai.
Fundamental é mesmo o Amor
Continua Ana: "Esse filme não tem nada a ver com Bossa Nova, é atemporal. Tom fala de coisas importantes: as mais simples, de uma rotina caseira, do momento de composição de uma música, sua preocupação com Ecologia - tudo dito por ele - o que ele pensava, o que ele achava. Mostra uma simplicidade que as pessoas não tiveram oportunidade de ver e conhecer. Toda a espontaneidade e a sofisticação das idéias dele”.
“Tudo o que ele fala é tão atual, está ressonando agora. Foi dito em 1987. Ele morreu há 13 anos, 14 quase”.
Medo e generosidade
“Eu tinha um material bruto que eu não sabia onde ia dar. Oito horas de imagens captadas, fotos e vídeos caseiros em VHS.
E por uma questão de cuidado e de medo também – ‘medo de exposição, quem não tem?’, fiz primeiro uma coisa em DVD, em que as pessoas poderiam se interessar e ir atrás. E as respostas me deram segurança para colocar no cinema, sem ter que mexer na edição, sem ter que mexer no que ele é. É um média-metragem. Com 60 minutos.”
“A casa levou quatro anos para ficar pronta e o poema, oito”
“São imagens muito pessoais e intimistas que dirigi em um momento do lançamento de um livro (‘Ensaio poético: Tom e Ana Jobim’, de fotos delas e textos dele, de 1987) –acompanhado de uma exposição de fotos minhas”.
“Resolvi que seria bacana colocá-lo em vídeo, nas salas onde estavam expostas as fotos - Tom em diversos monitores, contando histórias suas, depoimentos que seguiam o curso do livro, em três módulos: Nova York, o sítio em Poço Fundo e Rio de Janeiro”.
‘A casa do Tom, Mundo Monde Mondo’
“No meio da edição criou-se esse nome. É uma frase de um poema, fio condutor da narrativa, que Tom recita:
Vou fazer a minha casa
no alto do chapadão
Vou levar o meu piano
que ficou no Canecão.
Vou fazer a minha casa
no alto do chapadão
Vou levar a Don´Aninha
pra me dar inspiração…
(Nota do Repique: Chapadão começou a ser escrito quando Ana e Tom escolheram o terreno no alto do Jardim Botânico para construírem sua casa).
Você tem de cabeça alguma frase dita por Tom no filme?
“Tem várias, fica com essa que parece simples, mas é desconcertante também: ‘Brasileiro para usar caixa de fósforos devia ter licença, como quem tem que ter licença para portar uma arma”.
Postado por Paula Guedes
Muito importante. Documentário sobre o Tom é coisa séria.
Muito bacana!
Comentário por Elisa Kozlowsky — 31 de março de 2008 @ 9:35
Faço questão de expressar minha opnião sobre isso
Tom Jobim é demais, ainda não tive a oportunidade de ver todo o dvd por completo… já coisas que tem por ai na internet
simplesmente demais, um ídolo, um grande maestro, o nosso maestro Antonio Carlos Jobim
woohoo
Comentário por Rodolfo — 31 de março de 2008 @ 18:23