Terra Magazine

28 de abril de 2008

Comprar Arte é coisa de Playboy???

repique2008 às 13:21

Esse fim de semana teve a SP-Arte em São Paulo - uma feira que reúne as melhores galerias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e também outras estrangeiras, da França, Chile, Argentina, Portugal e Uruguai. Foi um sucesso, teve muito ‘frisson’ - disputa pela compra de certas obras. Vendeu bastante. "Obra da Beatriz Milhazes custando U$ 800mil, mais do que um Di Cavalcanti".

O Repique ouviu comentários, e conversou com a artista Fulvia Molina, representada pela Galeria Valu Oria e a curadora independente Maria Montero para repercutir aqui alguns aspectos desse acontecimento no mercado das artes.

O que você achou dessa edição da SP Arte?
Fulvia Molina: Está cada vez melhor – já é a 4ª edição da feira. Dessa vez estão todas as galerias reunidas - as melhores entraram, antes algumas não entravam. Tem galerias estrangeiras, uma do Chile muito interessante.
Está crescendo do modo certo, somos um mercado incipiente ainda, que precisa ser desenvolvido. Antes tínhamos o Marcantonio Vilaça (um marchand, que ajudou a lançar novos talentos no mercado brasileiro e internacional de artes), ele divulgou, ajudou a desenvolver, teve um papel importante para projeção internacional de nossos artistas e o comércio da nossa arte. Ficamos um tempo sem ninguém cuidando disso, e agora temos a SP-Arte.
Maria Monteiro: É importante para os artistas, reuniu galerias, colecionadores, críticos de arte, curadores, diretores de museus, compradores, o público. É um jeito de circular informação. O trabalho do artista não fica isolado na galeria

Repique - Ouvi comentário de que “dá uma certa aflição ver as obras de arte rebaixadas como se fossem produtos, como se fosse uma feira de alimentos”. Não tem uma preocupação cenográfica, com a fruição. Não é uma exposição.
Maria Montero: É igual feira, uma feira de produtos como outra qualquer. É comercial e nunca teve a pretensão de ser outra coisa que não mercadológica. Arte Contemporânea é um mercado e também precisa ser tratado como tal, mas a SP-Arte é muito séria.
Fulvia Molina: As galerias querem exibir o número máximo de obras, vem muita gente conferir a SP-Arte. Querem que seus artistas entrem no circuito internacional de Arte e se valorizem. É importante para São Paulo ter um espaço como esse. Tem várias feiras importantes no mundo, a Art Basel de Miami, a Arco de Madrid.
A SP-Arte também tem palestras. É um lugar que discute arte brasileira.

Repique - Outro comentário é de que na abertura da SP-Arte só tinha ‘playboy’ – “que não entende nada de arte, e não compram nada; quando compram, compram o óbvio”.
Maria Montero: Ora quem pode comprar obra de arte é a elite mesmo. A desigualdade não é do evento em si, mas do país, que não oferece meios de acesso. O público às vezes fala de arte como se tivesse falando de roupa, como se falasse ‘Você viu a nova coleção da Gucci?’. As galerias se juntam para fazer força de venda, mas tem isso de ser um ‘point’. Mas não dá para ser generalista. Teve a palestra da curadora da Tate Gallery, de Londres, que foi gratuita e foi um tesão.
Fulvia Molina: Arte Contemporânea é dificil gostar sem ser iniciado.
A Bienal de São Paulo virou o que virou, mas era um espaço para as pessoas aprenderem o que é Arte Contemporânea.
A última edição (27ª Bienal de São Paulo), curada pela Lisete Lagnado, não teve investimento, não sei como ela conseguiu realizar.
A desse ano corre o risco de ser um vazio. E talvez seja esse o melhor caminho para abrir uma discussão sobre a questão.

postado por Paula Guedes

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2 Comentários »

  1. acho o máximo isso. os artistas raipados organizam uma feira e depois chamam os clientes de playboy. essa é boa. mas eh muito fácil resolver, eh soh abaixar os preços. querem ver o povão consumir arte? dá tudo de graça. vai ser um ‘frisson’.

    Comentário por andré godoi — 29 de abril de 2008 @ 11:16

  2. Paula, adorei! Importante mesmo é abrir espaço para discutir Arte. E Arte e mercado tb pois andam juntos. Continue postando do jeito que vc faz; continue dando voz para pessoas interessantes e viva o repique que adoro!

    Comentário por tatiana — 29 de abril de 2008 @ 12:23

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