Terra Magazine

31 de maio de 2008

Ironman: o esporte para homens e mulheres de ferro

repique2008 às 9:45

O lado de cá e o lado de lá de uma prova do IRONMAN.

Também conhecida como a Ilha da Magia, Floripa, a grande anfitriã dos bravos “homens de ferro”, sediou no último fim de semana o IRONMAN BRASIL 2008, prova que ganha cada vez mais adeptos tupiniquins viciadássos em endorfina. O barato é ter sangue-nos-óio para ultrapassar os limites físicos – o crème de la crème para quem pratica triatlon, isso é, aquela sabatina maluca que une natação, ciclismo e corrida em doses cavalares – coquetel molotov de adrenalina para os escravos do esporte.

Para quem está de fora…
Preparar… Apontar… Água!
Largada, 6 h da matina, 1.250 competidores se jogam nas gélidas águas da praia de Jurerê Internacional, para nadar 3,8 km delimitados por bóias pequeninas e sumir no horizonte para quem assiste quase aflito do lado de fora, na torcida. Nos minutos que se seguem não há distração, apenas a sensação de que as toucas de silicone coloridas entre as braçadas na água poderiam identificar um náufrago de formiguinhas operárias, grudadas umas na outras. Surge o primeiro anfíbio nadador das profundezas, cerca de 50 minutos pós-largada, a correr rumo à chamada ‘bike transition’, onde 1250 magrelas se encaram lado a lado a espera do grande momento para entrar em ação. Parece fácil? Pfff… Não se engane, o sujeito profissa líder da prova nadou em 50 minutos, atletas empenhados últimos a saírem da água fazem o mesmo trajeto em 2h20.


Transição da magrela
De olho grudado no relógio, a transição da bike se faz entre três e cinco minutos, com direito a trocar de roupa e vestir a sapatilha para logo montar a bicicleta, já equipada com líquidos diversos, barras energéticas, power gel, cápsulas de vitamina etc… Momentos de sol na cabeça, momentos de vento norte na cara, pedalar 180 km jamais será facinho, mesmo com postos de alimentação (frutas, água, isotônico, sopa, frutos secos) e banheiros químicos de 18 em 18 quilômetros.
Eis o momento dos torcedores mais relaxados irem curtir praia, se conseguirem conter a vontade de ficar acompanhando cada volta de cotovelos nas gradinhas e costas ao sol. E depois de cerca de 4h20 – tempo mínimo para o tempo máximo de aproximadamente 7h30 – lá vem o super homem a largar sua bike, trocar de roupa se quiser, e começar a trotada que lhe conduzirá à linha de chegada.

O começo do fim
Digamos que você é um destes atletas, e, por haver treinado durantes anos até chegar ali, está na oitava hora de prova, passa pela segunda transição e se vê prestes a correr mais 42 km, de preferência no tempo de 2h50.

Pra quem nunca fez isso, impossível imaginar a sensação – é exatamente como usar drogas. E por isso ‘pessoas-não-de-ferro’ assistem a uma longa competição dessas com uma confusa mistura de admiração, ansiedade e aflição. O ápice do espetáculo está nas pupilas dilatadas dos atletas que chegam chorando, exaustos, doidões, pulando, caindo na maca, beijando mulheres e crianças, gritando, enfim, a expressar qualquer sentido que ainda lhes reste. É de chorar de emoção.


O Homem de Ferro na vida real
Vejamos, a prática em questão não é nada popular entre nossos conterrâneos, mesmo que a cada ano a busca pelas vagas do Ironman cresça. Segundo o triatleta Tito Angelucci, 36, Ironman quatro vezes, sendo três no Brasil e outra na Áustria, trata-se de um esporte super difícil. “Eu sempre falo que o Ironman pega muito mais no psicológico do que no físico, é preciso desligar a mente do mundo e ficar ligado na prova”. O triatleta teria completado o quinto Homem de Ferro em Floripa esse ano: “Tive uma contratura muscular na panturrilha esquerda aos 21 km da corrida, mas provavelmente vou continuar”.

Tito prefere não beber, mas sai pra jantar nas horas de ócio, é casado, tem seus negócios profissionais não ligados a esporte e ainda faz trabalhos como modelo. “Tem que saber conciliar a agenda, tenho que dormir cedo e acordar cedo todos os dias, ir trabalhar, treinar e agradar a família”. O ironman conta ainda que faz isso pelo desafio pessoal, “é uma distância muito grande, pega em limites físicos, e é uma forma de cuidar do corpo e da mente. Profissionalmente não é um esporte valorizado (o número 1 ganha menos de dez mil dólares), não tem rendimento, nem importância pro mercado publicitário aqui no Brasil”, conclui ele.

Destino Havaí
Ao final da etapa Brasil, 50 atletas são classificados para o Mundial - prova em Kona, no Havaí, que deu origem ao circuito Ironman. Ao total, são 26 etapas classificatórias espalhadas pelo mundo, sendo a etapa brasileira a única realizada na América Latina.

Colaborou Camile Sproesser, Postado por Paula Guedes

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30 de maio de 2008

Ivete Sangalo: “Vamos fazer Lisboa tremer”

repique2008 às 8:45

Começa hoje, 30 de maio, mais um ‘Rock in Rio Lisboa’.
A Cidade do Rock já está pronta para estrear a edição 2008 recebendo os shows de Lenny Kravitz, Amy Winehouse (será que ela aparece mesmo?, a organização está em contato permanente com o agente da artista e até aqui garantiu que sim, salvo se houver algum ‘incidente’ - buenas…façamos figas até ela entrar no palco), Ivete Sangalo e o DJ Paul Van Dyk, entre outras atrações; todas distribuídas pelos palcos Mundo, Tenda eletrônica e Sunset – esse último dedicado a projetos mais alternativos.

Ingressos esgotados. 90mil pessoas. É a terceira edição que se realiza em Portugal. E o jingle continua o mesmo, desde 1985: “se a vida começasse agora…”

Pode-se questionar o caráter rockeiro do festival, desde sempre uma miscelânea, às vezes mais, outras vezes menos acertada. Mas o que todo mundo tem certeza é que a festa é grande, e o público disposto. Se depender do que Ivete declarou para o Repique, hoje explode:

“Oba!!!!! tô indo matar a saudade. Vai ser um dia muito especial. E o povo português pode se preparar que nos vamos fazer Lisboa tremer.”

Considerada a ‘mulher furacão’, a baiana tem fã clube naquele país. Quando esteve por lá em 2004 (foto), foi "a sensação" da primeira edição do festival, repetiu a dose em 2006, realizando sua proeza por aqui conhecida: “ninguém se cansou de pular e de cantar com ela, até quem não gosta das suas músicas”, diz a testemunha ocular.

Ivete retribui: “Defino como um público fiel e muito amoroso. Fecho os meus olhos e vejo aquela vibração positiva do povo lusitano. É uma delicia”.

O Festival produzido pelos irmãos Medina também acontece esse ano em Madrid, pela primeira vez. Roberta Medina declara que haverá uma edição no Rio de Janeiro, prevista para 2014; além disso, “há planos para um festival em 2011, provavelmente na Itália”, porque "tem uma linha latina” e "uma idéia meio louca" de organizar o evento em 2013 na China.

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29 de maio de 2008

É proibido fumar

repique2008 às 10:18

Vem aí mais um dia Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, sábado, e nessas, leis anti-tabaco pululam nas principais capitais do país: o Rio de Janeiro já aprovou e agora entra em vigor a proibição de fumar em recintos fechados da cidade,” sejam eles públicos ou privados. Nestes locais deverão ser afixados avisos indicando a proibição e, de acordo com a prefeitura, quem não obedecer a proibição estará sujeito à advertências e poderá ser retirado do recinto”. Hummm, será que vai pegar?

Em São Paulo, a Câmara dos Vereadores também está prestes a votar um projeto nesse sentido. A medida é inédita porque a atual legislação se limita a reservar lugares diferentes para fumantes e não-fumantes. E as penalidades previstas, serão bem mais pesadas: desde multas que variam entre 10 e 50 salários mínimos até a cassação do alvará de licença do estabelecimento.

Diante do temor dos fumantes - e alívio geral dos não fumantes, o Repique conta como essas leis atingiram a balada nas cidades que adotaram essa medida desde o ano passado.

Londres
Nos pubs, quem fuma enxerga quantidades de avisos ‘proibido fumar’ em progressões geométricas. De um só ponto de vista é possível ver 11 ou 12 proibições, variando de letras minúsculas a letras garrafais. Quase um delírio kafkaniano.
Na Fabric, um dos melhores clubes do mundo, a ‘política’ para fumantes funciona assim: contradizendo toda a postura soberana e respeito à ordem das filas daquela nação, um amontoado de gente se amassa e se empurra para entrar na leva dos 20 que terão direito a uma passadinha pelo pátio interno do club.
Uma vez lá, avisos por todos os lados para ficar em silêncio porque se trata de uma área residencial, e uns seguranças de olho em todo mundo. Não bastasse o terror, começa a ser projetado em um paredão um relógio digital em contagem regressiva: seis exatos minutos para fumar seu cigarrinho. O povo põe até dois cigarros de uma vez na boca, fuma um na seqüência do outro - o que for possível de ser feito nesse tempo. É bem aflitivo. Todo o charme do break do cigarro vai para as cucuias. Acabou o tempo, os seguranças te tiram dali, você passa por um lado para voltar ao club e tem aquela massa de gente querendo fumar na outra via. Vendo de longe, arrepia. Parece mesmo gado agitado indo pro abate.

Nova York
O esquema é mais light: todo mundo ganha carimbinho na mão e sai pra fumar na rua, mesmo no maior frrrrrrio. Depois volta pra balada.

Paris
Começou no primeiro dia do ano e, acredite, lá na terra do Gitanes, todo mundo respeita. Do jeito que gostam de um cigarro, até pensou-se que não iria colar, mas lá não é Brasil.
A impressão geral é a de que ‘agora o bar fede mais ainda’. Talvez a fumaça escondesse ‘odores podres, tipo cerveja azeda e cecê parisiense’… Os bares ficaram mais vazios, e as ruas mais cheias. Mesmo no inverno, a Rua Oberkampf conhecida por ter um bar atrás do outro, ficava lotada de gente nas portas dos bares fumando um cigarrinho e, animando a noite parisiense.
Os que se ferraram foram os bares de fumar Narguilé, muitos fecharam.
Mas agora no verão os bares abrem seus terraços e põem as mesas nas calçadas onde pode fumar.
Nas "boites de nuit" os parisienses improvisaram uma área delimitada do lado de fora, algumas mesmo nas calçadas. Fica meio parecendo que os fumantes estão de castigo.

O fim da sauna de nicotina e alcatrão
Mas o que todo mundo concorda nessas cidades é que, além óbvia opção pela saúde – e apreço a vias respiratórias, capacidade e sensações olfativas, chega-se em casa e nem roupa nem cabelo fedem. Você pode repetir a blusinha no dia seguinte para tomar um café na padaria e nem parece um cinzeiro defumado. Faz muita diferença. Foi-se o tempo de olhos ardendo, pulmões afogados e aquela inevitável queimadinha que sempre rola, seguida de uma cara de bunda de quem te queimou, que convenhamos, é indesculpável.

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28 de maio de 2008

Christina Aguilera é fã do graffiti brasileiro

repique2008 às 0:36

Fecha tudo que eu quero comprar!
Alguns dias antes da abertura da exposição "Vida Apaixonada", uma individual do brasileiro Titi Freak – (street artist de ascendência japonesa, mestre do desenho, bastante inspirado pelo mangá) - na galeria Jonathan LeVine, em NY, a equipe de montagem recebeu uma solicitação urgente.

A cantora Christina Aguilera, famosa por mega hits e alguns cinco prêmios Grammy , queria que a galeria ficasse à sua disposição algumas horas antes da abertura oficial, no dia 16 de maio.
Do alto de sua privacidade, Aguilera acabou comprando duas peças de Titi.

O Repique não se agüentou e falou com o artista sobre o causo - ele que se prepara para uma outra expo, dessa vez uma individual em Londres: "O fato da Cristina Aguilera comprar duas peças minhas mostra que o trabalho que eu faço há anos tanto na rua, perto de casa, como uma instalação em uma grande galeria, começa a ter uma outra visibilidade. É tão legal saber que tem um original meu na parede de alguém famoso, como também na de grandes colecionadores e amigos, e saber que ainda tenho trabalhos nas ruas pra todo mundo".

Antenadíssima
Que bom que a moça está ligada no que está acontecendo no mundo das artes - principalmente da arte não acadêmica - e especialmente do graffiti.

Há uma nova geração, representada pelos artistas da galeria Choque Cultural (SP) e da própria Jonathan LeVine, cuja produção já faz parte do acervo de um novo perfil de colecionador. Essa arte cuja origem vem das ruas, da ilustração, da tatuagem e de outras formas de produção independente já é considerada uma forma de investimento. E quem pode comprar, já está fazendo um bom negócio e construindo seu patrimônio.

A expo ‘Vida Apaixonada’ fica até o dia 14 de junho na Jonathan LeVine. (www.jonathanlevinegallery.com)

FLICKR COM FOTOS EXCLUSIVAS DA EXPO: www.flickr.com/photos/choque


PS: a foto é de um dos quadros que Christina Aguilera comprou.

Colaborou Carol Ramos, postado por Paula Guedes

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27 de maio de 2008

Sai o shortlist de candidatos para o Skol Beats 08

repique2008 às 11:36

Saiu a lista dos 14 candidatos internacionais para a edição 2008 do festival Skol Beats. A votação começa amanhã (28/maio) e depende agora da vontade do público – convocado a eleger 7 dessas atrações – para começar a se desenhar o tão aguardado line up.

Após um longo debate no Forum do portal skolbeats.com.br os organizadores ‘concluíram’ que o público quer ver as seguintes atrações:

- Justice (Uêbas!!!)
- Digitalism (Vai bem!)
- Pendulum (o mais desejado pela moçada do Drum’n'Bass)
- 2 Many DJs (já vieram bastante, mas nunca é demais)
- Agoria (primeira vez que vem para um festival, interessante)
- Makoto (“o embaixador do Drum’n’Bass Japonês”)
- Markus Schuls (quem?, da praia Trance deve ser)
- Steve Angello (da máfia da house sueca)
- Menno de Jong (quem mesmo???)
- Dubfire ( o Ali Dubfire, cara-metade do Deep Dish)
- Armin Van Buuren (vai levar, o povo adora e ele é bem carismático)
- Fergie (o DJ Fergie, não se trata da vocalista do Black Eyed Peas, por favor)
- Dillinja (Who???)
- Sebastian Ingrosso (parceiro de Steve Angello, também da máfia da house sueca)

Afora Justice e Pendulum que devem ganhar de lavada, a lista está bem equilibrada, atestando o DNA do festival – variedade e composição entre as cenas e vertentes da música eletrônica, dependendo bastante do engajamento do público para definir a cara do Beats 2008.

Por razões estruturais, o festival esse ano terá apenas 2 palcos, trazendo ao todo 12 atrações entre DJs e Live PAs, sendo 5 nomes nacionais e 7 internacionais.

Como não haverá uma tenda exclusiva de Drum’n’Bass, (historicamente a mais fervida do festival), se depender da força dessa comunidade, com certeza veremos essa vertente pesar, elegendo fácil todos os candidatos disponíveis: Pendulum, Makoto e o produtor Dillinja, (que já tocou no extinto Lov.e),.

Na contramão da tendência dos últimos anos, o Festival apresentou somente uma única atração que tem formação de banda: o Pendulum.

E, na ponta da lança do avant garde, os projetos que cruzam rock com batidas eletrônicas: Justice - a dupla de franceses que, se Deus e a massa quiserem, vão incendiar a pista com as músicas ‘D.A.N.C.E’ e ‘We are your friends’; e a dupla de alemães Digitalism – que cabulou solenemente o Nokia Trends do ano passado, frustrando a geral dos baladeiros de plantão – resta saber se o povo perdoa ou vai dar castigo.

Entre inéditos, super desejados e aqueles que vêm todos os anos – das 14 opções disponíveis, até aqui o Repique conseguiu se decidir por:
- Justice (com muita convicção)
- Digitalism (com muita convicção)
- Agoria (com convicção)
- Dubfire (sem convicção)
- 2 Many DJs (sem convicção)
- Pendulum (com convicção)
- Armin Van Buuren (zero convicção)

Quanto aos demais, peço ajuda para a nação de festeiros.

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Livro de prosa traz o ‘Brasil do interior’

repique2008 às 11:30

Estréia na prosa o jovem poeta
É motivo de brinde sempre que um jovem escritor rompe todas as barreiras para chegar a publicar um livro – seja a preguiça, a timidez ou a falta de tempo ou de meios. Pois hoje tem lançamento do livro "King Kong e Cervejas", do escritor Fabrício Corsaletti, pela editora Companhia das Letras.

Dando um pouco de asas a essa realização, o Repique conversou com o autor - de 29 anos, “um cara que nasceu no interior, a Oeste do estado de São Paulo, quase no Mato Grosso, que veio pra capital pra escrever e está escrevendo da melhor maneira que pode”.
Sem idealismo, Fabrício traz um Brasil pouco retratado na literatura – o de uma cidade do interior, presente “em cada linha do "King Kong".

Nem simples nem ingênuo
O livro traz a história de alguém que sai de casa, deixa a província e cai numa cidade grande. Seu personagem é assim, um cara deslocado, daqueles que sentem de alguma forma, que já não cabe mais ali. Bastou um ligeiro descompasso para fazer nascer o olhar sobre "o começo do mundo" e a "última noite".

Nostalgia zero
Impertinente e simpático, o título do livro contextualiza o interior através da roda de cervejas - esse ‘ambiente de churrasco’ que é uma forma de encontro entre as pessoas, onde tudo acontece. E o King Kong? seu pai compositor, quem fez uma marchinha de carnaval para sua mãe, ambos a quem dedica seu livro - o herói e a mocinha.

Repique: Conta um pouco sobre “O King Kong e Cervejas”
Fabrício: É um livro de contos. São nove contos, narrados na primeira pessoa, e tratam da infância e da adolescência do narrador, que nasceu numa cidade do interior paulista e veio pra São Paulo aos 18 anos. Tentei misturar uma linguagem mais adulta - do narrador - com as diferentes linguagens do personagem, cada uma delas de acordo com a idade que ele tem em cada conto. No primeiro, por exemplo, aparece uma linguagem mais infantil, porque o moleque está com sete anos. No último, ele já é adulto e a linguagem também está um pouco mais madura - não completamente, imagino.

Existe um tema ou encadeamento entre os contos?
Não sei quais são os temas. Acho isso muito difícil de responder. No primeiro conto, por exemplo, aparece uma menina com cheiro de meleca de nariz nos dedos. O que significa? Não sei. Sei que é uma história de amor, mas sei também que não é só isso.
Outro conto começa com um concurso de Miss Turismo Regional e desaba para uma briga entre turmas…

Por que escrevi esse livro? As histórias do "King Kong", na maioria das vezes estão bem coladas a coisas que vivi, bem autobiográficas. Foram surgindo em 2004, enquanto lia Dylan Thomas, de cujo "Retrato do artista quando jovem cão" roubei a estrutura do livro, e Hemingway. O livro foi aparecendo pouco a pouco, quando senti vontade de dar forma literária àquelas experiências da infância e adolescência. Eram apenas histórias nebulosas na minha cabeça, mas quando as escrevi foram se tornando mais claras. Dá uma sensação boa ver isso acontecer.

E, por fim, como poeta, onde você enxerga a poesia no mundo atual?
O argentino Jorge Luis Borges disse em algum lugar que a poesia pode ser encontrada em toda parte, inclusive em livros de poesia. Gosto dessa frase. O francês Mallarmé afirmava que poesia se faz com palavras, e acho que nenhum poeta é capaz de questionar isso. Só com as palavras certas você consegue provocar poesia. Uma palavra errada e o poema desanda, deixa de ser poesia.
Mas acredito que ela também se encontra na vida e que não se esconda em lugar algum. Ela está por aí, disponível pra quem quiser encontrá-la.

‘King Kong e cervejas’, Ed. Cia das Letras
Lançamento 27/maio, na Livraria da Vila, às 18:30h
R. Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena
(Noite de autógrafos com direito à marchinha do King Kong gravada em estúdio)

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26 de maio de 2008

CEP 20000 retorna hoje ao Teatro do Jockey no Rio

repique2008 às 0:26

O CEP 20.000 retoma hoje suas atividades no Teatro do Jockey do Rio de Janeiro e se prepara para fazer 18 anos em agosto.

"O CEP é no mínimo, terapêutico"
Centro de Experimentação Poética e código postal do Rio de Janeiro, o CEP 20000 é um caldeirão onde se mistura música, poesia, teatro, dança, performances – é o evento referência na área de poesia falada e performatizada no Rio de Janeiro. “O CEP acaba valorizando a poesia falada pelo seu formato do show – performance”.

Realizado pelo poeta, letrista e editor Ricardo Chacal, o evento se prepara para agitar uma quarta geração de artistas. Muita gente interessante já passou por ali: Waly Salomão, Fausto Fawcett e Michel Melamed, entre outros lunáticos e performáticos seres de vinte e poucos anos que ainda se expressam através da palavra. “Devia ter apoio da Secretaria Municipal de Saúde”, diz o realizador.

Para quem não o conhece, a apresentação básica é sua história: Chacal foi um dos mais notórios representantes da “geração mimeógrafo”. Estreou, em 1971, aos vinte anos de idade com seu livro ‘Muito Prazer’ que teve apenas 100 exemplares mimeografados e distribuídos na noite carioca, de bar em bar, alterando todo o cenário da poesia brasileira, retomando o deboche e o lirismo ágil de Oswald de Andrade, atualizados com a cultura pop da época. Passou da poesia marginal para o teatro de besteirol e pelo rock brasileiro da década de 1980.

“O que não se fala de mim é a incansável luta diária com o verbo, desse acordo de tentar um pas de deux com a vida. Acho que a história da poesia falada no Rio se divide em antes e depois do CEP. O CEP fará 18 anos e ensinou muita gente a falar, a se comunicar, a se encontrar.”

Subversivo e inquieto, “o CEP é o irresponsável que deixa entreaberta a porta da imaginação nesses tempos de abulia e mercado, nessa cultura impregnada de big brothers”.

CEP 20.000
Hoje, 26 de maio , a partir das 20h - Entrada Franca
Rua Bartolomeu Mitre, 1110, Gávea – Leblon RJ

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25 de maio de 2008

Pôr-do-sol em Rio das Ostras ao som de Jazz

repique2008 às 11:04

Encerra hoje ao pôr-do-sol, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

Apontado pelos críticos como um dos melhores festivais do gênero no país, parece inacreditável, e é realmente fantástico, que a pequena cidade litorânea de Rio das Ostras, no litoral fluminense, realize um evento desse porte, chegando à sua 6ª edição. E que receba atrações internacionais do quilate do guitarrista John Mayall, durante cinco dias de shows gratuitos. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro o público precisaria desembolsar mais de R$ 100,00 por ingresso.

Com estrutura impecável, com ‘categoria de festivais internacionais’, os shows acontecem em três palcos ao ar livre: em Costa Azul – onde rolam os maiores shows, mais incendiários e dançantes, das 7 da noite às 2 da madrugada, com capacidade para 15 mil pessoas; na Praia da Tartaruga, em uma ilhota, para performances mais intimistas ao pôr do sol; e outro em uma concha acústica na Lagoa de Iriry. Isso tudo graças ao investimento da prefeitura, que enxergou no Jazz e Blues um caminho para proporcionar música e cultura niveladas por cima aos seus cidadãos e visitantes turistas. Motivo de orgulho.

Até aqui, a unanimidade desse ano foi a performance de John Mayall, acompanhado da banda The Bluesbreakers. Antes do seu show, sr. Mayall estava à vontade, acessível para o público vendendo ele próprio seus CDs, autografando vinis e conversando com seus fãs.

A apresentação de Regina Carter também envolveu o público - que foi muito receptivo, e ouviu com atenção e silêncio o violino jazzístico da artista.

E não menos surpreendente foi a vez da brasileira Taryn Szpilman, que, grávida de sete meses e meio, mandou ver no Blues, interpretando nessa veia músicas mais conhecidas do público, como Black Dog do Led Zeppelin.

Para quem ficou com vontade, corra que ainda dá tempo de pegar James “Blood” Ulmer Memphis Blood com Vernon Reid (o cara do Living Colour), no palco Lagoa do Iriry às 14:15h ou John Scofield Trio & The Scohorns, às 17:15h na Praia da Tartaruga. Ou, programe-se para o ano seguinte, feriado de Corpus Christi em Rio das Ostras.

Veja a programação completa no site do evento.

Fotos Cezar Fernandes

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24 de maio de 2008

Rubies: o som que vai fazer sua cabeça

repique2008 às 12:06

Álbum de estréia
Fique de olho e ouvidos ligados no som das Rubies - a dupla de meninas da Califórnia que está estourando na Europa. O álbum de estréia foi lançado pelo selo Tellé Records (o mesmo de Royksopp e Datarock), com participações de Feist, Eric Glambek-Boe (dos Kings Of Convenience) e Peter, Björn and John – todos amigos entre si.

Voz doce, teclados, um baixo determinado e, às vezes, um “guitarrista emprestado” - o Erlend Oye, diga-se de passagem - para compor o palco, como dizem.

O álbum de estréia ‘Explode from the center’ tem 9 faixas, que alternam batidas eletrônicas tranqüilas ’synth pop’ e ritmos mais dançantes, electro-folk. Todas com altas doses de bom astral e alguns lamentos de amor.

Para uma prévia, ouça aqui: www.myspace.com/rubies

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23 de maio de 2008

Contra trânsito, SP ganha rede de bicicletários

repique2008 às 10:39

Vai e vem
Calcula-se a circulação de 300 mil bikes em São Paulo diariamente, mesmo com menos de 30 km de ciclovias na cidade. E o que pouca gente sabe é que já existem estacionamentos centrais onde é possível deixar a bicicleta por R$ 2,00, valor válido para 12 horas. A medida foi adotada em fevereiro, quando sete estacionamentos da rede Estapar ganharam bicicletários e paraciclos.

Vem e vai
Também já é possível deixar a o carro guardado e pegar uma bike emprestada nas proximidades da Avenida Paulista – à essa ação, empreendida por uma rede de estacionamentos e uma seguradora, deu-se o nome de Bicicletário, em que é possível pegar a magrela a partir das seis horas da manhã e devolver no máximo às oito da noite em qualquer unidade participante.

Carla Nasabi, coordenadora do projeto conta que até o final do primeiro semestre a cidade vai estar mapeada para a expansão do projeto. “Mesmo que o número de bicicletas alugadas ainda seja pequeno, as pessoas procuram mais aos fins de semana para passear, a adesão ao projeto é bem grande.”

Bom, diante das estatísticas que apontam o caos iminente - ao que parece, nos resta cerca de cinco anos para atolarmos de uma vez por todas no tráfego que abate os dias na capital – ou todo mundo pára pra pensar no assunto, ou continuaremos a caminhar rumo ao dia em que a cidade travará de vez.

Basta agora os arquitetos e empreendedores de imóveis comerciais começarem a criar áreas vestiários e condições de banho para quem chega suado dar um trato, e começar o dia malhado e cheiroso.

Unidades participantes:
1. Hospital Santa Catarina – Av. Paulista, 200.
2. Top Center – Al. Joaquim Eugênio de Lima, 424.
3. Garagem subterrânea Trianon – Al. Jaú, 850 (entrada e saída pela Al. Santos)
4. Conjunto Nacional – entrada pela Rua Padre João Manuel, 60.
5. Garagem São Luís – Av. Paulista, 2378.
6. Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569.
7. Novotel Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 - Centro

Faça seu roteiro.

Colaborou Camile Sproesser, postado por Paula Guedes

Foto "Vapt Vupt"do Flickr de Stanley Calderelli

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