Livro de prosa traz o Brasil do interior

Estréia na prosa o jovem poeta
É motivo de brinde sempre que um jovem escritor rompe todas as barreiras para chegar a publicar um livro – seja a preguiça, a timidez ou a falta de tempo ou de meios. Pois hoje tem lançamento do livro "King Kong e Cervejas", do escritor Fabrício Corsaletti, pela editora Companhia das Letras.
Dando um pouco de asas a essa realização, o Repique conversou com o autor - de 29 anos, “um cara que nasceu no interior, a Oeste do estado de São Paulo, quase no Mato Grosso, que veio pra capital pra escrever e está escrevendo da melhor maneira que pode”.
Sem idealismo, Fabrício traz um Brasil pouco retratado na literatura – o de uma cidade do interior, presente “em cada linha do "King Kong".
Nem simples nem ingênuo
O livro traz a história de alguém que sai de casa, deixa a província e cai numa cidade grande. Seu personagem é assim, um cara deslocado, daqueles que sentem de alguma forma, que já não cabe mais ali. Bastou um ligeiro descompasso para fazer nascer o olhar sobre "o começo do mundo" e a "última noite".
Nostalgia zero
Impertinente e simpático, o título do livro contextualiza o interior através da roda de cervejas - esse ‘ambiente de churrasco’ que é uma forma de encontro entre as pessoas, onde tudo acontece. E o King Kong? seu pai compositor, quem fez uma marchinha de carnaval para sua mãe, ambos a quem dedica seu livro - o herói e a mocinha.
Repique: Conta um pouco sobre “O King Kong e Cervejas”
Fabrício: É um livro de contos. São nove contos, narrados na primeira pessoa, e tratam da infância e da adolescência do narrador, que nasceu numa cidade do interior paulista e veio pra São Paulo aos 18 anos. Tentei misturar uma linguagem mais adulta - do narrador - com as diferentes linguagens do personagem, cada uma delas de acordo com a idade que ele tem em cada conto. No primeiro, por exemplo, aparece uma linguagem mais infantil, porque o moleque está com sete anos. No último, ele já é adulto e a linguagem também está um pouco mais madura - não completamente, imagino.
Existe um tema ou encadeamento entre os contos?
Não sei quais são os temas. Acho isso muito difícil de responder. No primeiro conto, por exemplo, aparece uma menina com cheiro de meleca de nariz nos dedos. O que significa? Não sei. Sei que é uma história de amor, mas sei também que não é só isso.
Outro conto começa com um concurso de Miss Turismo Regional e desaba para uma briga entre turmas…
Por que escrevi esse livro? As histórias do "King Kong", na maioria das vezes estão bem coladas a coisas que vivi, bem autobiográficas. Foram surgindo em 2004, enquanto lia Dylan Thomas, de cujo "Retrato do artista quando jovem cão" roubei a estrutura do livro, e Hemingway. O livro foi aparecendo pouco a pouco, quando senti vontade de dar forma literária àquelas experiências da infância e adolescência. Eram apenas histórias nebulosas na minha cabeça, mas quando as escrevi foram se tornando mais claras. Dá uma sensação boa ver isso acontecer.
E, por fim, como poeta, onde você enxerga a poesia no mundo atual?
O argentino Jorge Luis Borges disse em algum lugar que a poesia pode ser encontrada em toda parte, inclusive em livros de poesia. Gosto dessa frase. O francês Mallarmé afirmava que poesia se faz com palavras, e acho que nenhum poeta é capaz de questionar isso. Só com as palavras certas você consegue provocar poesia. Uma palavra errada e o poema desanda, deixa de ser poesia.
Mas acredito que ela também se encontra na vida e que não se esconda em lugar algum. Ela está por aí, disponível pra quem quiser encontrá-la.
‘King Kong e cervejas’, Ed. Cia das Letras
Lançamento 27/maio, na Livraria da Vila, às 18:30h
R. Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena
(Noite de autógrafos com direito à marchinha do King Kong gravada em estúdio)