Terra Magazine

31 de maio de 2008

Ironman: o esporte para homens e mulheres de ferro

repique2008 às 9:45

O lado de cá e o lado de lá de uma prova do IRONMAN.

Também conhecida como a Ilha da Magia, Floripa, a grande anfitriã dos bravos “homens de ferro”, sediou no último fim de semana o IRONMAN BRASIL 2008, prova que ganha cada vez mais adeptos tupiniquins viciadássos em endorfina. O barato é ter sangue-nos-óio para ultrapassar os limites físicos – o crème de la crème para quem pratica triatlon, isso é, aquela sabatina maluca que une natação, ciclismo e corrida em doses cavalares – coquetel molotov de adrenalina para os escravos do esporte.

Para quem está de fora…
Preparar… Apontar… Água!
Largada, 6 h da matina, 1.250 competidores se jogam nas gélidas águas da praia de Jurerê Internacional, para nadar 3,8 km delimitados por bóias pequeninas e sumir no horizonte para quem assiste quase aflito do lado de fora, na torcida. Nos minutos que se seguem não há distração, apenas a sensação de que as toucas de silicone coloridas entre as braçadas na água poderiam identificar um náufrago de formiguinhas operárias, grudadas umas na outras. Surge o primeiro anfíbio nadador das profundezas, cerca de 50 minutos pós-largada, a correr rumo à chamada ‘bike transition’, onde 1250 magrelas se encaram lado a lado a espera do grande momento para entrar em ação. Parece fácil? Pfff… Não se engane, o sujeito profissa líder da prova nadou em 50 minutos, atletas empenhados últimos a saírem da água fazem o mesmo trajeto em 2h20.


Transição da magrela
De olho grudado no relógio, a transição da bike se faz entre três e cinco minutos, com direito a trocar de roupa e vestir a sapatilha para logo montar a bicicleta, já equipada com líquidos diversos, barras energéticas, power gel, cápsulas de vitamina etc… Momentos de sol na cabeça, momentos de vento norte na cara, pedalar 180 km jamais será facinho, mesmo com postos de alimentação (frutas, água, isotônico, sopa, frutos secos) e banheiros químicos de 18 em 18 quilômetros.
Eis o momento dos torcedores mais relaxados irem curtir praia, se conseguirem conter a vontade de ficar acompanhando cada volta de cotovelos nas gradinhas e costas ao sol. E depois de cerca de 4h20 – tempo mínimo para o tempo máximo de aproximadamente 7h30 – lá vem o super homem a largar sua bike, trocar de roupa se quiser, e começar a trotada que lhe conduzirá à linha de chegada.

O começo do fim
Digamos que você é um destes atletas, e, por haver treinado durantes anos até chegar ali, está na oitava hora de prova, passa pela segunda transição e se vê prestes a correr mais 42 km, de preferência no tempo de 2h50.

Pra quem nunca fez isso, impossível imaginar a sensação – é exatamente como usar drogas. E por isso ‘pessoas-não-de-ferro’ assistem a uma longa competição dessas com uma confusa mistura de admiração, ansiedade e aflição. O ápice do espetáculo está nas pupilas dilatadas dos atletas que chegam chorando, exaustos, doidões, pulando, caindo na maca, beijando mulheres e crianças, gritando, enfim, a expressar qualquer sentido que ainda lhes reste. É de chorar de emoção.


O Homem de Ferro na vida real
Vejamos, a prática em questão não é nada popular entre nossos conterrâneos, mesmo que a cada ano a busca pelas vagas do Ironman cresça. Segundo o triatleta Tito Angelucci, 36, Ironman quatro vezes, sendo três no Brasil e outra na Áustria, trata-se de um esporte super difícil. “Eu sempre falo que o Ironman pega muito mais no psicológico do que no físico, é preciso desligar a mente do mundo e ficar ligado na prova”. O triatleta teria completado o quinto Homem de Ferro em Floripa esse ano: “Tive uma contratura muscular na panturrilha esquerda aos 21 km da corrida, mas provavelmente vou continuar”.

Tito prefere não beber, mas sai pra jantar nas horas de ócio, é casado, tem seus negócios profissionais não ligados a esporte e ainda faz trabalhos como modelo. “Tem que saber conciliar a agenda, tenho que dormir cedo e acordar cedo todos os dias, ir trabalhar, treinar e agradar a família”. O ironman conta ainda que faz isso pelo desafio pessoal, “é uma distância muito grande, pega em limites físicos, e é uma forma de cuidar do corpo e da mente. Profissionalmente não é um esporte valorizado (o número 1 ganha menos de dez mil dólares), não tem rendimento, nem importância pro mercado publicitário aqui no Brasil”, conclui ele.

Destino Havaí
Ao final da etapa Brasil, 50 atletas são classificados para o Mundial - prova em Kona, no Havaí, que deu origem ao circuito Ironman. Ao total, são 26 etapas classificatórias espalhadas pelo mundo, sendo a etapa brasileira a única realizada na América Latina.

Colaborou Camile Sproesser, Postado por Paula Guedes

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2 Comentários »

  1. Adorei a matéria e como também faço parte dessa tribo, quero mais matérias a respeito.
    A maneira que foi escrito está excelente.
    Parabéns.

    Comentário por Antonio Sproesser — 2 de junho de 2008 @ 16:34

  2. NAO HÁ PESSOA QUE ESCREVA MELHOR E DESCREVA AS SITUAÇÕES TÃO BEM COMO VOCÊ .
    ADORO TUDO QUE ESCREVE. PARABENS.
    ALEXANDRA

    Comentário por alexandra schirrmann colavita — 2 de junho de 2008 @ 16:59

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