Terra Magazine

30 de junho de 2008

Especialista: cinema de terror vive “fase extrema”

repique2008 às 8:43

Instigado pelo lançamento do filme do Zé do Caixão, "Encarnação do Demônio" - prometido para agosto, o Repique bateu um papo ‘iniciático’ sobre Filmes de Terror com o roteirista e diretor-assistente, Dennison Ramalho, um dos maiores especialistas do Brasil no assunto.
Com 33 anos, ele começou a se interessar pelo gênero há mais de 20 anos, ia atrás de filmes, literatura e quadrinhos especializados, “desde sempre fui interessado, sou um rato de locadora”. E hoje enxerga o gênero como um estudo de comportamento.

Como começou seu interesse sobre filmes de terror?
Comecei assistindo. Vejo tudo de tudo. Tudo do gênero me interessa. Fui aumentando minha coleção, importando VHS, literatura específica sobre cinema de terror, descobrindo filmes, retrospectivas, reprises. Sou um caçador de filmes de horror, raridades que se encontram só em dois ou três lugares do mundo, em Nova York, Londres, Barcelona.
Todo o tempo livre de lazer uso para isso.

Qual sua relação hoje com o gênero?
Tenho um gosto restrito sobre o assunto, não gosto muito de cinema ‘trash’, houve uma época em que até simpatizei, mas perdeu o brilho. Não gosto também de subgêneros – filmes de fantasma, zumbi, casa assombrada, canibal…
Hoje estou interessado em conceito e inovação. Descobrir histórias novas. Esse gênero se vicia - os nomes mudam, mas as histórias são as mesmas; e se reinventa com freqüência - de década em década, a cada cinco anos, porque se tem uma peculiaridade nos filmes de terror é a tendência ao clichê.

Quais foram os principais ciclos?
O primeiro ciclo foi o Expressionismo alemão – Nosferatu, Gabinete do Dr. Caligari; o 2° ciclo foi americano, dos estúdios da Universal, produzindo Drácula e Bela Lugozi; nos anos 50-70, o filmes da Hammer,que era um estúdio inglês que fez Lobisomem, Drácula, Frankenstein - mais violentos e coloridos.
Os anos 80 foram marcados pelos ‘slashers’ (de ‘cortar carne’), com ‘Sexta 13’, ‘Freddy Krueger’.
O interessante é entender como esses ciclos começam, e como vem a ruptura. Por exemplo, gosto sempre de reassistir Drácula, Allien, Psicose, Silent Hill – que são filmes que rompem com as repetições de sua época.

E que ciclo vivemos hoje?
Hoje estamos vivendo uma fase bastante extrema. A tendência mais recente é a fase de tortura, com filmes como ‘Jogos Mortais’, ‘O Albergue’ e suas continuações, gerando até filmes ‘direto para o vídeo’, que nem estréiam no cinema.
Viciou tão rápido que a crítica especializada até já cunhou um termo: ‘torture porn’ (pornografia de tortura).
Agora está para acontecer uma nova ruptura porque Hollywood está até assustada com o caminho que isso está tomando.

E tem os ciclos de remake também, de diretores que refazem filmes antigos com roupagem nova – ‘Madrugada dos Mortos’, ‘O Dia dos Mortos’, ‘A Quadrilha de Sádicos’ (Viagem Maldita).
Os filmes orientais, especialmente os japoneses ganharam muitas refilmagens americanas – The Ring, (O Chamado 1 e 2), The Grudge (O Rancor), O Grito 1 e 2; Espíritos - que é tailandês, bastante assustador – mas nenhuma delas chegou aos pés dos originais.
O único remake que conseguiu superar o original foi o ‘Madrugada dos Mortos’.

E qual o filme que você sentiu mais medo?
O Abismo do Medo (The Descent), do (diretor) Neil Marshall, é o melhor dos últimos dez anos. O mais importante, simples e original. É muito assustador, o roteiro funciona super bem, é uma expedição de mulheres em uma caverna, que desaba, elas ficam presas lá dentro na escuridão, e descobrem uma raça de criaturas mutantes. É tão perturbador que você passa mal no cinema. Tanto susto que se leva, que chega a ficar paranóico.

Você acha que filme de terror apela muito para os efeitos especiais?
Esse dilema não existe. Todo filme de terror tem psicologismos e efeitos, alguns se aprofundam mais.
O Sexto Sentido, Sinais e A Vila, por exemplo, são filmes que não suporto. Têm muita pretensão de ser psicológicos, mas são tão rasos que você não embarca.

E os filmes de terror do Tarantino, qual sua opinião?
O Tarantino é o cara que só foi original em dois filmes: Pulp Fiction e Cães de Aluguel. O próprio Kill Bill e Drinque no Inferno são filmes de homenagem, não são uma voz dele. Ele requentou o que já foi feito nos anos 80, filmes marginais da América Vídeo, com um som e imagens incríveis, é o ‘feio-bonitinho’.

Você acha filme de terror um cinema adolescente, de pipoca?
Assisto a todos com o mesmo respeito. Mas o fato é que ir ao cinema hoje virou uma coisa cara. Virou coisa de Shopping Center. Não posso falar por essa geração de 15-25 anos. Mas no meu tempo, a gente tinha o hábito de ir ao cinema duas ou três vezes por semana porque era mais barato. Tinha aquela coisa de ir à sala escura, com dez pessoas, cultuar o gênero, sair de casa para conhecer. Hoje tem muito preconceito e generalização “É trash” – isso é uma ofensa, demonstra total falta de intimidade com o gênero. Perdeu um pouco o valor de ‘caça ao tesouro’, porque hoje você baixa qualquer filme em 24horas. Antes tinha que ir atrás de literaturas específicas - fanzines de Nova York que demoravam três meses para chegar. Hoje, é muito fácil poder baixar o filme e pausar para pegar sorvete na geladeira.

Que tipo de comportamento apontam os filmes de terror?
No plano do comportamento, vai além de contar histórias assustadoras ou seqüências de violência para provocar uma catarse de sadismo. Existem autores muito experientes, por exemplo, George A. Romero, que, desde 1963 já fez cinco filmes de Zumbi – “Diário dos Mortos”, "Noite dos mortos-vivos", "Madrugada dos Mortos", "Dia dos Mortos" e "Terra dos Mortos". Ele usa o tema para fazer metáforas sobre consumismo, experimentos com a humanidade, críticas a administração Bush… entenda que ele é um senhor de 75 anos e faz uma crítica mordaz à vulgarização da imagem através de câmeras, internet, Youtube…

Hoje no Youtube você pode ver coisas muito mais horrendas. Isso sim que é filme de terror, e pior, valendo.

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29 de junho de 2008

O lado B da vida por John Waters

repique2008 às 12:18

Por Carol Ramos

O Mestre do Trash
Ele é o rei do mau gosto. Daqueles que colocam uma travesti bem gorda e loira numa roupa justa e cheia de fendas. Cultuado por cinéfilos, roqueiros e pela comunidade gay, o diretor John Waters ganhou fama de maldito com um polêmico longa-metragem "Pink Flamingos" (1976), (que atinge seu momento mais bizarro quando a travesti Divine come cocô de cachorro).

Até seus filmes mais comerciais são marcantes. É de John Waters o delicioso "Cry Babe", cujo personagem título, interpretado por Johnny Deep, é um delinqüente apaixonado por uma menina de família. O filme é um clássico rockabbily e tem até o cantor Iggy Pop no papel do tio maluco de Cry Babe.

Isto posto, se você se interessa um pouco pelo lado B da vida, aqui vai uma dica de leitura: em 1986 John Waters publicou "Crackpot – The Obsessions of John Waters" - obra não traduzida para a Língua Portuguesa. Além de uma introdução engraçada, em que conta como conseguiu parar de fumar (ele tem o dom de fazer uma lista com 70 motivos para manter-se longe do cigarro) - e porque voltou a fumar, depois de 8 anos, "Crackpot" contém 14 capítulos sobre os mais variados assuntos, de lugares a pessoas, de filmes B a política.

Um deles é uma espécie de guia sobre a cidade de Los Angeles. Esqueça a Calçada da Fama. John é, sim, louco por celebridades, mas prefere visitar os cemitérios onde estão enterrados os animais de estimação de Ava Garner e Jerry Lewis e as ruas onde crimes famosos aconteceram.

O autor também dedica um capítulo a seu prazer em escrever sobre crimes do ponto de vista fashion – tipo o que tal assassino usou no dia de seu julgamento ou como estava vestido no dia do crime. Seu texto sobre "Como Ser Famoso" é hilário e dentre seus conselhos: “tenha problemas sexuais, seja exagerado, mude-se para a Europa e morra” – as máximas: "Não demore mais do que 5 minutos para escolher uma carreira. Você é barulhento e feio? Vire um rockstar. Sua fama na escola era de notório mentiroso? Tente ser presidente do seu país".

Crackpot – The obsessions of John Waters – Editora Scribner

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28 de junho de 2008

Franceses voltam a dominar a música eletrônica

repique2008 às 10:10

“Vive la France”
A depender da escalação do Festival de Música Avançada, o Sónar, que aconteceu fim de semana passado em Barcelona, a França está com tudo.
Camille, Justice, Miss Kittin, Yelle e também outros ‘experimentadores’ como o crew do selo Ed Banger – com destaque especial para o DJ SebastiAn… DJ Medhi, Cholé e Blackjoy – todos eles puseram a imprensa de joelhos, ferveram palcos e puseram milhares de pessoas para dançar

É a primeira vez na história da música pop que os franceses são considerados dignos de atenção nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha onde, há três décadas, tinha-se o hábito de zombar da falta de “rock attitude” dos “ froggies”.

Para chegar a tanto foi preciso antes passar por uma revolução musical: o nascimento do movimento techno, através de nomes como Saint Germain, Daft Punk, Air, Cassius, Dimitri from Paris, Laurent Garnier, no qual a juventude francesa soube expressar uma singularidade inédita em reação à de seus predecessores, que eram voltados muito mais para uma cópia apagada dos anglo-saxões. Ou presos às tradições das ‘chansons française’.

Hoje, os franceses ousam mixar referências muito diferentes – hip-hop, rythm´n blues, hard-rock, músicas latinas ou pop dos anos 60. E agora, cada álbum eletrônico francês é recebido com fervor na Grã-Bretanha, um país que, devemos lembrar, faz e desfaz as modas desde o início dos anos 90.

Corra atrás:


www.myspace.com/0sebastian0


www.myspace.com/djmehdi


www.myspace.com/blackjoy2000

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27 de junho de 2008

Na Flip, Paraty terá leilão para restaurar cinema

repique2008 às 7:53

Tão cult quanto o Príncipe
Uma das cidades mais cenográficas do Brasil, Paraty tem vida econômica e social o ano inteiro, ritmo caiçara e é muito freqüentada por cidadãos do eixo Rio-SP, turistas de todo o Brasil e também muitos europeus. A cidade erá palco de um novo Festival de Cinema, e para tanto, terá restaurado sua antiga sala em plena Praça da Matriz.

Desativado há cerca de 40 anos, o prédio que um dia abrigou uma sala escura para projeção de filmes será restaurado e voltará à ativa, com programação comercial de cinema e funcionalidade multi-uso - teatro e concertos de música popular e erudita.

Cine Teatro Paraty
Para a realização da reforma e compra de equipamentos, na próxima semana (sábado, 05 de julho), durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, acontecerá um Leilão para arrecadar os fundos entre os freqüentadores da cidade.

O objetivo é leiloar as 99 cadeiras que formam a platéia. Os beneméritos compradores terão seus nomes impressos em uma placa a ser fixada na cabeceira de cada um dos lugares, e posteriormente terão direito a descontos especiais durante as edições do Festival de Cinema de Paraty - já agendado para acontecer entre os dias 08 e12 de outubro desse ano, e outros eventos que acontecerão neste local.

O Repique conversou com a produtora Suzana Villas Boas, realizadora desse projeto em parceria com a Prefeitura da cidade: "Tudo começou por causa do Festival de Cinema – uma idéia de trazer filmes para a população, espalhar Cinema pela cidade através de várias projeções, criar mesas de debates, olhar para o que é novo no cinema – novas mídias, novas linguagens, novos nomes.

Uma coisa está diretamente ligada a outra. Há 40 anos o cinema funcionou nesse mesmo prédio. Acabou e nunca mais."

Charme, simplicidade e comprometimento
"A idéia é poder ver um filme na praça de Paraty em um sábado à noite, comer uma pizza e tomar um sorvete. Uma vida assim… besta", brinca. "Pensamos em um leilão para engajar as pessoas que gostam de cinema e de Paraty. Uma ação sem uso de lei de incentivo, ou dinheiro de marketing. [Queremos] restaurar o prédio, que é tombado, no Centro Histórico, e por dentro colocar estrutura de projeção, som, luz de ponta, cadeiras confortáveis. A cidade vai usar muito.”

Pois que seja a volta de um espaço cineclube. Os amantes de cinema à moda antiga agradecem.

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26 de junho de 2008

Fotógrafo de famosos entrega “mercado dos jabás”

repique2008 às 3:51

Bonito na foto
O Repique foi atrás de saber como os fotógrafos da noite vêem os colunáveis, os high society, as celebridades e subcelebridades que não perdem a pose para uma boa foto em jornais, revistas e sites que cobrem eventos sociais.

Por motivos de força maior, o entrevistado não quis se identificar, tampouco mencionar em que veículo trabalha. De causo em causo revelou um pouco dos bastidores dessas editorias.

Como os fotógrafos vêem as celebridades?
Tem quem é simpático e quem não é. Tipo a Hebe (Camargo) é gente fina. A (Adriane) Galisteu também, você pede para fazer a foto e elas topam numa boa, sorriem.
Tem gente que nem olha na sua cara.
Mas normalmente fazem o mínimo: viram-se e dão um sorriso.

Não necessariamente querem aparecer?
Um ator quando está começando é sempre simpático, primeiro porque são mais inocentes, depois porque precisam aparecer. Quando o cara chega em um ponto tipo Carolina Dieckmann, atriz da Globo, vê que não precisa mais disso, pois fecham contratos independente de saírem nas colunas.

Tem gente muito rica que não quer aparecer com medo de seqüestro.
O João Paulo Diniz, por exemplo, filho do seu ‘Abilhão’ não gosta. Só aparece em evento de dia, maratona, coisas ligadas a esportes.

E tem veículos mais desejados, outros menos, certo?
Colunas de grandes jornais são as mais fortes. Para a Vogue interessa se o cara é importante no circuito da moda. Revista Caras uns gostam outros abominam. Vai da história que a pessoa tem com o veículo, se já brigou ou não. A Malu Mader, por exemplo, não fala como Ego, porque eles lançaram uma história de que ela estaria se separando do marido, (o Titã, Tony Bellotto).

E você faz tudo por uma foto?
Eu sou ‘fotógrafo social’, geralmente sou convidado para os eventos.
Já quem é Paparazzi sim. Um Paparazzi de verdade fica três dias em frente ao hospital esperando o cara sair. Fica até o fim da festa para pegar o cara ‘breaco’… No Rio é mais forte que em São Paulo, por causa da praia, da Globo, sempre tem alguém de plantão.

Em Salvador, uma vez, um fotógrafo de primeira viagem entrou em um hotel para fazer umas fotos da Luma de Oliveira. Os seguranças o pegaram, bateram e deixaram o cara só de cueca em uma estrada. Pegaram equipamento, carteira, celular, ou seja assaltaram o cara. Ele está movendo um processo e pelo que sei vai levar uma bolada.

Mas vamos combinar que é invasivo, né? Os fotógrafos também são indesejados…
Tem festas que entram uns - os dois veículos principais - os outros ficam todos de fora, na porta - faz a foto de todo mundo que entra e vai embora. É ruim porque as fotos saem todas iguais. Acho que se a pessoa não quer fotógrafo, o veículo não tem que mandar a equipe.

A festa da Louis Vuitton que teve há um tempo atrás, eles escolhiam quem entrava ou não na festa. Depende da moral do veículo ou do fotógrafo junto a quem faz o evento.

Você já fez algumas fotos impossíveis?
Uma vez em um casamento da filha de um judeu bilionário, a imprensa estava proibida. Eu estava de preto e todos os fotógrafos oficiais do evento estavam de preto, comecei a conversar com um deles, um amigo meu, e de repente me vi dentro da festa e a noiva foi entrando, pedi para fazer a foto, saí de lá e ‘caraca, fiz a foto da filha do maluco’.

Outra foi naquela época em que o Ronaldinho e o Lula estavam discutindo publicamente. O Lula falando que o Ronaldinho estava meio gordo e o Ronaldinho falando que o Lula bebia demais. Teve uma festa de 50 anos da Associação da Indústria Automobilística, no (clube) Monte Líbano - evento com o Presidente – revistam todos os seus bolsos, você recebe um papel onde pode e onde não pode fotografar. Deixaram a gente em um ‘chiqueirinho’. Do nada enquanto cruzávamos o salão eu saquei uma foto do Lula virando uma taça de champagne. O assessor me catou no ombro, me mandou embora. Mas no dia seguinte a foto saiu bem grande.

Rola briga entre os fotógrafos ou a classe é unida?
No geral, todo mundo se une. Discussão cabulosa e porrada mesmo já vi no pit (arena onde ficam os fotógrafos, em frente a passarela) do SPFW. É perrengue. Credenciam muita gente.

Mas já vi também dos fotógrafos atrapalharem o evento, falarem alto em show, se sobressaírem…
Tem fotógrafo muito mal educado, que é folgado. Fica fazendo piadinha do show, tipo excursão de criança. Ou acha que é amigo, dá beijinho, fica do lado da pessoa, atrapalhando a foto. Se deslumbra. Não entende que as celebridades falam com ele só porque ele é o fotógrafo da balada.

Os editores já que são tão in deviam dar umas aulas de etiqueta…
Tem gente que é demitida por mau comportamento. Já aconteceu.

E o que o povo faz para sair na foto?
Tem gente que manda garrafa de whisky no dia seguinte. Outros ligam para saber por que não saíram.

E como vocês escolhem quem fotografar?
Quem é novo na balada fotografa quem o fotógrafo mais velho também estiver fotografando. Uma vez fiz a foto do pai da minha namorada, de curtição, para dar a foto depois para ele. No dia seguinte saiu em todos os sites.
Às vezes é uma mulher bonita, não é ninguém importante e nem ’significa’ nada, mas deixa a página mais bonita.

Tem uma hierarquia de personalidades importantes?
Depende do veículo. Tem gente que é megalomaníaca, gosta de cobrir tudo. De Henrique Meireles, Grazi Mazafera a Regina Duarte. Pra revista de fofoca, interessa global, o cara não quer saber quem é o dono da Schincariol. Para jornal interessa político, empresário e celebridades.

Rola um certo interesse…
Tem muita pauta paga. Tem editores que são jabazeiros, outros ‘injabazáveis’. Que não aceitam e devolvem todos os jabás, para poder falar o que quiser, quando quiser.
No Natal já vi dois, três carrinhos de supermercado cheios de presentes sendo devolvidos. Garrafas de Möet Chandon de três, quatro litros.
A Maria Rita quando divulgou seu primeiro álbum colocou em um iPod e mandou para os veículos. Como você vai falar mal do disco com um iPod novinho na mão?

(Foto: imagem do filme Janela Indiscreta / Reprodução)

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25 de junho de 2008

Produtor da Céu faz show hoje no Studio SP

repique2008 às 3:54

Por Carol Ramos

Cedo, sentado e excelente: Beto Villares no Studio SP
Quem conseguir vencer o frio e ir para a rua na noite de hoje, que promete ser gelada, tem um motivo para não se arrepender: o produtor musical Beto Villares se apresenta no projeto Cedo e Sentado, no Studio SP.

Currículo recheado em brasilidades - Mais conhecido por seus trabalho com bandas como Pato Fu, Mestre Ambrósio e Zélia Duncan, Beto Villares é dono do selo Ambulante Discos – em parceria com o também produtor musical Antônio Pinto - e responsável, entre outras coisas não menos interessantes, pelo CD de estréia da cantora Céu, Villares tem uma vasta experiência em pesquisa da música brasileira e em trilhas para fimes e minisséries. É dele a direção musical do projeto Música do Brasil, de Hermano Vianna, que percorreu todo o território brasileiro entre 1998 e 1999 e rendeu um livro com três cds.

Beto também fez a trilha dos filmes ‘Cidade Baixa’ e ‘O Ano em que meus Pais saíram de férias, entre outras; e em 2003, ano em que fundou a Ambulante, lancou seu primeiro disco, ‘Excelentes Lugares Bonitos’.
Atualmente, além de estar em fase de produção do segundo disco de Céu, Beto está preparando seu próximo disco. Confira a entrevista que ele deu ao Repique:

O que você tem ouvido ultimamente?
Budos Band, que é muito divertido e bem feito, música jamaicana, dub sempre, coisas mais antigas, como Isley Brothers. Tem um disco deles só de covers de outros artistas, que é excelente. Também ouço Serge Gainsbourg e muitas outras coisas, sempre. Inclusive o que os amigos estão fazendo (Catatau, Instituto, Nação Zumbi).

Qual sua fonte de pesquisa? LastFm, Myspace, comprar discos, viajar?
Todas, o acaso, as pessoas que sempre trazem coisas que eu não conhecia, mas tem época que eu encano em algum compositor, tipo Baden Powell, ou Cartola, e aí, é revirar vinis e cds…

Quais são seus projetos em que você está envolvido agora?
O CD novo da Céu e o meu. Também estou gravando um trabalho de um cara de São Mateus, zona leste de São Paulo, que é muito legal, faz músicas muito boas, num clima meio melancólico com memórias dele.

Houve alguma trilha de filme que você ouviu recentemente e pensou "gostaria de ter feito isso"?
Recentemente não sei, mas tem as históricas, das antigas: "Paris Texas", todas do Bernard Hermann, Nino Rota, Danny Elfman, Curtis Mayfield. Das que eu gostaria de ter feito acho que qualquer uma do Ennio Morricone, daquelas de cowboy. Já valeria uma vida.

Qual sua formação?
Estudei violão clássico, harmonia, um pouco de piano e orquestração. Também tive a sorte de fazer o projeto Música do Brasil, com o antropólogo Hermano Vianna, onde aprendi muita coisa a respeito do nosso país.

Como você descreve seu som, que tem hip hop, bossa nova, tropicalismo…
Eu tento fazer algo simples, mas que sempre desperte interesse, pela força dos ritmos ou melodias, ou dos timbres. São combinações desses parâmetros, mas isso é só definição. A gente gosta de fazer SOM!

E por fim, como vai ser sua apresentação no Cedo e Sentado?
É a quarta formação de banda que faço, desde o lançamento do CD em 2003. Cada vez é diferente, agora serão dois percussionistas que sempre estiveram comigo, o Mestre Nico e Maurício Alves, o Érico Theobaldo (DJ Periférico) na bateria e programações ao vivo, e o Antonio Pinto, meu sócio na Ambulante, no baixo. Pra mim é um momento de fazer tudo diferente do que se faz no estúdio, sem o compromisso da gravação, mais solto e mais bagunçado.

Beto Villares no Cedo e Sentado
Studio SP - Rua Augusta, 591
Horário: 21hs
Grátis

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24 de junho de 2008

Amy Winehouse tem mais 14 anos viva, diz revista

repique2008 às 4:56

Liga o alarme
Um estudo mórbido feito por um professor inglês, Mark Bellis, previu vida curta para as estrelas rock. Os músicos têm a tendência para morrer cedo em função do ‘consumo desregrado de drogas e o abuso no álcool’ - a causa mortis de um terço das certidões de óbito.
De acordo com este estudo, a esperança média de vida de um músico dado às tentações e ferveções é – espante-se – 35 anos menor do que a de um mortal ocidental comum (que não seja dado as mesmas perversões e estilo de vido, claro).

O estudo já abrevia qualquer perspectiva de longevidade à bem sucedidos vocalistas, guitarristas, baixistas e bateristas quando avisa que o ‘simples fato de fazer parte de uma banda de sucesso já implica em um ‘desconto’ de tempo por causa de stress e viagens pelo mundo - o jet lag altera, drasticamente, os padrões de sono dos nossos ídolos.

"Alarmadas", as revistas de música repercutem o assunto
Na linha de tão ‘profético’ estudo, o semanário inglês, NME (New Musical Express) prevê que os drogaditos confessos - público e notório, Pete Doherty não passe dos 34 anos; Beth Ditto (da banda The Gossip) e Amy Winehouse despeçam-se deste mundo aos 39.

E outra apuração igualmente surpreendente foi feita pela revista portuguesa BLITZ: se não tivesse sido assassinado em 1980, John Lennon levaria uma vida santa até 2029.

Desliga o alarme
Não obstante, e para o alívio geral da nação, desmentindo esse tal professor, ficamos por aqui com Keith Richards, dos Rolling Stones, que pelo visto, tem sete vidas de gato. Ou é feito de titânio – afinal, por esse estudo, e pela previsão mais otimista, não teria passado de 1977.

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23 de junho de 2008

Ganhador do “Nobel de Arquitetura” faz museu no ES

repique2008 às 5:04

Natural de Vitória, Espírito Santo, o arquiteto modernista Paulo Mendes da Rocha, reconhecido internacionalmente e premiado com um prêmio Pritzker em 2006 - o Nobel da Arquitetura, volta as suas origens e entrega o projeto de um museu para a Baía de Vitória.

O próprio Museu será uma obra de arte exposta
Serão dois grandes prédios suspensos, onde funcionarão o museu e um grande teatro, com capacidade para 1.500 pessoas e 50 metros de extensão, o que equivale ao tamanho de um navio que passa por ali’, disse Paulo Mendes da Rocha. Ao todo 20 mil metros quadrados de área construída.

‘O projeto foi construído para ser lindo. Simplesmente isso’
Nas palavras do arquiteto e ensaísta Guilherme Wisnik (exclusivo para o Repique): "O monumental confronto entre natureza e construção, neste lugar, sugere os edifícios suspensos no ar, com visuais livres e desimpedidos para a paisagem e o espetáculo dos trabalhos no mar, numa visão museológica que procura associar arte e ciência. No Teatro, o solo impróprio para construções abaixo do nível da água exige que se eleve os pisos de palco e platéia, de modo a se adotar os embasamentos e maquinários de apoio. A grande esplanada, entre a avenida e a muralha do cais, estará livre e destinada ao uso público: espetáculos, cafés, livrarias, exposições ao ar livre etc.

Com amplas aberturas para o chão da praça, o Museu terá uma luminosidade indireta, refletida. Sua orientação excepcional, permite que a circulação entre as áreas expositivas se faça pelo lado externo
sul do edifício, através de rampas cristalinas com visão para o mar, os navios e as montanhas de Vila Velha. Completa o conjunto, uma torre anexa com as instalações de técnicas e de apoio, como sanitários, oficinas, depósito de acervo, máquinas de climatização e reservatórios na cobertura."

Cravado na baía de Vitória, o novo museu ainda não tem acervo de obras para abrigar. A idéia foi começar pela criação de um espaço e aos poucos preenchê-lo. Já existe esforço do governo estadual e municipal, bem como iniciativa privada, de investir em obras e exposições para formar acervo de Arte Contemporânea.

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22 de junho de 2008

Direto do Sónar, Barcelona. Noite 2.

repique2008 às 7:50

Tratado da Noite

Sónar Noite, 21 de junho
Kittin is high. Yazoo, Neon Neon. Vamos direto ao ponto: a segunda noite de Sónar embalou de vez com Miss Kittin cantante de joelhos até na mesa das pick ups. Cantou todos os seus clássicos, em retrospectiva? Não sei. O fato é que a moça já é praticamente residente do Sónar, desde a primeira vez que tocou, substituindo algum DJ que cabulou de última hora. Negociou com a condição de que tocasse no ano seguinte, escalada oficialmente. Nunca mais parou. Belo agente.

Palmas para o artístico. Saí desse palco em direção ao Bonde do Rolê – o trio agora quarteto.
Acredite, passei pelos 4 palcos, os 4 estavam incríveis. Bombando som bom. Dava vontade de ficar em cada um deles e todos. Não tem barriga. Quem faz a direção artística do Sónar realmente merece aplauso. O destino de muita gente está nessa pessoa confiado naquele fim de semana. Gente que voou de longe para estar ali.

De primeira não tinha entendido como o Bonde substituiria uma das headliners, a M.I.A. – que cancelou todas as suas participações em shows, junho e julho, de stress. A escolha fora alinhada pelo “batidão do gueto” – black, terceiro mundo, outsiders. Buraka Som Sistema. Kuduro. Angola-Lisboeta.

“Vamos derrubar o Sónar”. O Bonde toca o p. literalmente. Cantam, ou gritam, letras que rimam com “Tieta”… a amiga fica de quatro no palco, o amigo vem e encoxa. É uma zona. O melhor: quem está ali sabe as letras, pula junto, maior sucesso. Quartinho de bagunça.

Palco SonarClub. Soulwax, de gala, baterista e vocalista especialmente possuídos. Remixes com banda tocando ao vivo. Espaço X massa de som = quando a música e a geometria se encontram.

Palco SonarPark. De volta à música do gueto: DJ Mehdy (França) vs A-Trak feat. Kid Sister (EUA). Isto é, DJ francês com ascendência árabe em companhia de mais dois caras de hip hop, house Chicago. Foi animal. Discolândia generalizada. Queria sair para ver o resto, não conseguia.

No caminho, SonarLab – noitada house de Ibiza. Cinco minutos de atenção e já ficava presa ali também. É muita música boa ao mesmo tempo, aqui, agora.

Palco SonarPub, aquele a céu aberto, com esquadraria (do selo francês) Ed Banger. Consegui pegar o Sebastian. O cara não para de fumar, com toda calma do mundo. Cara de galã. Prendendo e soltando as válvulas do som. ‘Radio against the Machine’, ‘The Gossip’… O maximal francês está com tudo. Electro-rock em outro nível. A cena era maior do que imaginava. Botou muuuuuita gente pra dançar. French kisses.
Na sequência entrou Ricardo Villalobos. Techno-house-minimal. Chiquérrimo. Só um detalhe, capítulo à parte: a cena techno em Berlin volta muito sofisticada com batidas, timbres e layers muito mais suaves. Bem longe do 4 x 4, lenha, cabeçuda. Essa vertente estava nessa noite representada em outro palco, Techno Detroit, com Jeff Mills revivendo o projeto “ X-102 discovers The Rings of Saturn”, de quinze anos atrás.

E assim foi. Imaginava que podia ser bom. Mas não tanto.
"Part of the weekend never dies".

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21 de junho de 2008

Festival Sónar tem DJ’s “saindo pelas tampas”

repique2008 às 11:47

Notas sobre o Festival de Música e Arte Multimídia – o Sónar de Barcelona, 2008.

Cuanto Vale? Vale Todo.
Céu azul na cidade. Verão já começa bombando. Já se passaram 36 horas de Sónar. Mais de 150 atrações ao todo. Esse aneo a edição enfoca o “fator feminino” e o “hibridismo de gêneros” – a música de dançar em todos os seus gêneros e subgêneros, sem fronteiras e raízes: techno-house-electro-disco-punk-hiphop e ‘otras coisitas más’, formando um só caldo.

Sónar Dia, 19 de junho
Reconhecimento de campo. O festival ocupa o espaço do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, no bairro El Raval. Planta, infraestrutura, circulação, cinema, exposição, interatividade, arte multimídia, 4 palcos de música – entre eles o Sónar Complex – Beeeem complexo mesmo. Música cabeçuda. Super experimental. Outra modulacão de frequência.
O que há de mais interessante?, certamente as pessoas.
Umas 8mil. Babilônico. Todos unidos pelas afinidades: música, experimentalismo, atitude, vanguarda.
Desejo e busca pelo novo. Wireless. Descarga de informação no ar, prontas para serem recebidas por todos os poros, sensores e neurônios.

Milhares de cartazes no entorno do evento. A programação Off Sónar em si já rende um festival à parte: Etienne de Crécy, Calvin Harris, Digitalism, Sven Vath, Michael Mayer. Tem para todos os gostos. Como diz meu anfitrião, Daniel Setti, “tem DJ saindo pelas tampas”.

Sónar Dia, 20 de junho
Sonar Hall – curadoria L Word - 2Girls in a date.
A mais interessante foi ‘Tender Forever’ (US), com certeza da Costa Oeste. Uma espécie de Miranda July cantando sobre bases eletrônicas pré-programadas, interagindo com amigos e músicos via telão.

Sónar Village – o mais badalado: Kalabrese e a Rumpelorchestra.
Banda house-disco-funk. O Léo Madeira (MTV) já havia comentado, lembrei disso e na mesma hora dou de cara com ele por ali. Os festeiros do Brasil vão se trombando – Claudia Assef, Facundo Guerra, Boffa… A turma vai se formando.
Em conversa com o Facundo, um dos donos do Vegas, já fico sabendo que o clube fecha até o fim do ano. “Já deu”, sabe assim? Vai abrir outro, o PAN Am, no Centro. Muito à frente esse moço, ajudou a repovoar a R. Augusta, agora saturada. Está saindo na hora certa.

Sónar Noite, 20 de junho
A balada é em outro canto da cidade. Fora de Barcelona aliás.
Descompressão geral. Meu roteiro:
BC vs JC feat. Darren Emerson (palco SonarPark)
O ‘enfant terrible’ do jazz pop contemporâneo, Jamie Cullum improvisa jazz acompanhado de guitarra, bateria e bases eletrônicas de Darren Emerson, um dos ‘caras’ do Underworld. Improvisação e tributo à música para dançar. House. Pista e sala de estar.

Ewan Person DJ set (palco SonarPark)
Electro-house-techno-disco. Música de textura. Muito dançante. Aqui já fico sabendo que ele vai para o Brasil para a festa de 3 anos do Vegas. Ewan Person, Glass Candy e James Murphy + Pat Mahoney Disco DJ set.
Djesusssss.

Justice – os justiceiros do julgamento final. (palco SonarClub)
Desconstrução total de suas músicas. Distorções. Som porrada. Linha de baixo –cruzado-jab-nocaute, batidas densas e precisas.

Róisín Murphy e banda + backing vocals. (palco SonarPark)
Estilosérrima. Performática. Fashion. Melodias, voz. Overpowered. Super gay. O palco segue Disco.

Hercules & Love Affair (palco Sonarpark)
Banda, metais, sem o Anthony, Disco Glam. Um travesti e um ser andrógino cantando sobre as bases de Andrew Butler. Dancei solta. “Because I feel Blind”.

Erol Alkan – (palco SonarClub) substituído de última hora pelos 2Many DJs. Not bad at all.

E paralelo a eses palcos Disco, New Rave/Maximalistas, rolava o palco SonarPub, à céu aberto, ponto de encontro de todos os bicudos da festa. Richie Hawtin comanda os 10 anos do selo Minus, com mais de seis horas de improvisação techno, Berlin rolando solto. Pro dia nascer feliz. Peguei o canadense Marc Houle e os americanos Gaiser. Tesão.

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