Festival Sónar tem DJ’s “saindo pelas tampas”
Notas sobre o Festival de Música e Arte Multimídia – o Sónar de Barcelona, 2008.
Cuanto Vale? Vale Todo.
Céu azul na cidade. Verão já começa bombando. Já se passaram 36 horas de Sónar. Mais de 150 atrações ao todo. Esse aneo a edição enfoca o “fator feminino” e o “hibridismo de gêneros” – a música de dançar em todos os seus gêneros e subgêneros, sem fronteiras e raízes: techno-house-electro-disco-punk-hiphop e ‘otras coisitas más’, formando um só caldo.
Sónar Dia, 19 de junho
Reconhecimento de campo. O festival ocupa o espaço do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, no bairro El Raval. Planta, infraestrutura, circulação, cinema, exposição, interatividade, arte multimídia, 4 palcos de música – entre eles o Sónar Complex – Beeeem complexo mesmo. Música cabeçuda. Super experimental. Outra modulacão de frequência.
O que há de mais interessante?, certamente as pessoas.
Umas 8mil. Babilônico. Todos unidos pelas afinidades: música, experimentalismo, atitude, vanguarda.
Desejo e busca pelo novo. Wireless. Descarga de informação no ar, prontas para serem recebidas por todos os poros, sensores e neurônios.
Milhares de cartazes no entorno do evento. A programação Off Sónar em si já rende um festival à parte: Etienne de Crécy, Calvin Harris, Digitalism, Sven Vath, Michael Mayer. Tem para todos os gostos. Como diz meu anfitrião, Daniel Setti, “tem DJ saindo pelas tampas”.
Sónar Dia, 20 de junho
Sonar Hall – curadoria L Word - 2Girls in a date.
A mais interessante foi ‘Tender Forever’ (US), com certeza da Costa Oeste. Uma espécie de Miranda July cantando sobre bases eletrônicas pré-programadas, interagindo com amigos e músicos via telão.
Sónar Village – o mais badalado: Kalabrese e a Rumpelorchestra.
Banda house-disco-funk. O Léo Madeira (MTV) já havia comentado, lembrei disso e na mesma hora dou de cara com ele por ali. Os festeiros do Brasil vão se trombando – Claudia Assef, Facundo Guerra, Boffa… A turma vai se formando.
Em conversa com o Facundo, um dos donos do Vegas, já fico sabendo que o clube fecha até o fim do ano. “Já deu”, sabe assim? Vai abrir outro, o PAN Am, no Centro. Muito à frente esse moço, ajudou a repovoar a R. Augusta, agora saturada. Está saindo na hora certa.
Sónar Noite, 20 de junho
A balada é em outro canto da cidade. Fora de Barcelona aliás.
Descompressão geral. Meu roteiro:
BC vs JC feat. Darren Emerson (palco SonarPark)
O ‘enfant terrible’ do jazz pop contemporâneo, Jamie Cullum improvisa jazz acompanhado de guitarra, bateria e bases eletrônicas de Darren Emerson, um dos ‘caras’ do Underworld. Improvisação e tributo à música para dançar. House. Pista e sala de estar.
Ewan Person DJ set (palco SonarPark)
Electro-house-techno-disco. Música de textura. Muito dançante. Aqui já fico sabendo que ele vai para o Brasil para a festa de 3 anos do Vegas. Ewan Person, Glass Candy e James Murphy + Pat Mahoney Disco DJ set.
Djesusssss.
Justice – os justiceiros do julgamento final. (palco SonarClub)
Desconstrução total de suas músicas. Distorções. Som porrada. Linha de baixo –cruzado-jab-nocaute, batidas densas e precisas.
Róisín Murphy e banda + backing vocals. (palco SonarPark)
Estilosérrima. Performática. Fashion. Melodias, voz. Overpowered. Super gay. O palco segue Disco.
Hercules & Love Affair (palco Sonarpark)
Banda, metais, sem o Anthony, Disco Glam. Um travesti e um ser andrógino cantando sobre as bases de Andrew Butler. Dancei solta. “Because I feel Blind”.
Erol Alkan – (palco SonarClub) substituído de última hora pelos 2Many DJs. Not bad at all.
E paralelo a eses palcos Disco, New Rave/Maximalistas, rolava o palco SonarPub, à céu aberto, ponto de encontro de todos os bicudos da festa. Richie Hawtin comanda os 10 anos do selo Minus, com mais de seis horas de improvisação techno, Berlin rolando solto. Pro dia nascer feliz. Peguei o canadense Marc Houle e os americanos Gaiser. Tesão.