Terra Magazine

22 de junho de 2008

Direto do Sónar, Barcelona. Noite 2.

repique2008 às 7:50

Tratado da Noite

Sónar Noite, 21 de junho
Kittin is high. Yazoo, Neon Neon. Vamos direto ao ponto: a segunda noite de Sónar embalou de vez com Miss Kittin cantante de joelhos até na mesa das pick ups. Cantou todos os seus clássicos, em retrospectiva? Não sei. O fato é que a moça já é praticamente residente do Sónar, desde a primeira vez que tocou, substituindo algum DJ que cabulou de última hora. Negociou com a condição de que tocasse no ano seguinte, escalada oficialmente. Nunca mais parou. Belo agente.

Palmas para o artístico. Saí desse palco em direção ao Bonde do Rolê – o trio agora quarteto.
Acredite, passei pelos 4 palcos, os 4 estavam incríveis. Bombando som bom. Dava vontade de ficar em cada um deles e todos. Não tem barriga. Quem faz a direção artística do Sónar realmente merece aplauso. O destino de muita gente está nessa pessoa confiado naquele fim de semana. Gente que voou de longe para estar ali.

De primeira não tinha entendido como o Bonde substituiria uma das headliners, a M.I.A. – que cancelou todas as suas participações em shows, junho e julho, de stress. A escolha fora alinhada pelo “batidão do gueto” – black, terceiro mundo, outsiders. Buraka Som Sistema. Kuduro. Angola-Lisboeta.

“Vamos derrubar o Sónar”. O Bonde toca o p. literalmente. Cantam, ou gritam, letras que rimam com “Tieta”… a amiga fica de quatro no palco, o amigo vem e encoxa. É uma zona. O melhor: quem está ali sabe as letras, pula junto, maior sucesso. Quartinho de bagunça.

Palco SonarClub. Soulwax, de gala, baterista e vocalista especialmente possuídos. Remixes com banda tocando ao vivo. Espaço X massa de som = quando a música e a geometria se encontram.

Palco SonarPark. De volta à música do gueto: DJ Mehdy (França) vs A-Trak feat. Kid Sister (EUA). Isto é, DJ francês com ascendência árabe em companhia de mais dois caras de hip hop, house Chicago. Foi animal. Discolândia generalizada. Queria sair para ver o resto, não conseguia.

No caminho, SonarLab – noitada house de Ibiza. Cinco minutos de atenção e já ficava presa ali também. É muita música boa ao mesmo tempo, aqui, agora.

Palco SonarPub, aquele a céu aberto, com esquadraria (do selo francês) Ed Banger. Consegui pegar o Sebastian. O cara não para de fumar, com toda calma do mundo. Cara de galã. Prendendo e soltando as válvulas do som. ‘Radio against the Machine’, ‘The Gossip’… O maximal francês está com tudo. Electro-rock em outro nível. A cena era maior do que imaginava. Botou muuuuuita gente pra dançar. French kisses.
Na sequência entrou Ricardo Villalobos. Techno-house-minimal. Chiquérrimo. Só um detalhe, capítulo à parte: a cena techno em Berlin volta muito sofisticada com batidas, timbres e layers muito mais suaves. Bem longe do 4 x 4, lenha, cabeçuda. Essa vertente estava nessa noite representada em outro palco, Techno Detroit, com Jeff Mills revivendo o projeto “ X-102 discovers The Rings of Saturn”, de quinze anos atrás.

E assim foi. Imaginava que podia ser bom. Mas não tanto.
"Part of the weekend never dies".

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