Terra Magazine

26 de junho de 2008

Fotógrafo de famosos entrega “mercado dos jabás”

repique2008 às 3:51

Bonito na foto
O Repique foi atrás de saber como os fotógrafos da noite vêem os colunáveis, os high society, as celebridades e subcelebridades que não perdem a pose para uma boa foto em jornais, revistas e sites que cobrem eventos sociais.

Por motivos de força maior, o entrevistado não quis se identificar, tampouco mencionar em que veículo trabalha. De causo em causo revelou um pouco dos bastidores dessas editorias.

Como os fotógrafos vêem as celebridades?
Tem quem é simpático e quem não é. Tipo a Hebe (Camargo) é gente fina. A (Adriane) Galisteu também, você pede para fazer a foto e elas topam numa boa, sorriem.
Tem gente que nem olha na sua cara.
Mas normalmente fazem o mínimo: viram-se e dão um sorriso.

Não necessariamente querem aparecer?
Um ator quando está começando é sempre simpático, primeiro porque são mais inocentes, depois porque precisam aparecer. Quando o cara chega em um ponto tipo Carolina Dieckmann, atriz da Globo, vê que não precisa mais disso, pois fecham contratos independente de saírem nas colunas.

Tem gente muito rica que não quer aparecer com medo de seqüestro.
O João Paulo Diniz, por exemplo, filho do seu ‘Abilhão’ não gosta. Só aparece em evento de dia, maratona, coisas ligadas a esportes.

E tem veículos mais desejados, outros menos, certo?
Colunas de grandes jornais são as mais fortes. Para a Vogue interessa se o cara é importante no circuito da moda. Revista Caras uns gostam outros abominam. Vai da história que a pessoa tem com o veículo, se já brigou ou não. A Malu Mader, por exemplo, não fala como Ego, porque eles lançaram uma história de que ela estaria se separando do marido, (o Titã, Tony Bellotto).

E você faz tudo por uma foto?
Eu sou ‘fotógrafo social’, geralmente sou convidado para os eventos.
Já quem é Paparazzi sim. Um Paparazzi de verdade fica três dias em frente ao hospital esperando o cara sair. Fica até o fim da festa para pegar o cara ‘breaco’… No Rio é mais forte que em São Paulo, por causa da praia, da Globo, sempre tem alguém de plantão.

Em Salvador, uma vez, um fotógrafo de primeira viagem entrou em um hotel para fazer umas fotos da Luma de Oliveira. Os seguranças o pegaram, bateram e deixaram o cara só de cueca em uma estrada. Pegaram equipamento, carteira, celular, ou seja assaltaram o cara. Ele está movendo um processo e pelo que sei vai levar uma bolada.

Mas vamos combinar que é invasivo, né? Os fotógrafos também são indesejados…
Tem festas que entram uns - os dois veículos principais - os outros ficam todos de fora, na porta - faz a foto de todo mundo que entra e vai embora. É ruim porque as fotos saem todas iguais. Acho que se a pessoa não quer fotógrafo, o veículo não tem que mandar a equipe.

A festa da Louis Vuitton que teve há um tempo atrás, eles escolhiam quem entrava ou não na festa. Depende da moral do veículo ou do fotógrafo junto a quem faz o evento.

Você já fez algumas fotos impossíveis?
Uma vez em um casamento da filha de um judeu bilionário, a imprensa estava proibida. Eu estava de preto e todos os fotógrafos oficiais do evento estavam de preto, comecei a conversar com um deles, um amigo meu, e de repente me vi dentro da festa e a noiva foi entrando, pedi para fazer a foto, saí de lá e ‘caraca, fiz a foto da filha do maluco’.

Outra foi naquela época em que o Ronaldinho e o Lula estavam discutindo publicamente. O Lula falando que o Ronaldinho estava meio gordo e o Ronaldinho falando que o Lula bebia demais. Teve uma festa de 50 anos da Associação da Indústria Automobilística, no (clube) Monte Líbano - evento com o Presidente – revistam todos os seus bolsos, você recebe um papel onde pode e onde não pode fotografar. Deixaram a gente em um ‘chiqueirinho’. Do nada enquanto cruzávamos o salão eu saquei uma foto do Lula virando uma taça de champagne. O assessor me catou no ombro, me mandou embora. Mas no dia seguinte a foto saiu bem grande.

Rola briga entre os fotógrafos ou a classe é unida?
No geral, todo mundo se une. Discussão cabulosa e porrada mesmo já vi no pit (arena onde ficam os fotógrafos, em frente a passarela) do SPFW. É perrengue. Credenciam muita gente.

Mas já vi também dos fotógrafos atrapalharem o evento, falarem alto em show, se sobressaírem…
Tem fotógrafo muito mal educado, que é folgado. Fica fazendo piadinha do show, tipo excursão de criança. Ou acha que é amigo, dá beijinho, fica do lado da pessoa, atrapalhando a foto. Se deslumbra. Não entende que as celebridades falam com ele só porque ele é o fotógrafo da balada.

Os editores já que são tão in deviam dar umas aulas de etiqueta…
Tem gente que é demitida por mau comportamento. Já aconteceu.

E o que o povo faz para sair na foto?
Tem gente que manda garrafa de whisky no dia seguinte. Outros ligam para saber por que não saíram.

E como vocês escolhem quem fotografar?
Quem é novo na balada fotografa quem o fotógrafo mais velho também estiver fotografando. Uma vez fiz a foto do pai da minha namorada, de curtição, para dar a foto depois para ele. No dia seguinte saiu em todos os sites.
Às vezes é uma mulher bonita, não é ninguém importante e nem ’significa’ nada, mas deixa a página mais bonita.

Tem uma hierarquia de personalidades importantes?
Depende do veículo. Tem gente que é megalomaníaca, gosta de cobrir tudo. De Henrique Meireles, Grazi Mazafera a Regina Duarte. Pra revista de fofoca, interessa global, o cara não quer saber quem é o dono da Schincariol. Para jornal interessa político, empresário e celebridades.

Rola um certo interesse…
Tem muita pauta paga. Tem editores que são jabazeiros, outros ‘injabazáveis’. Que não aceitam e devolvem todos os jabás, para poder falar o que quiser, quando quiser.
No Natal já vi dois, três carrinhos de supermercado cheios de presentes sendo devolvidos. Garrafas de Möet Chandon de três, quatro litros.
A Maria Rita quando divulgou seu primeiro álbum colocou em um iPod e mandou para os veículos. Como você vai falar mal do disco com um iPod novinho na mão?

(Foto: imagem do filme Janela Indiscreta / Reprodução)

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4 Comentários »

  1. Otimo blog ! :)
    Visitem tbm: http://blogdeesquina.wordpress.com

    Abracos

    Comentário por Renatao — 26 de junho de 2008 @ 13:08

  2. todo fotografo e fresco

    Comentário por paulo v. araujo — 26 de junho de 2008 @ 14:11

  3. “Como você vai falar mal do disco com um iPod novinho na mão?”.

    Dã. Retardado. Um i-Pod não é automaticamente comprometimento para falar bem - só entende assim quem quer se vender mesmo. Eu posso muito bem pegar o i-Pod da Maria Rita e esculachar ela na crítica do seu disco - o máximo que vai acontecer é ela nunca mais me mandar jabá. E duvido ela (ou o agente responsável pelo jabá) ter a coragem de espalhar um “vê só, mandei um i-Pod pra ele e ele me esculhambou”.

    Comentário por Fabrício — 26 de junho de 2008 @ 14:13

  4. puta entrevista legal, o cara dá toda a cena do que rola nesse universinho chamado mídia e nego só consegue falar “fotógrafo é fresco”. E o outro nem entende o contexto do que oca ra falou sobre o ipod. e ainda se acha no direito de chamar os outros de retardado. Não consegue nem interprentar o que lê, mas acredita que pode dizer como o mundo é ou não é.

    ACORDEM!!!

    Comentário por José — 26 de junho de 2008 @ 14:36

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