Terra Magazine

31 de julho de 2008

Possolo: “maior problema do mundo é a hipocrisia”

repique2008 às 9:16

Em cartaz em São Paulo com um espetáculo de circo e outro, um drama "bem pesadão", o palhaço, ator e diretor Hugo Possolo, dos Parlapatões, conversa com o Repique e, entre outras coisas, tenta explicar se o Brasil é mesmo um circo.

Você que trabalha com circo, e leva isso super a sério, sabe dizer por que quando a situação baixa o nível, todo mundo fala "isso aqui está um circo"?
O circo ou o palhaço lida com o que é baixo, trata de assuntos grotescos. Eu não me importo que haja bagunça. Agora na vida real está faltando uma bagunça transformadora. O maior problema do mundo é a hipocrisia e aqui no Brasil tem um exemplo típico de um partido que até chegar ao poder combatia a corrupção e agora se vê embrulhado em corrupção. Realmente tem que pensar, porque a falta de seriedade não ajuda em nada. Precisamos de alegria transformadora.

Quer contar um pouco sobre o espetáculo de circo em cartaz, o Oceano?
É o segundo espetáculo do Circo Roda Brasil. O primeiro foi o ‘Stapafurdyo’ que ficou dois anos em cartaz. Para fazer o ‘Oceano’ a gente resolveu partir para uma coisa mais temática - antes era mais tradicional, número depois de número, e em Oceano criamos um tema e uma narrativa alinhando.
Elegemos o mar, o fundo do mar visto de dentro, e o pretexto para isso acontecer é a história de um menino que é engolido pelo ralo de sua banheira e enfrenta uma série de coisas fantásticas e depois volta - como uma Alice no País das Maravilhas, simbolizando o rito de passagem da infância para adolescência.

O espetáculo tem linguagem circense e trilha sonora mais rock - chamei o Branco Mello dos Titãs para fazer, e números super radicais, como patins em half, saltos mortais com pernas de pau com molas – que é uma novidade, não tinha no Brasil até então.

E sobre o outro espetáculo em que vocês estão em cartaz, é dramático, não?
Sim. ‘A vaca de nariz sutil’. É o primeiro drama dos Parlapatões. Depois de 17 anos resolvemos montar uma peça sem humor nenhum. Você pode até suspirar de alguma ironia, mas é bem pesadona. É uma adaptação de um texto do mineiro Campos de Carvalho que conta a história de um combatente da 2ª Guerra que volta meio louco e se apaixona por uma adolescente com problemas mentais.
Então é a loucura dele e a loucura dela pondo em choque toda a moral da cidade em que vivem.

E por que vocês resolveram montar um drama?
Porque dizia algumas coisas que a gente queria dizer e não estava dizendo nas outras peças.

Como o quê, por exemplo?
A forma hipócrita como as pessoas encaram a própria sexualidade. Porque no humor esse assunto tende a ser machista ou forçado, então para falar com propriedade precisa de profundidade.

Você enxerga o poder de transformação do circo tanto quanto do teatro.
O circo é a possibilidade do sonho e da alegria, do homem se aventurando. Tem gente que parece que não sente. Esses são o arauto do problema.
Quando você sai do circo ou do teatro pensando o mínimo que seja, isso já é melhor do que uma pessoa que não vai ao teatro e está muito mais sujeita a comunicação de massa. Só de ensaiar uma situação na sua cabeça. Claro que o teatro não é revolucionário, essa pessoa não vai sair de lá mudando o mundo, mas sua qualidade de pensamento será melhor porque o teatro ajuda a sensibilizar. O artista tem o espírito transformador, sente inquietação, não está satisfeito.
Em um teatro conformista você sai cada vez mais de cabeça baixa, achando que tudo está certinho.

Que autor você acha que espelha bem o Brasil nesse sentido?
O cara que melhor espelha o Brasil na minha opinião é o escritor Plínio Marcos, que por mais complicado que seja, que por mais pesado que sejam seus textos e seu retrato da nossa sociedade ele sempre finaliza deixando uma ponta de esperança, deixa você acreditando que o mundo pode ser melhor. Bem diferente do mala do Nelson Rodrigues, que, claro é um ícone, mas é um cara que fecha todas as portas. O Plínio Marcos é mais brasileiro nesse sentido, da possibilidade de mudança e da transformação. Porque, sem dúvida, o Brasil hoje é bem melhor do que há 40 anos.

O circo não poderia atingir mais gente?
Se você juntar todos os espetáculos de circo no Brasil, de médios e grandes portes, vai ver que o circo atinge um público maior do que o do cinema nacional.
O que falta é prestígio. Não tem valorização nem visibilidade, os próprios donos, atores não têm uma visão de espetáculo, não tem visão estética do circo. Tem um circo em Santa Catarina que copia os figurinos e trilhas do Cirque du Soleil e acha que está uma maravilha. Dá até uma tristeza - sem querer desmerecer o modelo de fora, mas precisa criar um modelo próprio. É isso que estamos tentando mudar, a cara do circo nacional.

Serviço:
CIRCO RODA BRASIL – "OCEANO"
Memorial da América Latina (Portão 04)
Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664.
de quinta a domingo, R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia)

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30 de julho de 2008

Madlib lança álbum com ‘levada brasileira’

repique2008 às 8:53

Brasileiro participa do álbum ‘Sujinho’, o mais novo rebento do produtor Madlib

por Carol Ramos

Se dependesse de Madlib (Otis Jackson Jr), seu encontro com Ivan Conti, o Mamão - baterista do trio carioca Azymuth (e parceiro de sessões com Roberto Carlos, Marcos Valle, Maria Bethania, Chico Buarque, Gal Costa, entre outros), já teria acontecido há muito tempo.
Do alto de sua intensa pesquisa de música brasileira, o DJ-produtor e MC norte-americano - um dos nomes mais idolatrados do hip hop da atualidade - já era fã desta sensacional banda dos anos 70, que naquele tempo fazia um som conhecido como “samba/funk”.

Madlib até já tinha gravado um CD de covers do Azymuth, que mostrou para alguns amigos. E quando veio para o Brasil - com os fotógrafos e sócios da produtora Mochilla, B+ e Eric Coleman, conheceu Mamão e acabou convivendo com ele durante as filmagens e a posterior turnê de divulgação do Braziliantime - Batucada com Discos, o documentário que mostra o encontro e jams entre DJs e produtores de hip hop e bateristas brasileiros como Wilson das Neves, João Parahyba e Mamão - figuras clássicas e responsáveis pelas músicas que inspiraram os gêneros samba, o funk e o jazz em sua fusão mais completa.

Num desses encontros, em 2006, aconteceu a gravação do que mais tarde viraria o disco ‘Sujinho‘, o álbum duplo com dezoito petardos ‘jazz desconstruído, com influências de funk e psicodelia’ de ‘Jackson Conti’ – (o enésimo alter-ego de Madlib, soma dos sobrenomes de Otis Jackson Jr. e Ivan Conti), uma excelente seleção de músicas brasileiras dos anos 60 e 70 - Luiz Eça, Chico Buarque, João Donato, Marcos Valle, Baden e Vinícius, Dom Um Romão, Airto Moreira e, claro, Azymuth - com arranjos e mixagem de Ivan Conti (Mamão) e Otis Jackson (Madlib), respectivamente.
Brasil vintage
A sonoridade 70 é clara e há cinco músicas oriundas da parceria - "Praça da República", "São Paulo Nights", "Amazon Stroll", "Sunset at Sujinho" e "Segura esta Onda", considerada o real tributo ao Azymuth.
A cantora Thalma de Freitas faz uma participação em "Upa Neguinho" e há divertidas conversas entre algumas músicas, como Mamão falando "This one is very crazy".

Em tempo: o nome "Sujinho" é uma possível referência ao tradicionalíssimo restaurante paulistano.
Recomendadíssimo. Para uma prévia: www.myspace.com/jacksonconti

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29 de julho de 2008

Madrugada de terça: encontro de poetas no Rio

repique2008 às 9:15

“Eu quero fazer poesia. Quero uma experiência diferente.”
Para quem só sabe declamar seu número de CPF, saiba que no Rio de Janeiro existem grupos e mais grupos e coletivos e pessoas que passam as madrugadas de terça-feira na livraria Letras e Expressões, no Leblon, declamando poesia. É o Corujão da Madrugada, regido pela batuta de João Luiz de Souza, com quem o Repique foi falar para saber mais.

Luiz, conta um pouco do Corujão da Madrugada.
O Corujão é uma oficina de experimentação e de formação do prazer da leitura, no espírito de comunhão de nossas origens portuguesa, indígena, africana, em que as pessoas se sentam para ouvir histórias, e transmitir cultura oral. É um espaço que dá o pulso do que as pessoas estão lendo e escrevendo. É revezamento a noite inteira.

Quais são os grupos mais representativos?
Os Voluntários da Pátria, Ratos de Versos e Revista Confraria do Vento.

Como começou?
O Corujão tem um histórico que é o inverso de tudo o que acontece. A gente começou em São Gonçalo, depois Niterói, daí fomos para o Rio de Janeiro – sempre acumulando, Ipanema e depois Leblon no quarteirão que não fecha, que fica aberto 24hs.
Ou seja, fomos da periferia, uma zona de trabalhadores, para uma área de classe média alta, a despeito de todas as opiniões em contrário: “como vocês vão fazer poesia num lugar que só tem gente querendo se exibir?, onde estão os paparazzis, ali tudo é muito frívolo, IPTU mais caro da cidade, novela do Manoel Carlos, etc”. Mesmo assim quis experimentar a reação desse público, que parece, não precisam de nada.
Levei porrada de todos os lados. Mas apresentei o projeto na Universidade Salgado de Oliveira e eles me deram carta branca.

E lota?
Começamos da meia noite às 6 da manhã – que é um horário relativamente calmo. Em três meses não cabia mais no café, tivemos que mudar e ocupar toda a área de cima – público, mesa de som, caixa de som, quando a gente abre o microfone não tem menos de 40 pessoas inscritas a fim de declamar poesias próprias ou de autores de sua afinidade – conhecidos ou não, que apresentam poetas do Maranhão, do Recôncavo Baiano, por exemplo, que eu não conhecia.

Me impressionou quando vi como vocês formam um grupo articulado. Não sei dizer se tem disso aqui em São Paulo.
O Rio tem tradição poética. O Rio nunca deixou de ter sarau. Andaram caídos, mas agora, nos últimos quatro anos, as pessoas sentem necessidade de se encontrar. E aproveitam a poesia, que é um canal que mexe muito com a alma e com a emoção. A poesia transgride. E ali é um lugar em que você pode ser o protagonista. As pessoas se aproximam, acabam até namorando.
Até saiu uma nota no jornal dizendo que era um lugar em que solteiros e solteiras podem se dar bem. Porque a poesia seduz. Até o tímido acaba falando.

É um sucesso.
O grande segredo é a continuidade. É não interromper. Nos encontramos toda terça-feira, toda terça-feira tem Corujão. Até na terça gorda de Carnaval, na semana de Natal e Réveillon; se faz chuva, quando uma tragédia abala a cidade, a gente faz acontecer. Não é mais um evento, é um movimento.

E quais os temas que mais aparecem?
Tem muita denúncia social, muito poema ligado a liberação sexual, muito poema ligada à vida urbana. E culto muito presente a poetas como Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Rimbaud, Baudelaire, Carlos Drummond, Cecília Meirelles… É um lugar onde se aprende muito, porque as pessoas são muito obsessivas por certos poetas e acabam sempre contando um pouco sobre a vida e a obra do poeta.

Como é o público?
Tem desde verdureiro até banqueiro, atores e atrizes de novela, cinema, teatro.
Vem gente de todos os lados: gaúchos, pernambucanos, de Curitiba vêm muita gente, de São Paulo vem também. Tem gente que chega desavisada e gente que já chega sabendo que vai ter o Corujão e quer se aplicar um pouco de poesia.
Hoje estamos recebendo muitos turistas, gente que nem fala português e quer declamar um poema do lugar de onde vem. Então acontece de um croata declamar em uma língua que ninguém entende, mas todo mundo se emociona e bate palma no final.

E o projeto das bibliotecas? É fruto do Corujão, não?
De um ano para cá, a gente achou que tudo ia muito bem e estava muito bom, mas só para a gente. Então resolvemos distribuir a alegria e montar uma biblioteca em São Gonçalo com livros doados pelos freqüentadores.
Depois, o Marcelo Yucá e o delegado Orlando Zaconni me procuraram porque queriam montar uma biblioteca dentro da carceragem de Nova Iguaçu, na 52ª, no meio da facção do Comando Vermelho e da ‘Amigo dos Amigos’ – outra facção rival. Lá eu digo que os livros são a única coisa que compartilham
A terceira experiência foi em um hospital. E daí não parou mais. Hoje são mais de 25 pontos.

Quem quiser doar livros, mande e-mail para: a.cultura@nt.universo.edu.br

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28 de julho de 2008

Lourenço Mutarelli: as pessoas só entendem a pizza

repique2008 às 0:22

Lourenço Mutarelli - um criador em transformação: quadrinista, escritor, roteirista e ator - imagem e texto sempre no mesmo fio.
Fez ‘Nina’, fez ‘O Cheiro do Ralo’ - adaptação de livro seu, roteirizou e atuou. Acaba de filmar o Natimorto, mesma condição, autor, roteirista e ator. Acaba de lançar o livro ‘A arte de produzir efeito sem causa’. Chegado a um humor negro. Figura das mais interessantes, e o Repique foi conversar para conhecer um pouco mais de perto.

Queria começar conversando com você sobre o lançamento do seu livro semana passada.
Foi ótimo. É um momento super difícil porque você não consegue dar atenção para todo mundo que está lá por você. Alguém mandou flores, colocaram em cima da mesa e eu achei aquilo tudo meio parecido com um velório, em que é a mesma situação, a diferença é que quando acaba todo mundo vai beber, inclusive o morto.

E qual o título do livro?
‘A Arte de produzir efeito sem causa’ (Ed. Cia das Letras). Peguei essa frase de algum lugar, não sei o autor. Esse título tem um significado, ele quer dizer alguma coisa, mas só os iniciados vão entender. Cada leitor tem que entender para si. As pessoas acham que interativo é só o que está no computador. A arte sempre foi interativa.

Qual o tema?
Eu queria trabalhar com a afasia que é um distúrbio em que a pessoa não consegue reconhecer certas palavras. E isso se agrava e a pessoa não consegue mais falar essas palavras e isso se agrava e ela as esquece de vez, perde a comunicação com o mundo e com ela mesma. A história é sobre um cara que larga o emprego e volta a morar com o pai. É uma família de classe média baixa. E ele começa a receber coisas pelo correio que ele não sabe quem mandou e não entende o significado. Ele recebe notícias de jornais em inglês, CDs gravados em mídias que ele não abre, pedaços de pano…

Afe, já começo a ficar preocupada…
Não precisa ficar preocupada. Tem final feliz, todo mundo morre o final.

rsrsrs, tem esse seu lado mórbido…
Humor negro. Eu brinco muito com isso. As pessoas não percebem muito a sutileza de humor nos meus textos escritos - não nas entrevistas, pois os jornalistas sempre publicam ‘risos’ entre parênteses.
Mas vejo que meu texto quando se torna oral, no teatro ou no cinema, aí sim as pessoas percebem o absurdo que estou dizendo, as coisas mais pesadas, a ironia embutida ali.
É que o Brasil tem um conceito péssimo de humor, que é rir do outro. E nas Histórias em Quadrinhos, que é de onde venho, tem muito da introspecção do personagem, de rir de si mesmo.
Aliás, tive muita dificuldade de ser aceito no meio porque não trabalhava com humor, tinha esse lado mais pesado. Sempre fui um corpo estranho. E não foi só no começo, foram 11 álbuns.
Na literatura foi diferente, fui bem muito mais bem aceito, por pessoas muito interessantes.

Isso quer dizer que você abandonou de vez os quadrinhos?
Talvez eu faça uma coisa meio xarope, bem experimental para que todo mundo se convença que sim, é melhor que eu tenha parado.

E por que essa transição para a prosa?
O Cheiro do Ralo foi o primeiro livro que escrevi, quase por acidente, em cinco dias, durante um carnaval. Fiz direto em prosa porque percebi que se transformasse em quadrinhos eu mataria um pouco a imagem que o leitor construiria por si só, por exemplo, da bunda da personagem que deveria ser idealizada.

Engraçado que a adaptação do ‘Cheiro’ no cinema puxa bastante para a linguagem em quadrinhos…
Sim. As pessoas tentam associar qualquer coisa que eu faça com quadrinhos.

E como foi atuar, representar o personagem que você criou, que já estava desde muito tempo na sua cabeça?
Honestamente eu me desapego de tudo o que faço. O Natimorto é um dos que mais gosto e tenho apego. Esse também é um livro que escrevi muito rápido. E não reli o livro para fazer o filme. Fui direto ao roteiro. Fui viver fisicamente o personagem, tive preparação física para ter essa compreensão, trabalhava a respiração. Nem sempre o personagem que eu imaginava era o mesmo do Paulinho (Machline, o diretor do filme Natimorto). Anteontem eu vi o primeiro corte e fiquei muito tranqüilo com o meu trabalho.

Porque bem ou mal você tem muita noção de dramaturgia uma vez que para fazer os quadrinhos tem que ter a noção exata das expressões faciais…
Para desenhar a expressão era interessante olhar no espelho, porque dessa forma você consegue ver o músculo facial e reproduzir. Assim como para atuar, para desenhar você precisa ter o mínimo de intuição. Estou viciado nisso.

Como começou isso de você virar ator?
Estou fazendo um papel pequeno no filme da Anna Muylaert, ("É proibido fumar"), sou um corretor que tenta vender um imóvel para o Paulo Miklos - foi ele quem me encorajou a começar a atuar, porque vi que pessoas de outras áreas estavam se metendo nisso.

Isso desde o tempo de ‘O Invasor’… Vocês devem estar tirando o emprego de muita gente.
Nossos amigos atores não gostam muito disso. Você faz o primeiro, todo mundo fica feliz, depois, no segundo, complica. Preciso tirar minha DRT.
Porque os diretores aqui não ousam. Não tem coragem de colocar um rosto desconhecido. Não apostam, preferem um ator famoso ou pessoas de outras áreas, mesmo havendo atores incríveis, que nunca pegarão um papel no cinema.

E você já tem outro livro na fila?
Tem. Um que está me dando muito trabalho. O romance daquele projeto ‘Amores Expressos’.

Para onde você foi? Fui para Nova York.

E você curtiu?
Agora mais do que lá, porque é muito difícil você passar um mês, se ambientar, ter uma idéia, e ter propriedade numa cidade que não conhece para escrever um romance. Tudo o que eu falava em inglês ninguém entendia. Só eu entendo meu inglês. Era uma responsabilidade muito grande. Agora pretendo voltar, passar cinco dias, mais no personagem, fazer o trajeto que estou pensando na pele do personagem.

E como é seu processo criativo – entre fazer quadrinhos, escrever livro ou roteiros e atuar?
Embora sejam freqüências mentais muito diferentes, é tudo muito parecido. É tudo observação e concentração. Eu sempre fui muito reflexivo. Nunca acreditei em nada, nem mesmo no que eu escrevia. Pode parecer um chavão, mas o mais importante é você ter seu próprio ponto de vista. Gosto muito de andar de metrô e fico observando as pessoas, escuto o que estão dizendo. Elas pegam um discurso da TV, dos jornais, de algum Big Brother e reproduzem, nem sabem o que estão dizendo. Elas estão distantes, tão longe delas mesmas.

Comentam sobre um acidente e não sabem se o saldo de mortos foi 600 milhões, 600 mil ou 600 pessoas. Ficam reproduzindo aquilo e não tem noção do que estão falando. Aquilo não toca. São meros gráficos em forma de pizza. As pessoas precisam sair disso. Falar de outras coisas. As pessoas só entendem a pizza.

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27 de julho de 2008

Os Gêmeos: Enquanto isso em Nova York…

repique2008 às 12:25

‘Too far too close’, (Tão longe, tão perto) - Exposição d’Os Gêmeos, na Deitch Projects (NYC), até 9 de agosto.

Os irmãos Pandolfo, Gustavo e Otavio criam mais uma de suas instalações em galeria (sua segunda mostra solo na Deitch), cheia de esculturas e pinturas, e alcançam mais uma vez o êxtase, transformandoo espaço em uma paisagem fantástica de casas, portas e personagens amarelos; típicas figuras urbanas, rurais, regionalistas. Retratos de gente e cenas comuns; cheio de sonho e lirismo, da paisagem maior ao menor detalhe.


Os Gemeos, Untitled, 2008


Os Gemeos, Back in the Days, 2008


It Is Supposed to be Raining, But It Doesn’t Rain, 2008


Casou Com O Primo, 2008


Os Gemeos, In High Seas Everybody Flies, 2008


The Chicken of the Golden Egg, 2008


Os Gemeos, Waiting for the Rain to Stop, 2008.

Para ver todas as imagens, aqui.
Fotos: Allen Benedikt

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26 de julho de 2008

Neo-celebridade: a ‘Entrevistadora de Maiô’

repique2008 às 11:38


A vingança das chacretes!

por Carol Ramos

Mostrando o corpão com algum maiô lindo e extravagante e sempre com algo a dizer, Paula Rita Saady, 27, disputou os flashes nas semanas de moda do calendário brasileiro, de Paris e Londres, fazendo uma paródia do arquétipo do “brazilian way of life”.

Ela é a Entrevistadora de Maiô, the one and only, a criação mais engraçada do site carioca Gema TV. A repórter - uma divertida personagem que chega vestindo roupa de praia, calçando plataformas altíssimas e com maquiagem dramática, invade backstages de desfiles para ferver com o fashion people. Criada meio que como brincadeira com os amigos José Camarano e Antonio Frajado, diretor e produtor executivo do site, respectivamente - cresceu tanto que até hoje ganha maiôs de estilistas para usar enquanto sai por aí causando durante suas entrevistas.

Formada em moda e desenho industrial, a carioca Paula Rita se divide em uma jornada dupla bem divertida: mora em Paris, onde trabalha como designer da revista L’ Officiel, e viaja pelo mundo apresentando seu "quadro". Ela começou a chamar a atenção durante sua aparição na Riviera Francesa, durante o Festival de Cannes deste ano, quando ela e seu maiô - a inspiração são as dançarinas de auditório - fizeram o maior sucesso e foram notícias em vários sites. Depois, vieram a entrevista descontraída com o estilista Bruno Basso, da dupla Basso & Brooke, durante a Semana de Moda de Londres e sua busca pelo príncipe Harry - devidamente vestida com um maiô prateado - pelos arredores do Palácio de Buckingham.
Confira : aqui e ali.

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25 de julho de 2008

Twitter: a febre do micro-blogging no Brasil

repique2008 às 9:13

Conexão total. Você acha pouco estar conectado online, no MSN, no celular, Orkut, Facebook, Myspace, blogs e afins? Se ainda não está no Twitter, sinto informar que pode estar faltando algo no seu cardápio, talvez o prato principal. O Repique foi conversar com Bia Granja, a editora da PIX – site e revista de diversão digital (formato bolso e gratuita), para ficar por dentro dessa onda - que já nem é tão nova assim, mas que está virando um Tsunami. E para sacar, mesmo que de fora, o comportamento nessa rede. Claro que a conversa foi por e-mail.

Bia, veja se estou certa, acho que o twitter ainda tem bastante potencial, não?, Considero que pouca gente usa…
Tem potencial pra caramba! Agora a coisa está andando assustadoramente rápido. Eu entrei no twitter há 1 ano e pouco. Demorei 1 ano pra chegar em 250 followers e apenas alguns meses pra dobrar esse número. A empresa não divulga quantas pessoas estão twittando no mundo, mas especula-se que já tenha ultrapassado um milhão… E o Brasil é o 5o em twittadas via web (porque também pode ser via SMS, IM, aplicativos e afins), no mundo.
Brasil, sil, sil! :)

Como você enxerga essa onda?
Tô achando que não é uma onda, viu? Ó, todo mundo curte uma faminha (15 minutos ou, no caso, 15 megabites de fama) e acha que tem algo a dizer (opinião é o que não falta, né?). Muita gente queria ter blog, mas achava complicado de fazer (em termos de ferramenta) e tinha medo de não ter o que dizer (todo aquele espaço em branco). O twitter é uma ferramenta simplérrima e tem esse caráter "resumido" (apenas 140 caracteres) que não intimida o wannabe-blogueiro. A web tá se tornando cada vez mais 2.0 (todo mundo faz conteúdo) e as pessoas estão gostando de ter voz… Nesse cenário, uma ferramenta de micro-blogging como o twitter me parece bem promissora!

Que tipo de uso você faz do Twitter?
Todos os tipos possíveis! Eu twitto sobre pensamentos aleatórios, sobre links e notícias interessantes, entro em diálogos com outros arrobas, peço #AJUDA (por exemplo, pra responder à primeira questão pedi ajuda pra saber o numero de twitteiros no mundo), faço mini-pesquisinhas, pergunto sobre trânsito, acompanho eventos, marco almoços, encontros e baladas, conheço um monte de gente nova, conto piadas, convido pessoas pra matérias e até já escrevi um conto usando twits de outros arrobas (veja aqui).

E o que você tem visto de mais interessante nesse movimento?
(eu, por exemplo, imagino que deve ser super funcional para festivais entre amigos e já vi um amigo escrever praticamente uma novela nesse meio…)
Ei, também tenho amigos fazendo novela no twitter, seria essa: http://www.slideshare.net/msoma/as-paixoes-de-tiago? :D
Acho incrivelmente útil quando o pessoal twitta sobre eventos, trânsito e coisas do gênero, você acompanha tudo sem estar lá. Também já vi gente ser contratada via twitter. E tem gente leiloando seus perfis no Twitter, olha só: no e-bay e aqui .

No país do Orkut, isso tende a virar uma febre, não?
Totalmente febre, no Brasil e no mundo.

Mas não distrai demais???
HORRORES! mas a internet distrai, né? Um site leva pra outro, que leva pra outro, que leva pra outro… Neste momento tenho 22 abas abertas no navegador (claro, o Twitter é uma delas)! :)

E quem tem que trabalhar faz como???
Não faz!!! :) Minha bio no twitter é "definitivamente, uma pessoa que está twittando quando deveria estar trabalhando…"
No começo da minha vida ‘twittica’ minha produtividade no trabalho caiu muito, de verdade. Eu twittava sobre qualquer coisa, mandava replies pra todo mundo e directava uma porção de gente. Hoje, sou uma pessoa mais equilibrada, zen-twittica. Se tenho muito trabalho, fico acompanhando de longe (mesmo consumida pela sensação de estar perdendo twittadas e diálogos incríveis). Se estou com tempo livre, entupo o twitter dos meus followers de coisa (coitados).

Não é muito mais informação do que você precisa?
COM CERTEZA! Na verdade, a internet inteira tem muito mais informação do que a gente precisa! É aflitivo. Eu uso o netvibes.com pra (tentar) organizar os feeds de todos os sites que eu quero ler com freqüência, me mando por email os sites e artigos que eu quero ver/ler depois e não valem um "favorite", twitto outros sites pra "deixar guardado num lugar de fácil acesso" (oi?), deixo alguns deles abertos em abas no navegador e ainda acesso sites diariamente que não estão em nenhuma desses lugares. No final, é uma tentativa de tentar acompanhar (ou ter a sensação de que acompanho) tudo o que tem de interessante na web. O resultado? Mais aflição! Porque agora consigo VISUALIZAR tudo o que eu NÃO ESTOU acompanhando: os feeds permanecem não lidos, os emails vão se acumulando, as abas vão ficando pesadas demais pro navegador… Isso tudo é péssimo pra auto-estima! Faz a gente se sentir incompetente, você não acha? HAHAHA! :)

Brinco que o verdadeiro guru da era digital é aquele que consegue lidar com essa quantidade absurda de informação (ou a falta dela) sem surtar ou ter crises de ansiedade. Eu, infelizmente, não sou essa pessoa!

Por que você acha que as pessoas têm essa necessidade de conexão full time???
Não sei! Acho que por muito tempo o mundo exigiu isso delas. Ser multitarefa e estar sempre conectado era obrigatório. A internet trouxe uma quantidade enorme de informação que a gente precisava acompanhar e, mais importante, a famigerada conectividade (pc, mobile, etc).
Mas já vejo um monte de gente querendo inverter a regra do jogo, parando de viver em função da conectividade, usando-as inteligentemente como ferramenta se pra equilibrar melhor vida pessoal/profissional e parando de uma vez por todas com esse negócio de ‘multitarefar’.
Agora, não confundir ânsia de conexão full time com ânsia de se tornar uma web-celebrity…

(Curiosidade: Por que os usuários são conhecidos como ‘arrobas’???)
Se você quer falar ou responder pra alguém em especifico é só colocar o @ seguido do nome de usuário da pessoa. Todo mundo no twitter é arroba-alguma-coisa! Quando muitos arrobas-alguma-coisa se juntam, vira uma festa de arrobas! :)

Quais foram os maiores disparates que você já viu?
Os melhores rolam quando a pessoa tenta directar a outra (mandar uma mensagem que apenas a pessoa pode ler) e, por alguma panguice qualquer, a mensagem aparece no public timeline… Já vi alguns segredos, xingamentos, fofocas e picuinhas virem a público dessa maneira… Verdadeiro deleite voyerístico! :D

Qual sua média de seguidores???
Antes do Twitter baleiar (essa gíria serve pra qualquer coisa que não está funcionando direito, por conta da imagem que aparece quando o twitter tá fora do ar) eu tinha quase 500 followers, agora estou com quase 400. Não é muito, não! Tem brasileiro que tem 2000 followers…

Deu pau no sistema ontem, (baleiou, né) você ficou em pânico?
Ah, já estou acostumada com essas baleiadas. A @rebiscoito acaba de postar uma notícia que diz que o twitter fica fora do ar, em média, 11 horas por mês. Nem é muito, né? Mas a sensação térmica é de que sempre rola na hora em que você mais precisa twittar… Aliás, a Fail Whale (Twhale, a baleinha de quando o twitter está over capacity) já virou ícone cult no mundo todo. Olha só: aqui e ali.

Você consegue fazer alguma metáfora, um paralelo a respeito???
Yay, adoro metáforas! Vou tentar fazer uma boa… o twitter é como a ilha de Caras, só que aberta pra todos! Não, péra, vou tentar de novo… O twitter é a nova Las Vegas, um lugar onde tudo pode acontecer!
Não, outra metáfora… O twitter é uma mesa de bar virtual!
Ou ainda… O twitter é como a sessão da tarde: arrobinhas da pesada aprontando altas confusões! ai, caramba, deu?
ahahahahah

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24 de julho de 2008

Brasileiro disputa Eisner Awards em San Diego

repique2008 às 8:53

Oficialmente, começa hoje em San Diego a Comic Con – a maior convenção de cultura pop dos Estados Unidos, que concentra em um só lugar alguns dos maiores lançamentos em quadrinhos, cinema, seriados de TV, videogame e afins.

Entre muitas fantasias de “Guerra nas estrelas” e super heróis, novidades quentes como a adaptação para as telonas da criação "The Spirit" de Will Eisner pelo diretor e também quadrinista Frank Miller, a animação "Hulk Vs. Wolverine", os heróis e vilões da Marvel , DC Comics, entre outras, e pelo menos duas participações nacionais protagonizadas pelo quadrinista Rafael Grampá. Indicado para levar o Eisner Awards (considerado o Oscar dos quadrinhos) na categoria Antologia pela criação coletiva de ‘5’ e pelo lançamento de sua primeira HQ solo, a ‘Mesmo Delivery’. O Repique foi conversar com o moço, que a essa hora já está por lá.

Conta um pouco como é essa revista pela qual você foi nominado para o Eisner Awards.
Chama ‘5’, uma revista que fiz em parceria com mais quatro pessoas (Rafael + Gabriel Bá, Becky Cloonan, Fábio Moon e Vasilis Lolos). Então o prêmio não é para mim. Estamos concorrendo na categoria antologia. É uma revista independente, feita a dez mãos. Chama cinco porque somos cinco artistas fazendo uma HQ única. E custa U$ 5. One shot.

E qual é a parada?
Aí que tá, a gente uniu as histórias de uma forma muito louca. Na real, tu tem que ver. Não tem balão de diálogos. As cinco histórias se cruzam. São só imagens que conduzem a narrativa. Surgiu porque cada um de nós inventou uma história para contar sobre o outro. Lançamos no Brasil, Estados Unidos e Grécia.
A gente fez para curtir. Como uma jam session, só que com HQ. Acho que os caras sacaram a energia do amor que rolou.

E tem chance de levar, você está confiante?
Parece um fanzine, estamos concorrendo com edições de luxo, capa dura, impressão especial… É meio um azarão. Se a gente ganhar vai ser muito azar dos outros concorrentes.

rsrsrs. E esse outro lançamento que você vai fazer lá?
É minha primeira graphic novel solo. Lanço lá e depois lanço no Brasil, versão em português pela editora Desiderata. É colorida, um "road thriller". Retrata um universo caminhoneiro ‘Cubatão com Arizona’. Chama ‘Mesmo Delivery’ – o nome da transportadora. Conta a história de um cara que assina um contrato para levar uma carga. Ele não pode abrir a carga, só que… shit happens.
Se fosse um disco, o gênero seria ‘Stoned Rocker’, um rock estradeiro.

E você consegue viver de fazer HQ?
Ninguém vive de HQ. Minha renda é um segredo (risos). Se você precisar de encanador já tem o telefone, R$ 15 + transporte. Afino piano também, olha (toca umas notas), esse é mais caro R$ 30.

E a Comic Con? Primeira vez que você vai?
Primeira vez. Deve ser um zoológico. Muita coisa para ver. Gente bacana, ver artistas legais, outros ruins. É muito grande. E lota.

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23 de julho de 2008

Compositor cria orquestras com músicos das ruas

repique2008 às 9:20



por Carol Ramos

Inquieto e visionário, o compositor paulistano Livio Tragtenberg vem, desde 2004, fazendo um trabalho de resgate de músicos de rua e da alma das cidades. Primeiro, veio a Orquestra de Músicos de Rua: um mix de fontes e raízes distintas, com 16 músicos de origem japonesa, paraguaia, boliviana e nordestina. Tudo bem característico da trajetória cultural de São Paulo, uma cidade de imigrantes.

Em 2004, criou o Som do 1/2 Fio, projeto com alguns músicos da Orquestra de Músicos de Rua, composto por emboladores, sambistas, cantores, sanfoneiros e percussionistas que juntos fazem um "som urbano, que mistura embolada com samba, forró, choro e muito mais". Na seqüência, passou por Miami e deixou sua semente, a Nervous City Orchestra, com músicos norte-americanos e latinos.

Sem ignorar a fluidez da informação e o acaso, que sempre acabam sendo frutíferos, Livio conheceu, durante uma apresentação do Som do 1/2 Fio no interior de São Paulo, alguns músicos cegos. Nascia a Blind Sound Orchestra, com três sanfoneiros - uma mulher - e um violeiro, há um ano. A BSO apresentou-se neste ano na segunda edição do festival Brasil em Cena, em Berlim, e abriu espaço para que seus componentes experimentassem uma oportunidade única de serem reconhecidos pelo seu talento. "Não faço um trabalho social e sim musical", diz Livio.
Na ocasião, ele acabou também montando uma Orquestra de Músicos de Rua de Berlim, com cerca 12 músicos recrutados nas ruas e no metrô da cidade: três alemães e os outros vindos do Leste Europeu e da África, entre outras regiões.

O céu é o limite para Livio Tragtenberg, que ao longo de sua carreira escreveu livros, compôs trilha sonoras para filmes – como o Através da Janela, de Tata Amaral - e fez a direção musical de peças
e espetáculos de dança. Confira a entrevista que ele deu para o Repique sobre seu trabalho com a Orquestra de Cegos e sua vocação para maestro de orquestras populares:

Você já criou orquestras de músicos de rua em São Paulo, Miami e Berlim. Qual a essência do seu projeto?
Retratar a atmosfera de cada cidade e colocar pessoas diferentes para tocar junto. Para isso, preciso de um grupo com uma identidade forte, representativa.

Como foi o repertório criado em conjunto por você e os quatro músicos do projeto Orquestra de Cegos?
Nossas composições foram feitas especialmente para um filme mudo pernambucano de Gentil Roiz, Aitaré da Praia (1925), um filme de amor, espécie de Romeu e Julieta. São canções baseadas em músicas
tradicionais de compositores como Luiz Gonzaga. Nossa estréia aconteceu na I Jornada do Cinema Silencioso, na Cinemateca Brasileira (SP), em agosto de 2007.

Você deu uma oportunidade a estes músicos que antes viviam no anonimato. O que você acha que mudou na vida deles?
A vida deles não mudou muito. Eles continuam sendo músicos de rua. Não faço um projeto social, e sim musical, então a mudança que vi acontecer foi na auto-estima deles, que passaram a conviver em outros
círculos sociais e puderam mostrar sua arte em lugares como Berlim.

Qual a origem destes músicos?
Todos são do interior de São Paulo. Temos a Clarice Mantovani, que canta e toca sanfona no calçadão do centro de São José do Rio Preto com o Alcidio (voz e violão). O José Rosa, que também toca sanfona,
trabalha nas ruas do centro de Jundiaí e o JP SOM que toca sanfona nas ruas do centro de Araraquara.

Como é a reação das pessoas diante de uma orquestra de músicos cegos?
É ótima. Elas não sabem como eles sincronizam a música com as imagens (a banda se apresenta junto com o filme), e por eles serem cegos tem uma coisa de magia. Tenho um sistema de ponto eletrônico em que me comunico com eles, orientando em qual momento devem tocar.

E quais são seus planos para este ano em relação as suas duas orquestras de SP?
Ainda temos muitos shows para fazer. Em outubro temos uma apresentação no Centro Cultural Usiminas, em Minas Gerais, agendada para a Orquestra de Cegos. Pretendo lançar o segundo CD da Orquestra de Músicos de Rua (o primeiro CD, Neuropolis, foi lançado pelo selo do SESC) e ainda quero criar orquestras de músicos de rua em outras capitais, como Belo Horizonte.

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22 de julho de 2008

Justice assina coleção ‘motoqueiros do apocalipse’

repique2008 às 10:45

As Daslus e os DasLEDs - ou uma espuma que faz a cabeça de muita gente
Hype instantâneo nos Jardins. Uma mini-nota que envolve o fenômeno musical da temporada, comportamento de consumo e uma grande tacada de marketing, tipo coisa trendie, sabe?

Vejamos o case:
Chegou a São Paulo a coleção de calças e jaquetas assinadas pela dupla francesa formada por Gaspard & Xavier, ou o Justice – (a maior sensação da música de pista da atualidade) criada em parceria com o estúdio Surface to Air – um coletivo de criação e branding, que reúne 14 criativos de diferentes áreas, com atuação nos mercados de moda, música, arte e luxo, com lojas em Paris e São Paulo tão somente.

Vale o quanto pesa
Lançada no último sábado, a micro-coleção – uma edição limitada de 150 peças – sendo três jaquetas de couro e duas calças, leva o democrático nome ‘Justice for all’ e está disponível em apenas 15 lojas no mundo inteiro. Para cá vieram apenas 12 jaquetas.

Por módicos R$ 2.200 – mesmo preço praticado em Paris (790,00 €), essa tal jaqueta de couro pode ser sua. Ainda restam três peças na loja da Alameda Lorena – das 25 pessoas na lista de espera, apenas nove couberam na modelagem “ultra skinny”, que exige uma certa abstinência way of life – (uma conta boa para quem vive de equilíbrio: o que se economiza em comida, gasta em roupa). Ou seja, quem coube no artefato, levou.

“A jaqueta é a mesma do clipe STRESS, só que sem a cruz nas costas” diz a vendedora da loja – o clipe que chegou a ser banido das emissoras de TV e até do Youtube devido ao alto grau de violência e vandalismo - uma gangue nas ruas de Paris barbarizando, a la Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.

Preparação de figurino electro- house-dance-punk
Em setembro, o Justice vem para São Paulo (Skol Beats) e Rio de Janeiro (Circo Voador) onde encerram sua turnê mundial - (sorte que não é só para 150 pessoas). Seu show, um dos mais desejados dos últimos tempos, é a mais pura distorção e desconstrução das músicas do álbum ‘Cross’ – o que pode ser também o efeito colateral na cabeça de seus fãs. Depois disso, a dupla tem seu merecido descanso após um ano completo de missão.

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