Terra Magazine

30 de agosto de 2008

Carioca lança mix que vai de Sepultura a Kaoma

repique2008 às 11:26

Viciado em música eletrônica e comunicação, o carioca João Brasil, que  no começo do ano emplacou o hit ‘Baranga’ se lança no mundo dos bootlegs e mistura mais de 130 músicas mixadas no "Big Forbidden Dance". A coleção de hits emenda M.I.A., Iron Maiden e a lambada do Kaoma e está disponível para download gratuito.
Blogado e repicado pela web, o Repique conversa com ele e, de quebra, ainda pega umas dicas de sábado.

Como começou essa parada de fazer som?
Eu fiz um disco antes, o ‘8 Hits’, que tem a música ‘Baranga’ – uma levada de músicas mais engraçadas, bem eletrônico, com batidão Miami Bass. Isso foi no começo do ano. Daí quis fazer um disco mais de produtor e lancei esse, no mês passado. Acabou causando impacto. Estou surpreso.

E como você entrou no mundo dos mash ups?
Quem me abriu para o mundo dos mash ups foi o Bruno Natal. É sensacional, super moderno o conceito de colagens.
Sempre gostei de funk, desde cedo. Aqui no Rio é muito forte, então tenho a batida, a espinha muito dentro de mim. Daí ouvindo o som do Sany Pitbull - o jeito dele tocar é muito interessante, ele faz um som ‘Post Baile Funk’ – bota uns elementos novos, diferentes do que as pessoas costumam colocar – é mais remix mesmo e não mash up.
Depois ouvi o novo álbum do Girl Talk e pirei, me dei conta de que estava faltando alguma coisa na minha vida.

Ficou massa como você mixou os hits nacionais com os gringos.
Escolhi umas 500 músicas. Fui vendo uma com a outra o que funcionaria – aquela parte do Sepultura que eu adorava, Iron, Lambada… queria usar todos os ápices de música que eu gostava em um só disco.
Eu era metaleiro… Só não consegui colocar o Pantera, que não encaixou com nada.

E por que você lançou no esquema download gratuito?
O "Big Forbidden Dance" tem mais de 130 músicas que não são minhas. Só de Direitos Autorais seria uma barra. Chega a ser um movimento revolucionário.

E agora, uma vez na web, só sucesso?
Agora está aparecendo um monte de convite para tocar em tudo quanto é lugar, toquei num lugar legal aqui no Rio, no Lounge 69, hoje toco no Glória (SP), na festa Gente Bonita. A turma está chamando. Está rolando legal.

E que som você está preparando?
Vai ser o disco mesmo. Mas reproduzo da maneira que vier na minha cabeça, porque tenho tudo ali para soltar na hora.

Que sons você tem ouvido?, dá umas dicas pra galera:

Estou pirando no Gogol Bordello, que agora está vindo para o Tim Festival.

www.myspace.com/gogolbordello

O Girl Talk, que é um absurdo.

www.myspace.com/girltalk

E deixa eu ver, no Hamilton de Holanda, um bandolinista que toca choro fusion a 130mil/hora.

www.myspace.com/hamiltondeholanda

E essa sua foto? está ótima, bem Charm Chic.
É. Michael Jackson com João Augusto. É um mash up.
(foto: Lucas Bori)

Fique com ele: www.myspace.com/joaobrasil
"Big Forbidden Dance" para download: aqui.

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29 de agosto de 2008

Jair Oliveira: ‘Desafinados’ não é só Bossa Nova

repique2008 às 9:10

Estréia hoje ‘Os Desafinados‘, o filme dirigido por Walter Lima Jr., com Rodrigo Santoro, Selton Melo e Claudia Abreu nos papéis principais. O longa, que já está conhecido como “o filme da Bossa Nova”, conta a história de um grupo de amigos – músicos e compositores - que partem para Nova York, em busca de sucesso. O Repique conversou com um dos participantes, Jair Oliveira, outrora o Jairzinho, que comenta toda a parte musical do filme e anuncia seus novos projetos.

E aí, curtiu sua participação no filme ‘Os Desafinados’?
Curti, sou muito fã de cinema, sou muito fã do Walter Lima e estava muito interessado na história que ele queria contar. Achei bom ele ter chamado dois músicos para formar uma banda com outros atores, todos nós nos conhecemos ali, e esse processo desenvolveu uma amizade entre nós que transparece no filme e transcende o filme.

Enquanto ensaiávamos - as cenas e as músicas, dois meses antes de filmar, houve um momento de muita união e entrosamento da banda.
O Ângelo Paes Leme tem formação musical, já fez aula de piano, toca violão, no filme ele realmente toca sax. O Santoro – eu fiquei impressionado com a dedicação e profissionalismo dele. Ele aceitou o desafio de tocar piano – o que não é nada fácil, e tem cenas em que ele toca mesmo. Obviamente não a cena do final.
O Walter teve muito essa preocupação de passar uma realidade, porque ele poderia ter feito todo mundo fingindo, dublando um playback.

Quer falar da música do filme?
O filme não fala só sobre música. Todo mundo está simplificando falando que é um filme sobre a Bossa Nova, mas é muito mais que isso, é sobre uma banda, sobre relações, sobre amizade. Claro que fala dessa época da Bossa Nova, tem todo o contexto do Brasil nos anos 60, 70, retrata a transição para a ditadura e como isso afetou os músicos, de uma forma muito poética.

A trilha sonora ficou nas mãos do Wagner Tido que é um craque e que passou por esse período, ele conhecia várias histórias e pessoas dessa época, e participou ativamente da Bossa Nova.
O filme foi rodado em 2005 e por uma conjunção de fatores – desde viabilização de patrocínio até a realização do jeito que o Wagner queria – acabou sendo lançado só agora. Teve essa coincidência boa de ser lançado esse ano, o que aproveita as comemorações da Bossa Nova.

E agora, o que você anda curtindo?
Continuo na música. Agora estou em um projeto muito especial, em que eu compus doze músicas inspirado nas relações entre pais e bebês – que é o momento que estou vivendo. Fiz umas parcerias com um monte de gente que também está vivendo essa parada – Seu Jorge, Rogerio Flausino, João Suplicy e Maria Paula (entre outros). Vamos lançar o álbum até o fim do ano.

Por qual gravadora?
Desde 2005 que eu tenho meu próprio selo, o ‘S de Samba’, em parceria com o Simoninha. Já lancei meu disco e DVD, o álbum da minha irmã (Luciana Mello), o álbum do Simoninha, ‘O Melhor’.
Eu acho que o caminho da música é a internet, é ser independente. Pelo menos eu aposto nesse caminho. As gravadoras vêem a internet como inimiga, mas é parceira. A música não vai morrer nunca. Só vai expandir. O mercado fonográfico é que encolheu.

www.jairoliveira.com.br

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28 de agosto de 2008

Festival de BH terá Gorillaz dia 15 de novembro

repique2008 às 9:21

Começa hoje em Belo Horizonte o Eletronika – o Festival de Novas Tendências Musicais, que esse ano, em sua 7ª edição, tem como tema o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. O Repique conversou com um de seus idealizadores, Aluizer Malab, que falou sobre a programação e os bastidores de agitos que vão esquentar a cidade até domingo, dia 31, e anunciou uma surpresa: Gorillaz no Brasil esse ano, com data confirmada em Belo Horizonte no dia 15 de novembro. A banda virtual pop e conceito,  de rock e hip hop, vem para cá finalmente.

Aluizer, pela programação esse ano o Eletronika está bem menos eletrônico, não?
Nessa edição estamos dando menos ênfase à pista e mais ênfase ao formato palco e banda, em função da própria tendência - todo mundo está fazendo mais live - e os brasileiros também estão mais nessa linha.

De qualquer forma, o nome Eletronika foi pensado em 1997 - quando idealizamos o festival para lançá-lo em 99 - que apontasse novas tendências musicais. Ele nunca teve essa bandeira de ser só música eletrônica apesar de ter sido o primeiro a aparecer com a figura do DJ – que nem era aceito, e que passou a ter vez como músico - o Skol Beats é de 2000. De lá pra cá, teve um boom da cena eletrônica, rompeu-se uma barreira para introduzir o DJ, as pick ups e toda a experimentação que veio derivada disso.

E por que o tema Japão, vai além do Centenário?
É só um mote, porque queríamos essa riqueza pop tecnológica. Já tinha vontade de trazer alguns artistas de lá - já trouxemos atrações da Europa de tudo quanto é canto, dos Estados Unidos e nunca tinha vindo ninguém do Japão. Era hora de apostar nisso.
Fizemos um desenho na programação com a grande maioria de artistas japoneses ou descendentes de - tem o Ganjaman, Maurício Takara, Curumin, Fernanda Takai, a banda de Nova York Asobi Seksu, e a vocalista do Pizzicatto Five, Maki Nomiya. E mais uma programação ampla: uma mostra audiovisual com 150 filmes com o recorte Japão / Amazônia / Minas Gerais; uma Mangateca (uma mostra de mangás), e debates sobre Anime e cultura japonesa.

É uma via demão dupla - os artistas daqui também estão indo para lá. Semana que vem, no dia primeiro vou com o Pato Fu e a Fernanda Takai – fazendo show solo em separado também para shows em quatro cidades. Acabou pintando essa oportunidade.

E a idéia de trazer a Maki Nomiya do Pizzicato Five?
O Pizzicato acabou, né, daí nos pareceu evidente trazer a vocalista que é uma figura que o público assimilaria mais. Ela vai fazer uma participação no show da Fernanda Takai. Vai cantar ‘O Barquinho’ em japonês. Ela faz também uma participação solo, canta músicas do Pizzicato Five.
Engraçado que uma banda nunca foi referência da outra, (Pato Fu e Pizzicato) mas acabou que têm semelhanças entre si e elas tiveram bastante entrosamento.
Ela chegou na segunda-feira e está adorando. Ela é muito ligada em moda e design, quer ver tudo. Badalou com o Ronaldo Fraga, vai discotecar essa noite aqui no Velvet, fazer um after, com microfone aberto… Vai encontrar o Alexandre Herchcovitch em São Paulo no sábado.

E a cena em aí em BH, como anda?
Na parte de festivais, o Eletronika é referência no gênero. O público tem muito carinho e é muito generoso. Outra coisa boa é o Creamfields - que nesse ano só vai ter aqui em Belo Horizonte – o que demonstra o crescimento, a demanda de uma cena ativa.

Opa, e como vai ser o Creamfields aí?
Vai ser um festival mega para 25mil pessoas, com três tendas – uma de House, outra PSY e um palco de novas tendências. Dia 15 de novembro com show do Gorillaz.

Eletronika, Festival de Novas Tendências Musicais
Para programação completa, acesse www.festivaleletronika.com.br

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27 de agosto de 2008

Vencedor em Gramado discute formato do cinema

repique2008 às 9:23

Vencedor do prêmio de Direção de Arte em Gramado, com o filme "Nome Próprio”, Pedro Paulo de Souza, conta aqui para o Repique todas as idéias por trás do conceito, cenário e cores de um filme autoral brasileiro.

Repique - Como foi ganhar esse prêmio em Gramado?
Pedro Paulo de Souza - Foi muito bizarro. Eu fui para Gramado para a abertura do Festival, participei da coletiva de imprensa na segunda-feira, e voltei para São Paulo. No outro sábado, no dia da premiação, resolvi ligar a TV para torcer para a Lelê (Leandra Leal), quando a 1.ª coisa que vejo foi a Rosamaria Murtinho falando “Pedro Paulo por Nome Próprio” – como eu era indicado fiquei esperando ela falar os outros nomes que concorriam, e de repente vi a Leandra Leal levantando da platéia. Caraca, ganhei o prêmio!

Que delícia.
Sim. Fiquei muito feliz. Especialmente porque os prêmios de Arte, Montagem e Música em Gramado são dados por estudantes de Cinema, que são convidados pelo Festival para votarem esses quesitos. Para mim, tem um gosto especial e eu me sinto muito lisonjeado de ter sido escolhido por gente que está brigando por conhecimento, que está tentando entender as coisas de outra forma. Até o ano passado não havia no Festival o prêmio de Direção de Arte, não tinha esse quesito mais técnico.

E o que está por trás da Direção de Arte do “Nome Próprio”?
A gente partiu de um registro quase documental porque o filme precisava ser o mais natural possível. Não podia ser muito detalhista porque daria mais informação do que o público precisaria. Os ícones, a forma de discagem, a estrutura do blog - era necessário que não aparecessem tanto, porque o Nome Próprio de certa forma é um filme de época, se passa em 2001 - e isso quando falamos de blogs e internet é praticamente datado - a maioria das pessoas não tinha banda larga, a internet era discada, os navegadores eram outros, não tinha Google, não tinha Altavista. E precisava ficar claro: “Olha, estamos falando de uma época que não é hoje”.

Por que não hoje?
O filme é baseado nos livros da Clarah Averbuck, que descreve um período em que ela tinha um blog, em 2001, um tempo em que não havia esse boom de blogs, em que o blog era um espaço para se expor, por exemplo, quando ela faz a declaração “esse blog não permite comentários”. Uma época em que ela era muito assediada. Se fosse hoje seria outra coisa.

O filme é cheio de vazios.
O filme tem muito vazio. Os ambientes dela são todos vazios porque precisávamos ressaltar a riqueza do universo interior daquela mulher, para que o público tivesse atenção focada em suas reações. O cenário mudava à revelia do que ela estava pensando. Tivemos o maior cuidado que aquilo fosse realmente um ambiente natural para que o ator se sentisse à vontade. Foi uma preocupação que surgiu durante a preparação de atores em que tive que construir alguns objetos de apego – coisas que pudessem estar na bolsa dela, os discos, livros. Outra preocupação foi criar uma série de estranhezas com relação à própria continuidade do filme - objetos que estão numa cena quando ela sai do quarto e quando volta já não estão mais, roupas… porque a história não é o que está na cabeça dela, o tempo em que ela escreve não é o mesmo em que o internauta lê. Deixamos no set tudo aquilo que é para ser assistido – que é quase nada, porque tudo o que está por perto faz sentido, à meia distância, não – o que possibilitaria termos colocado uma banda lá tocando.

Adorei como os textos aparecem no filme.
Ela conta uma história sobre coisas que estão no seu imaginário. Precisei construir a palavra escrita porque estamos falando de Literatura – eu literalmente precisava colocar palavras na tela, pois o texto dito e o texto lido são diferentes, têm outro tempo.

No fim acabou que “Nome Próprio” é super atual…
“Nome Próprio” também discute formato - o filme não tem película, a captação foi toda direta em HD; discute plataforma de comunicação… foi um filme lançado através de um blog, em que pudemos construir uma conversa e passar adiante a discussão que tivemos. Foi além da projeção na tela e isso tem a ver com internet, linguagem e suporte. Tivemos esse cuidado desde o início.

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26 de agosto de 2008

Curumin e todos os sons que cruzam seu samba

repique2008 às 9:06

Como diria Tom Zé: “é lenta a luta”.
Com a queda da indústria fonográfica, a cena da música Indie vai se consolidando e um monte de nome novo aparecendo. O Repique falou com o baterista Curumin que lançou seu último disco ‘Japan Pop Show’ colocando hip-hop no seu samba, e dub, dancehall e soul - trazendo o gênero para a experiência mais pop que já teve.

Em suas letras Curumin fala de política, relacionamento, crítica social - sem perder o charme nem o bom humor. “Mal-Estar Card” desconstrói o famoso comercial de cartão de crédito para falar de corrupção. “Nem tudo o dinheiro pode comprar/ Para todas as outras existe o meu mal-estar card”.

A música que você faz é samba-hip hop-dub…
Eu gosto de música negra, do mundo todo. Essa é a referência maior. E estando no Brasil, o mais forte é o samba e todos seus diferentes acentos. Não um samba tradicional – cavaco, pandeiro, etc.; não nasci numa roda de samba, mas ouvia samba TAMBÉM, desde sempre. Hoje em dia com esse lance de iPod, mp3, download, cada vez se ouve mais sons variados, Todos os tipos em um dia só. Eu ando com meu iPod carregado com mais de três mil músicas, de todos os gêneros. Daí é difícil fazer uma coisa localizada em um ponto só.

E essas letras que você compôs?
O lance das letras foi um momento que eu senti necessidade - meio revolta mesmo aliada ao fato de que eu estava com uma boa energia para falar. Muita coisa aconteceu no Brasil nos últimos tempos – mensalão, crise de ética, crise aérea. Muita coisa escrota. Momento de desilusão.

Como você está enxergando a cena da música indie atual?
Tem um monte de gente acontecendo. Está formando uma cena indie e os festivais estão ajudando a configurar essa cena nacional.
Esse ano, pra mim, começou pelo Bananada em Goiás, um festival super tradicional de lá, mais focado em rock and roll.
Mas o que está massa mesmo é em São Paulo. Tem muita banda boa, como Cidadão Instigado, Instituto e suas ramificações, como o 3naMassa; Lucas Santtana, B Negão, Turbo Trio, Vanguart. Tem uma banda que conheci de Salvador que chama Subaquáticos, e também o Supercordas do Rio…

Por que você acha que a cena indie está ganhando essa força?
Um dos vários motivos foi a queda da indústria fonográfica que cristalizava tudo em função dela – loja, rádio, jornal, revista. Estavam todos no esquema. E agora que perdeu esse lugar, abriu espaço para todo mundo.
A internet também conectou a galera que é curiosa e que não curte o mainstream, não está nem aí para quem toca no Faustão. Isso acaba formando um público diferente, que começa a conhecer, começa a freqüentar. De repente alguém de Belém conhece seu som.

Você é um baterista que lidera a banda, é meio raro ver um baterista líder de banda, não?
É. Acho que sei porque. Eu sofro um pouco para ouvir, cantar e monitorar a banda. É delicado. Acho que é por causa do lado técnico mesmo. O técnico de som reclama pra caramba porque você canta e vaza o som da bateria no microfone dos vocais.

E na gringa? como foi seu show no SXSW? (maior festival de música independente, que acontece em Austin, no Texas).
Bem doideira esse festival. Acho que eu não estava preparado. É muita coisa acontecendo. Umas 500 bandas no circuito oficial, fora o resto, que rola informal, nego tocando em boteco. Não consegui ver muita coisa porque fiquei perdido, se você não estuda a programação, você não vê nada.
Mas os shows que fizemos foram massa. Tocamos em uma festa fechada junto com o Money Mark, tecladista dos Beastie Boys, Tommy Guerrero, rolava também o lançamento de um filme ‘Beautiful Loosers’.

E o público de lá, como recebeu sua música?
Primeiro rola aquela coisa mais exótica de ‘música brasileira’, mas eles entram na onda total. O show é pra cima, para assistir de pé.

E no momento o que você anda fazendo?
Estou gravando o novo disco do Arnaldo Antunes. Ele vai fazer o disco agora, mas só vai lançar no ano que vem. As músicas estão muito boas, principalmente as letras. O Fernando Catatau está produzindo, o Edgard Scandurra tocando…

Não é aquela linha João Gilberto que ele fez da ultima vez…
Não. É mais rock, mais rock com referência anos 60, meio jovem guarda, meio surf music, mas não ao pé da letra também. É retrô sem ser saudosista.

Ouça aqui o Curumin.

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25 de agosto de 2008

X-Men mudam para capital gay dos EUA

repique2008 às 10:35

Sob nova direção

Os X-Men - os mutantes da Marvel -, os super-heróis mais populares das histórias em quadrinhos, mudam-se para São Francisco, na Califórnia - a capital mais gay dos Estados Unidos.

Depois de 40 anos baseados em Nova York, na próxima edição da série ‘Astonishing X-Men: Second Stage’, assinada pelo novo time (Warren Ellis e Matt Fraction), Wolverine e sua turma já aparecem não mais entre os prédios de Nova York, mas nas praias e montanhas da Costa Oeste; e estarão também mais liberais, progressistas, naturebas e relaxados, refletindo a moda e o comportamento da cidade.

"Não foi só uma mudança física, mas também espiritual". São Francisco é "a única cidade capaz de aceitar os mutantes da maneira como eles são", afirmou Axel Alonso, o editor da Marvel.

Bem ou mal, a analogia entre os mutantes e a comunidade gay é inevitável: descobrem-se diferentes de certa maneira, freqüentemente são forçados a disfarçar sua verdadeira identidade, e em algumas histórias são dizimados por vírus e epidemias bem similares a AIDS (mais comum nas revistas dos anos 90).

"Veja o Anjo. Agora ele pode andar pelas ruas com as asas para fora. Acho que agora poderemos ver vários personagens aproveitando estas novas liberdades, porque suas diferenças são abraçadas pela cultura local".

Se os heróis agora vão sair do armário… Um dos escritores, Ed Brubaker, não confirma – "isso pode acontecer desde que seja natural na trama".

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24 de agosto de 2008

Crônica: “O primeiro filme a gente nunca esquece”

repique2008 às 12:07

por Carol Lutz

A gente aprende muito coisa fazendo filmes…
Acho que a primeira coisa que eu aprendi foi deixar o glamour de lado e arregaçar as mangas, pois fazer filme dá muito trabalho. Muito mais do que eu imaginava.

Lembro da primeira vez que dirigi um filme. Era um curta-metragem de 10 minutos, em 16mm, colorido com som direto. Minha equipe tinha eu e mais três pessoas me ajudando, uma de cada país: Brasil, México, Itália e EUA. Eu escrevi o roteiro, produzi o filme, editei, e no set estava dirigindo e fotografando. Me sentia uma verdadeira equilibrista de pratos, coordenando para aquilo tudo acontecer direito.

Na véspera da filmagem, às 11 horas da noite, sentei para desenhar o storyboard das cenas que filmaria no dia seguinte, já que não tinha tido tempo durante a pré-produção. Para me inspirar, coloquei "Assédio" do Bertolucci na TV e olhando tudo aquilo, decidi usar no meu filme alguns planos seqüências enormes, achando que assim, facilitaria minha vida não tendo que "dividir" demais as cenas.

No dia seguinte, com meu storyboard à la Bertolucci incrível de baixo do braço, comecei a tentar iluminar a tal cena plano seqüência, onde a atriz ía da porta para o escritório, do escritório para a cozinha, da cozinha para o banheiro, do banheiro para o telefone na sala, e claro, tudo sem cortes, num apartamento de 40 metros quadrados…

Resultado: eu virava a câmera para um lado, via o tripé de um refletor, virava para o outro e lá estava meu colega com o Boom, desviava dele, via a garota gravando o som, mudava tudo, lá estava o outro refletor… Uma tragédia!

À beira de um ataque de nervos, resolvi dar um intervalo para então, rapidamente, dividir meu enorme plano seqüência em milhares de planinhos que dariam para iluminar, um de cada vez, sem a pretensão de querer virar Bertolucci numa noite.

Neste momento, olhei no relógio e já era quase meia noite. A equipe estava cansada, com fome, perdida, com sono, e pediu para ir embora. Eu, estava tudo isso, e mais: frustrada, triste, e com síndrome de abandono total. Dispensei a galera, deitei na cama entre cabos, filtros e fitas crepe, e chorei até dormir.

Este foi só o primeiro dia. Nos dias seguintes não vi TV, não procurei referências, e fiz tudo da forma mais simples possível, ou então não teria filme.

No final deu certo. Acho. O filme passou no cinema da faculdade e tudo. A galera curtiu, e vários amigos vieram comentar.

No escurinho da sessão, meu coração palpitou mais forte do que nunca, e se a luz estivesse acesa, as pessoas teriam visto uma garota muito mais do que vermelha… eu estava roxa! De emoção de vergonha, nem sei…

Só depois de alguns dias consegui absorver melhor tudo o que tinha acontecido durante o processo de fazer aquele filme e resolvi fazer uma listinha de coisas que eu não queria que se repetissem num segundo filme. A lista nunca acabou. A cada novo filme, mais coisas entram na lista de "isso eu NÃO vou fazer de novo"

Deste primeiro filme, feito há seis anos atrás, a listinha era:
1) Nunca deixar para decupar o filme às 11 da noite, na véspera da filmagem
2) Não tentar fazer planos seqüências enormes, com negativo, num lugar escuro e pequeno.
3) Não tentar dirigir e fotografar ao mesmo tempo, o primeiro filme em película.
3) Não esquecer de providenciar uma comida "honesta" para os atores e para a equipe
4) Não perder tempo encanada "no plano incrível que eu vi naquele filme" quando o tempo é curto e a lista de cenas, longa.
5) Não assistir Bertolucci na madrugada da véspera da filmagem.
6) Nunca deixar de curtir o set de filmagem ficando mais estressada do que feliz!

Boa sorte à todos que estão nessa empreitada!
Fazer filme é bom demais!

Carol Lutz
(educadora, cineasta e gestora da comunidade virtual Tela Brasil)

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23 de agosto de 2008

“As rádios de música eletrônica estão um lixo”

repique2008 às 12:21

Estreando a carreira em um selo internacional, e emplacando uma faixa na compilação do selo Kompakt, Total 9, o produtor e DJ João Lee fala ao Repique sobre o Dubshape – seu projeto de música em parceria com Alê Reis – “um dos maiores gênios de estúdio que eu conheço, tipo um Gui Boratto, só que o Gui é músico”; sobre balada, cena eletrônica no Brasil, novos nomes e dá suas dicas do que está ouvindo ultimamente.

João, você tem tocado muito? Como é sua rotina?
Tenho tocado direto, umas 14 noites por mês. Geralmente toco quinta, sexta e sábado; domingo relaxo; segunda, terça e quarta estou no estúdio produzindo. Faz mais de um ano que não tomo sol. Estou viajando muito, e dormindo pouco.

Onde você toca?
Em Campo Grande, Belo Horizonte, interior de São Paulo, Fortaleza, no Sul, e em São Paulo, onde tenho residência mensal no clube D-Edge.

E como é a balada nesses lugares?
Em Campo Grande é animal, toco no clube Garage. Em Fortaleza ainda está começando, não posso dizer que tem uma cena propriamente dita. Ribeirão Preto é o lugar mais bacana em que venho tocando - as três melhores festas que toquei esse ano foram lá, uma Space ‘We love Sundays’, uma da Ministry of Sound e outra sábado passado - todas em um clube de campo, o Galo Bravo. Rola uma produção inacreditável, uma festa ao ar livre, com palco ao lado de um lago, dois telões enormes ao lado, telão de LED ao fundo, TVs plasma. Toquei antes do Jimpster, um cara que toca um House mais moderno – não mais aquele com vocal de praia, e sim com mais força de pista.

E aqui no Brasil, como você avalia que está caminhando a cena da música eletrônica?
A cena está evoluindo bastante. O público está assimilando bem mais a música. Sempre tem lugar novo abrindo, e bastante festa pra tocar.
Só as rádios de música eletrônica que estão um lixo. Falam “agora com vocês a música mais tocada nas pistas” e não é a música mais tocada nas pistas.
Porque sempre tem gente que pede as mais conhecidas. E eu não sou esse tipo de DJ, que só toca hits de rádio. Nada contra, tem DJs que fazem isso super bem, mas eu faço muita pesquisa de música, quero mostrar coisa nova.

Pedem música pra você tocar?
Pedem, né. As pessoas gostam de cantar.

Tipo o quê?
Eric Prydz , que é um dos três maiores produtores do mundo, que faz um som meio electro-progresivo, Deadmau5… Que são legais, mas são óbvios.

E o quem são os produtores que você tem curtido mais?
Nick Curly, Robert Dietz, Luciano, Audiofly, Sascha Dive - que são produtores que estão ganhando espaço. E o Ricardo Villalobos – que é um gênio esse cara.

Quando você diz que esse cara é um gênio o que você avalia? Porque eu sou das pistas, DJ gênio pra mim é quem põe a pista pra cima.
É como guitarrista. Quem sabe tocar guitarra vê o que é difícil de fazer. A técnica dele, de produção de mixagem e set, como ele mistura as coisas, ele faz coisas super complicadas. Ele entende muito bem o que a pista quer ouvir e entrega.

E daqui para frente, o que vai rolar?
Vou viajar em setembro, passar duas semanas tocando na Europa, vou para Romênia, Alemanha, Barcelona e Londres.

Cinco músicas que o João Lee indica:
Kreon - Fuente
Alex Picone - Floppy
Kabele Und Liebe - Flodder
Mandy - Superman (Audiofly remix)
James Teej - I’m human now (Cassy remix)

E Droplet - a faixa do Dubshape que entrou na compilação da Kompakt, segundo João Lee “uma música mais emocional e bastante melódica”.
www.myspace.com/dubshape

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22 de agosto de 2008

Sem distribuidora, filme de Gael não vem ao Brasil

repique2008 às 12:42

Dessa vez o público brasileiro vai ter que se virar para assistir Science of Sleep (2006), o filme com roteiro e direção de Michel Gondry – o mesmo de o "Brilho Eterno de uma mente sem lembranças", com Jim Carrey; e também diretor de videoclipes de artistas como Björk, White Stripes e Daft Punk. No elenco, Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg, interpretando Stephane e Stephanie, respectivamente.

Exibido em pouquíssimas sessões das mostras do Rio e São Paulo em 2007, o filme não entrará em cartaz no circuito comercial brasileiro, devido à falência da distribuidora que comprou seus direitos. Não se tem notícias de outros títulos que foram nessa bancarrota.

Metalinguagem e semiótica
À essa altura muita gente já se virou no DVD importado, na pirataria e nos downloads - com legendas em português(!). Mas a ausência do filme do Gondry nas telonas será sentida. E o alerta está dado para os fãs e cinéfilos da saga do diretor e sua trupe (Charlie Kaufman e Spike Jonze) responsáveis por obras como "Quero ser John Malkovich" (1999), "A Natureza Quase Humana"(2001), “Adaptação” (2002), que inovam nas questões psiquê X narrativa cinematográfica.

A saga torta de Science of Sleep no Brasil já começou na tradução do título em português - ’Sonhando Acordado’, (por que não ‘A Ciência do Sono’, ou mais romântico ‘A Ciência do Sonho’?), quando já existe seu homônimo, a comédia blockbuster ’Sonhando Acordado’ - The Good Night, de 2007, do diretor Jake Paltrow com Danny DeVito e Penélope Cruz. (Antecipadamente, já se questiona como será a tradução para ‘Be kind, rewind’ (2007) - último filme do Gondry que deve aportar por aqui nas próximas mostras do Rio ou São Paulo.)

‘Science Of Sleep’ é a história de um tímido que não consegue dizer a uma mulher que a ama. Diz o diretor que a idéia nasceu de sua própria experiência de ter crescido sabendo expressar-se melhor em imagens que em palavras. O projeto levou sete anos para ficar pronto.

Introspecção total
Seu maior mérito é ter conseguido traçar uma narrativa linear, alternando entre sonho e realidade, confundindo heroísmo e maluquice, misturando idiomas - Francês, Inglês e até Espanhol, e explodindo de vez a linha entre o que acontece de fato, o desejo e a imaginação do personagem interpretado por Gael, como se estivéssemos diretamente conectados no seu eixo coração e mente.

A história transpõe para o cinema a impressão ‘não sei se estou acordado ou se estou sonhando’ através de uma produção simples e low-tech, que muitos diretores ou toda a tecnologia hoje disponível conseguiram reproduzir. Corra atrás.

E veja o trailer aqui.

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21 de agosto de 2008

SP: Festival de Curtas traz cinema de militância

repique2008 às 8:27

Começa hoje o Festival Internacional de Curtas de São Paulo - um dos mais importantes eventos do mundo em seu gênero. É a 19ª edição, dessa vez sob o tema ‘Política Viva’.

A programação, que vai de 21 a 29 de agosto, exibirá mais de 350 filmes, entre eles curtas premiados nos festivais de Cannes, Berlim, Locarno, Veneza e Clermont-Ferrand.

O Repique conversou com uma das mães do festival, a diretora Zita Carvalhosa, para quem “o curta-metragem é um formato de ponta, que propicia experimentação” e que “não atende aos ditames do mercado ou de quem é famoso”.

Repique - Zita, por que fazer um Festival de Curtas em tempos de YouTube?
Zita Carvalhosa - Festival é mais do que ver um filme. Nesse momento de tanta oferta de imagem, a questão do recorte ganha importância e valoriza o conjunto de obras selecionadas. O YouTube é uma experiência muito individual, você descobre e acessa sozinho. Em um festival você põe filmes juntos, seleciona, propõe um cardápio. É uma experiência coletiva, as pessoas saem da sala conversando sobre o que viram. É diferente de ver no YouTube ou em DVD. Acho importante usufruir da cultura juntos. Poder entrar em uma sala e assistir algo que você não escolheu e gostar é maravilhoso. No espírito “ops vou ver o que tem aqui”.

E o tema desse ano, ‘Política Viva’?
A cada ano sentimos no ar alguns assuntos que estão interessando. O curta-metragem é muito próximo da inquietação das ruas. É muito rápido, razoavelmente simples de realizar e bem possível. Enquanto fazíamos a programação fomos nos dando conta o quanto a política está no ar. E vieram as questões: A política é necessária? É horrível? São os políticos? Só existe política formal? A gente acredita que política é questão de interferência e de participação.
Esse tema é um desenho do festival, não quer dizer que todos falem de política. Trabalho também foi uma temática super presente. Há uns anos o tema Guerra estava presente em todos os lugares, era o assunto do momento, acho que devido ao 11 de setembro. Hoje parece que a questão é “como me coloco no mundo”. O público jovem, que é quem mais freqüenta o festival, está se perguntando “o que vou fazer?”

E essa idéia de "Carta Branca ao Submarino Vermelho", como surgiu?
Esse negócio de “Eu vou me dar bem sozinho” saiu de moda. As pessoas estão valorizando fazer parte de um grupo, se sentir “pertencer a”, se organizando em coletivos nas artes e no cinema. O coletivo Submarino Vermelho é uma inovação desse ano. Uma mostra especial assinada por um grupo de jovens de escolas de comunicação. Demos carta branca para eles proporem dentro do tema ‘Política Viva’ uma programação de curtas, e eles se organizaram em um grupo e selecionaram um cinema militante, sobretudo de intervenção e também produziram performances, debates e painéis, tudo isso para além das telas. Estamos curiosos para saber como vai ser recebido. O gostoso de fazer um festival há 19 anos é poder correr riscos.

Confira a programação:
19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo
www.kinoforum.org
período : 21 a 29 de agosto de 2008

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