Terra Magazine

11 de agosto de 2008

Um outro Pandolfo: o irmão mais velho d’Osgemeos

repique2008 às 9:22

O quarto elemento
O Repique descobriu o irmão mais velho d’Osgemeos, Arnaldo Pandolfo e teve o prazer de levar uma conversa - daquelas sem eira nem beira, cheia de alma e poesia. Como se verá adiante, Arnaldo é um artesão de maluquices, um Professor Pardal que vive no Cambuci, um desses seres que a gente pensa que não existe mais. Agradecimentos especiais à Nina Pandolfo.

Arnaldo, conta um pouco o que você está fazendo nesse momento?
Trabalho de assistente de arte, mas o que eu gosto mesmo é de mecânica, e de esculturas cinéticas (em movimento). Gosto de fazer as coisas funcionarem.
Hoje estou fazendo uma cabeça que se move - cabeça e olhos.É para meus irmãos Osgemeos. Eles vão fazer uma exposição em outubro em Curitiba. Por enquanto não posso falar mais, mas vai ser um bagulho mais maluco que o barco.

Ah, foi você quem fez o barco daquela exposição? (galeria Fortes Villaça, em São Paulo, set/2006)
Fiz o barco e tudo o que se movia ali. Um dia eu pus na cabeça de fazer uma bike, uma moto, um carro e um avião.
Comecei com as bikes. Fiz vários tipos até que saiu uma que eu gostei.


Essa é a reclinada. Andei nela durante uns cinco anos. Não cansa. Fiz o molde do banco sentando na areia, é como se estivesse sentado no sofá com os pés em uma mesinha central. Deitado mesmo. Tem dez vezes a área do banco de uma bike convencional – dessas que dói só de sentar. Depois de fazê-la fiz uma pesquisa e descobri que já existe lá fora. No Brasil é super cara. Você vê, esse é o meu processo, primeiro faço e depois pesquiso, para não contaminar.


Essa foi a primeira que eu fiz, mas é muito insegura, ficava com o pescoço duro. E se não serve para mim, não serve para ninguém mais. Fiz e desfiz. Acho que tenho síndrome de Penélope – a esposa de Ulisses que desmancha seu tricô todas as noites à sua espera.

Parece um mártir pedalando.
Sim tem o apoio do pescoço. Senão estaria fazendo flexão além de pedalar.


Essa outra minha esposa quando estava fazendo faculdade precisava de um produto para um trabalho de classe, que era desenvolver, fazer o marketing, comunicação, etc. Vendi a idéia de fazer uma bike. Foi para a votação da sala e ganhou, 40 votos a favor.
Foi preciso 14 outras bicicletas.

Agora parei, estou fazendo um carro. Um ‘Hot Rod’. Não tem cópia, fiz o chassis inteiro, peguei um Chevette por R$ 400pilas no ferro velho, joguei fora toda a lataria e estou fazendo uma nova, baseado em um Ford 32 - baixinho sem pára-lama - para exposição.
Totalmente underground. Não tem documento. E o dia em que terminar vou para Santos.

E você não tem medo que a polícia te pare?
Eu quero que me parem. Faz parte. Mas certeza! Invento uma história que é de um filme da Globo, algo assim.

Bom, depois desse carro vem o avião?
O avião eu já fiz. Inverti tudo. O avião veio antes do carro porque quis participar daquele campeonato Flugtag. No mesmo dia que resolvi participar passou aqui um catador de lixo com livros sobre aviação, comprei todos na hora. Achei um ótimo sinal.
Daí foram 500 desenhos para escolher 40. Tive um mês para fazê-lo sozinho. Chamei de ‘Vaivôa’ – o apelido do meu avô que era Lituano – porque quando perguntavam a ele o que ele queria ser quando crescer ele respondia “Eu vai vôa”. Saiu, no dia do campeonato, quando sentei e disse agora ‘empurra!’ quebrou na rampa. Estava até a equipe de filmagem do Luciano Huck. Eu todo vestido de passarinho, o povo deve ter pensado, “putz, esse tiozinho é louco”.

Tipo o padre dos balões de gás hélio…
Nossa, muito louco esse padre, uma vontade de voar acima da segurança. Acho dez.
Mas ainda vou voar. Quero voar em um objeto que eu mesmo tenha feito. Ainda não parei com isso. Quero sentir o vento no rosto. Ver como um passarinho se sente.

Uma asa delta não seria suficiente?
Asa delta tem para vender. Muito comum. Você vai à loja e paga em até três vezes. Não tem o gostinho de fazer. Eu gosto mais do caminho do que da chegada.

Mas essa genética da família Pandolfo é uma loucura.
Meus irmãos tiveram alguma influência minha. Quando eles nasceram eu já tinha onze anos. Aos 14 eu já desenhava e eles por isso descobriram isso bem cedo .

Posso dizer que vocês são muito poéticos e românticos, cada um à sua maneira.
Na linguagem e acabamento a gente é diferente, mas a essência é a mesma.

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1 Comentario »

  1. Eu tinha um colega de colégio que se chamava Arnaldo Pandolfo. Estudei na Escola Estadual de 1º e 2º Graus “Eduardo Carlos Pereira” onde fiz até a 5ª série e depois passei para o Firmino de Proença que era bem ao lado, ambos colégios públicos localizados no bairro da Mooca. Eu me lembro de ter estudado com um Arnaldo Pandolfo só não sei se é esse inventor mesmo.

    Comentário por Eliana — 14 de maio de 2012 @ 2:12

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