Terra Magazine

23 de agosto de 2008

“As rádios de música eletrônica estão um lixo”

repique2008 às 12:21

Estreando a carreira em um selo internacional, e emplacando uma faixa na compilação do selo Kompakt, Total 9, o produtor e DJ João Lee fala ao Repique sobre o Dubshape – seu projeto de música em parceria com Alê Reis – “um dos maiores gênios de estúdio que eu conheço, tipo um Gui Boratto, só que o Gui é músico”; sobre balada, cena eletrônica no Brasil, novos nomes e dá suas dicas do que está ouvindo ultimamente.

João, você tem tocado muito? Como é sua rotina?
Tenho tocado direto, umas 14 noites por mês. Geralmente toco quinta, sexta e sábado; domingo relaxo; segunda, terça e quarta estou no estúdio produzindo. Faz mais de um ano que não tomo sol. Estou viajando muito, e dormindo pouco.

Onde você toca?
Em Campo Grande, Belo Horizonte, interior de São Paulo, Fortaleza, no Sul, e em São Paulo, onde tenho residência mensal no clube D-Edge.

E como é a balada nesses lugares?
Em Campo Grande é animal, toco no clube Garage. Em Fortaleza ainda está começando, não posso dizer que tem uma cena propriamente dita. Ribeirão Preto é o lugar mais bacana em que venho tocando - as três melhores festas que toquei esse ano foram lá, uma Space ‘We love Sundays’, uma da Ministry of Sound e outra sábado passado - todas em um clube de campo, o Galo Bravo. Rola uma produção inacreditável, uma festa ao ar livre, com palco ao lado de um lago, dois telões enormes ao lado, telão de LED ao fundo, TVs plasma. Toquei antes do Jimpster, um cara que toca um House mais moderno – não mais aquele com vocal de praia, e sim com mais força de pista.

E aqui no Brasil, como você avalia que está caminhando a cena da música eletrônica?
A cena está evoluindo bastante. O público está assimilando bem mais a música. Sempre tem lugar novo abrindo, e bastante festa pra tocar.
Só as rádios de música eletrônica que estão um lixo. Falam “agora com vocês a música mais tocada nas pistas” e não é a música mais tocada nas pistas.
Porque sempre tem gente que pede as mais conhecidas. E eu não sou esse tipo de DJ, que só toca hits de rádio. Nada contra, tem DJs que fazem isso super bem, mas eu faço muita pesquisa de música, quero mostrar coisa nova.

Pedem música pra você tocar?
Pedem, né. As pessoas gostam de cantar.

Tipo o quê?
Eric Prydz , que é um dos três maiores produtores do mundo, que faz um som meio electro-progresivo, Deadmau5… Que são legais, mas são óbvios.

E o quem são os produtores que você tem curtido mais?
Nick Curly, Robert Dietz, Luciano, Audiofly, Sascha Dive - que são produtores que estão ganhando espaço. E o Ricardo Villalobos – que é um gênio esse cara.

Quando você diz que esse cara é um gênio o que você avalia? Porque eu sou das pistas, DJ gênio pra mim é quem põe a pista pra cima.
É como guitarrista. Quem sabe tocar guitarra vê o que é difícil de fazer. A técnica dele, de produção de mixagem e set, como ele mistura as coisas, ele faz coisas super complicadas. Ele entende muito bem o que a pista quer ouvir e entrega.

E daqui para frente, o que vai rolar?
Vou viajar em setembro, passar duas semanas tocando na Europa, vou para Romênia, Alemanha, Barcelona e Londres.

Cinco músicas que o João Lee indica:
Kreon - Fuente
Alex Picone - Floppy
Kabele Und Liebe - Flodder
Mandy - Superman (Audiofly remix)
James Teej - I’m human now (Cassy remix)

E Droplet - a faixa do Dubshape que entrou na compilação da Kompakt, segundo João Lee “uma música mais emocional e bastante melódica”.
www.myspace.com/dubshape

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1 Comentario »

  1. Ouvi a Track Exit Only no myspace…! recomendo!

    Comentário por Ken — 23 de agosto de 2008 @ 13:44

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