Jair Oliveira: ‘Desafinados’ não é só Bossa Nova

Estréia hoje ‘Os Desafinados‘, o filme dirigido por Walter Lima Jr., com Rodrigo Santoro, Selton Melo e Claudia Abreu nos papéis principais. O longa, que já está conhecido como “o filme da Bossa Nova”, conta a história de um grupo de amigos – músicos e compositores - que partem para Nova York, em busca de sucesso. O Repique conversou com um dos participantes, Jair Oliveira, outrora o Jairzinho, que comenta toda a parte musical do filme e anuncia seus novos projetos.
E aí, curtiu sua participação no filme ‘Os Desafinados’?
Curti, sou muito fã de cinema, sou muito fã do Walter Lima e estava muito interessado na história que ele queria contar. Achei bom ele ter chamado dois músicos para formar uma banda com outros atores, todos nós nos conhecemos ali, e esse processo desenvolveu uma amizade entre nós que transparece no filme e transcende o filme.
Enquanto ensaiávamos - as cenas e as músicas, dois meses antes de filmar, houve um momento de muita união e entrosamento da banda.
O Ângelo Paes Leme tem formação musical, já fez aula de piano, toca violão, no filme ele realmente toca sax. O Santoro – eu fiquei impressionado com a dedicação e profissionalismo dele. Ele aceitou o desafio de tocar piano – o que não é nada fácil, e tem cenas em que ele toca mesmo. Obviamente não a cena do final.
O Walter teve muito essa preocupação de passar uma realidade, porque ele poderia ter feito todo mundo fingindo, dublando um playback.
Quer falar da música do filme?
O filme não fala só sobre música. Todo mundo está simplificando falando que é um filme sobre a Bossa Nova, mas é muito mais que isso, é sobre uma banda, sobre relações, sobre amizade. Claro que fala dessa época da Bossa Nova, tem todo o contexto do Brasil nos anos 60, 70, retrata a transição para a ditadura e como isso afetou os músicos, de uma forma muito poética.
A trilha sonora ficou nas mãos do Wagner Tido que é um craque e que passou por esse período, ele conhecia várias histórias e pessoas dessa época, e participou ativamente da Bossa Nova.
O filme foi rodado em 2005 e por uma conjunção de fatores – desde viabilização de patrocínio até a realização do jeito que o Wagner queria – acabou sendo lançado só agora. Teve essa coincidência boa de ser lançado esse ano, o que aproveita as comemorações da Bossa Nova.
E agora, o que você anda curtindo?
Continuo na música. Agora estou em um projeto muito especial, em que eu compus doze músicas inspirado nas relações entre pais e bebês – que é o momento que estou vivendo. Fiz umas parcerias com um monte de gente que também está vivendo essa parada – Seu Jorge, Rogerio Flausino, João Suplicy e Maria Paula (entre outros). Vamos lançar o álbum até o fim do ano.
Por qual gravadora?
Desde 2005 que eu tenho meu próprio selo, o ‘S de Samba’, em parceria com o Simoninha. Já lancei meu disco e DVD, o álbum da minha irmã (Luciana Mello), o álbum do Simoninha, ‘O Melhor’.
Eu acho que o caminho da música é a internet, é ser independente. Pelo menos eu aposto nesse caminho. As gravadoras vêem a internet como inimiga, mas é parceira. A música não vai morrer nunca. Só vai expandir. O mercado fonográfico é que encolheu.