Terra Magazine

3 de setembro de 2008

X-Plastic: a única produtora de Alt Porn no Brasil

repique2008 às 9:21

Dando seqüência para o tema “Alt Porn” – o gênero de vídeos pornôs mais pop do momento, o Repique estende a conversa com um dos donos da X-Plastic – a única produtora de Alt Porn no Brasil, para ficar por dentro de como é feita a produção dos filmes, e o caminho e proporção que a coisa tomou no mercado. A idéia foi deixá-lo falar à vontade e pontuar uma ou outra pergunta para dúvidas e curiosidades.

Lá vai, Alt Porn, parte 2 de 3, produção da X-Plastic:

Como começou essa história de fazer ‘Alt Porn’?
Começamos… Éramos três caras, a gente tinha uma banda de punk rock e todos gostavam de pornografia. Queríamos usar nossa influência de rock e levar isso para a pornografia, daí resolvemos fazer um vídeo com umas bonecas, tinha até trilha do Toy Dolls (trio de punk rock dos anos 80), e o pessoal gostou.

Depois gravamos um vídeo com uma mulher só – a Estela Santos, uma atriz pornô famosa na época, o que acabou ajudando a divulgar o filme. A história era uma entrevista com ela, intercalando com cenas de sexo virtual. Foi nossa primeira experiência gravando com uma pessoa. Foi totalmente despretensioso e acabou rolando no Festival Mix Brasil (de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual). Foi um aprendizado, porque participar de festivais dá muito retorno.

Mas era filme gay?
Não. O Mix não é só gay. E também a gente não tem nenhum problema, não temos essa limitação – “a gente faz filme hétero”, mas até agora nunca teve uma cena de gay masculino.
As locadoras é que dividem isso em segmentos.

Bom, e os festivais que vocês participavam eram onde?
Na Alemanha, Lisboa, Grécia… Os curadores geralmente compram acervos dos festivais.

Participamos até do Festival Porta Curtas da Petrobras, foi o 2º mais votado pelo público – acho que porque o cartaz chamava muita atenção.

Depois fizemos ‘Histórias Sujas’ em VHS, com uma mina tatuada, linda. Ela era conhecida, freqüentava a ‘Verdurada’ – um churrasco de verdura que rolava no Jabaquara. Tinha uma câmera só, a gente só sabia apertar REC, editava tudo de vídeo pra vídeo e acabou que ficou legal. Vendia só em fanzine e em uma loja no Centro, que era um cubículo. Vendeu super bem. Nessas, a gente começou a juntar grana para gravar outro. Tirava dinheiro do bolso. Até que em 2002, gravamos o ‘Nerd Sex’, em DVD, em um dia só e colocamos para vender na Galeria do Rock.

Qual era a tiragem nessa época?
Uns 100, 200 DVD-Rs.

Anunciamos em blogs que queríamos músicas de bandas para colocar nos vídeos.
Daí veio um e-mail do Wander Wildner – o guitarrista e vocalista da banda gaúcha Os Replicantes (punk dos anos 80), mandando três músicas. Foi o máximo porque a gente era fã dos Replicantes. E isso ajudava entre o público que curtia o som.

Em 2005, lançamos o ‘Overdrive’, no esquema independente ainda, com uma atriz pornô, a Tamiry Chiavari. A essa altura a gente já tinha um site – vendia os vídeos pelo site, nas lojas do Centro e na Galeria do Rock. E a imprensa começou a acompanhar o movimento. Foi quando saiu uma matéria na (revista) SEXY, e um cara da Explícita, que é uma distribuidora, ficou interessado e resolveu lançar.

Fechamos o contrato de um DVD para ver como ia ser e fizemos ‘Os Libertinos do Século XXI’, que foi pra a locadora. Já era um DVD de verdade, prensado, e não mais um DVD-R.
Acho que foram umas mil cópias.
O cara gostou e fechamos outro contrato, agora de três DVDs, em que já fizemos dois: ‘O Indulgência’ que é mais hardcore, voltado para SM (sado-masoquismo), e o ‘Geração Perdida’ (foto abaixo), que tem um pessoal com visual modificado – tatoos e piercings.

E quem são essas pessoas que participam dos filmes?
A maioria das pessoas chega até nós porque têm idéias, escreveu um roteiro e quer mostrar, ou quer fazer alguma coisa – fazer câmera, foto, ou participar. Todo mundo quer colaborar.
Uma vez apareceu aqui uma mina totalmente careca, que fugia totalmente do perfil de atriz pornô. Não era do mercado. Ela viu, gostou, se ofereceu e participou.

Mas vocês só filmam com amadores?
Não, sempre mistura. Não dá para fazer só com amador porque esse mercado ainda está em formação.

E não é nenhum mar de rosas. Tem gente que está ali só pela grana. A gente procura conhecer a pessoa e saber a intenção porque só a grana não justifica. Tem que ter vontade, porque depois que você lança não é mais só seu. Cada um vai ver de um jeito.

Uma vez uma bailarina queria participar, ela gravou e nem quis saber do cachê. Fez porque tinha vontade mesmo. Fetiche.

De quanto é o cachê?
O cachê da indústria varia de R$ 500 a R$ 1mil por cena. Gasta-se 70% em cachê. Sobra bem pouca grana.

Vocês ganham dinheiro com isso?
Toda a grana que a gente ganhou, a gente reinvestiu. Ninguém está rico. No mínimo a gente se diverte muito. Vale muito à pena.

Putz, você ainda tem outro emprego?
Sim, sou formado em administração, trabalho no mercado financeiro. Os filmes pornôs - eu comecei a fazer bem antes, em 98, são meu ‘night job’. É o que gosto mais, o resto é tricô.

E vocês fazem tudo – roteiro, direção e produção?
A gente escreve, produz e dirige. A intenção é ter controle total.
Hoje a gente já grava com três câmeras, põe efeito de 24 frames por segundo para ficar com visual de cinema. Faz ângulos mais loucos e ágeis. Nossas referências estéticas são filmes pornôs dos anos 80 e 90; (o fotógrafo) Roy Stuart, (o livro) Motel Fetiche… alguns livros da Taschen (editora inglesa).

Pô, e fica massa assim?
(Faz uma cara ótima reconhecendo a limitação) Não, não fica. É uma referência. Uma coisa a ser atingida.

E com que outras referências vocês trabalham?
Tem a Belladonna,uma atriz pornô, nossa musa superior. Ela nem é a mais bonita, mas ela tem a cara certa, ela olha de um jeito certo, é maluca. E dirige também. E tem a Bobbi Starr também (foto).

E como são feito os roteiros? Quem faz?
A gente quem cria o roteiro baseado em muitas coisas- situações que quer viver, que viveu, ou adaptações do que viveu.
As maiores limitações são a falta de tempo – só grava uma cena por dia, em poucas horas porque as pessoas têm compromissos; os equipamentos – hoje é tudo digital, e a gente ainda não grava em HD. Só agora a gente está conseguindo parar para pensar nisso, porque ninguém fez faculdade de cinema ou curso de edição. A gente sempre fez tudo.
O vídeo da Estela Santos, por exemplo, todo mundo estava na faculdade, e editamos lá mesmo falando que era o TCC – (Trabalho de Conclusão de Curso).

E agora, qual a próxima história?
Agora a gente acabou de gravar uma história baseada na figura da “Loira do Banheiro” – a lenda urbana da loira que ataca no banheiro, em vários banheiros. É uma comédia, e está bem claro que não é para levar a sério. A gente não quer que o cara assista e se masturbe. É uma informação um pouco maior. Pornografia é meio engraçado, se você assiste em grupo, todo mundo dá risada.

Meio pornochanchada?
A gente não consegue fugir da comédia. Tem influência da pornochanchada sim. A gente é brasileiro, filme brasileiro antigo sempre tinha cena de sexo. Crescemos vendo Sexta Sexy. E nos interessamos por pornografia como um assunto.

Tem um capítulo dentro do Libertinos do Século XXI que é bem pornochanchada – “Mulheres honestas não valem uma dose de conhaque” que é a história de uma crente que vai encontrar um cara em um bar na Praça do Correio. É bem machista, filmamos com um cara que o apelido dele é Russo, que tem um visual perfeito - uma cara de canalha, que funcionou perfeito para o que a gente queria - um Bukowski da Boca do Lixo. Ele queria fazer, era um cara gente boa, fácil de gravar, que tem um visual de gente normal – alguém que você realmente encontra na rua.

E camisinha, sempre usa?
Usa camisinha. As pessoas querem ver filme pornô sem, mas a gente sempre coloca,e insere na cena, faz uma mina colocando… Faz parte. Nosso público é mais jovem. Tem uma responsabilidade.

Do contrário seria a mesma hipocrisia de quando você precisa de um motoboy – quando dirige no trânsito você reclama, quando pede, você quer que o cara venha voando.

E Viagra?
Viagra rola em todos. Não existe filme pornô sem Viagra hoje. Mas é importante que as pessoas entendam que aquilo não é real. O cara não tem ereção 100% do tempo.

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4 Comentários »

  1. A bailarina era uma santinha né?? KKKK
    Muito boa essa matéria, mata a curiosidade de muita gente que quer saber sobre os bastidores desse tipo de produção.
    http://www.superperolas.com

    Comentário por Super Pérolas — 3 de setembro de 2008 @ 10:25

  2. Nossa, primeira vez que eu vejo esse blog, e adorei.E também gostei dessaq matéria, a X-Plastic esta de parabéns, em mostrar que pornografia não é só baixaria, gostaria de saber o site deles…
    valeu…Beijos

    Comentário por Camila Golfetto — 3 de setembro de 2008 @ 13:29

  3. Nossa, primeira vez que eu vejo esse blog, e adorei.E também gostei dessaq matéria, a X-Plastic esta de parabéns, em mostrar que pornografia não é só baixaria, gostaria de saber o site deles…
    valeu…Beijos

    Comentário por Camila Golfetto — 3 de setembro de 2008 @ 13:29

  4. Fenomenal, estava mais que na hora de alguém usar Bukowski, Sade na pornografia. Parabéns ao pessoal da X-plastic.

    Comentário por Rodrigo Bier — 3 de setembro de 2008 @ 19:51

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