Priscila Fantin: entrei de peito aberto no teatro

Quero ser pop e muito mais
Vergonha dos pés – o primeiro livro de Fernanda Young, escrito quando tinha seus 25 anos de idade, é agora adaptado para o teatro. Priscila Fantin, a atriz de novela global, 25 anos, encara a tarefa de interpretar a personagem Ana, ao lado de Danton Mello – e expõe a cabeça e os desejos de uma garota que estréia na vida adulta, eloqüente e imprevisível, e sonha em ser escritora.
O Repique falou com Priscila para saber mais sobre esse movimento em sua carreira.
Como foi estrear nos palcos do teatro?
Eu via o teatro como outra maneira, outro veículo para exercer minha profissão, mas é muito mais do que isso. O teatro é outro mundo, assim como o cinema, a TV… Não consigo mais comparar depois que estreei.
São técnicas e formas distintas de um mesmo trabalho. O ator não passa de mais uma peça em toda a engrenagem. Está ali inteiro com seus instintos, seu talento, sua capacidade de interpretação.
Como não sabia absolutamente nada sobre esse novo mundo, entrei de peito aberto, disposta a experimentar.
O texto é bem longo e difícil para quem está estreando, não?
Foi como ensaiar um longa praticamente. Logo no começo, nos primeiros dias de ensaio, o que pensava ser monótona repetição, foi se apresentando um manancial de possibilidades para explorar as diversas faces da personagem.
O mesmo texto sendo ensaiado todos os dias de formas sutilmente diferentes. É bem diferente de TV, no teatro existe a repetição, você faz diversas vezes a mesma coisa e de modos diferentes.
O trabalho de voz foi uma surpresa, porque falo baixinho. A preparação corporal também foi de grande importância para o resultado. Na reta de chegada, quase na estréia, o nível de adrenalina subia a cada hora.
Como você escolheu o texto? Algo a ver com o fato em comum entre a idade em que Fernanda Young o escreveu e você agora interpretando?
Foi a produtora, Michelle, quem me mandou o texto em fevereiro. Foi a primeira vez que uma peça de teatro me tocou. Já tinha recebido vários textos desde que comecei a atuar, há 9 anos, e nenhum me instigou. Escolho o que faço muito pela intuição. Leio respirando aquelas palavras, observando qual sensação me provocam. Vim para São Paulo fazer uma leitura na casa da Fernanda. Admirava já o trabalho dela e conhecê-la foi uma surpresa. Ela é mais do que uma autora. Ela é doce, culta, autêntica. Um ícone por si só. Falei para ela que estava com 25 anos e concordamos sobre essa fase da vida.
Tem bastantes traços autobiográficos da Fernanda no texto…
Ana é tudo ou um pouco do que a Fernanda é, um pouco de mim e um pouco de todas as meninas. A adaptação chegou pronta às minhas mãos. A própria Fernanda adaptou. Ela não participou do meu processo criativo e só fui ler o livro na semana da estréia. A inspiração para Ana vem dos meus próprios questionamentos, ela foi ganhando vida por si só.
Você tem medo das críticas?
Acredito que as críticas são para serem levadas em consideração desde que o crítico em questão saiba profundamente do que está falando… Vou ter que esperar as primeiras para responder essa!
E São Paulo, você está curtindo morar nessa cidade?
Gosto do ritmo “workaholic” de São Paulo. Estava disposta a entrar nessa engrenagem e na verdade, eu quis vir morar aqui. Gosto de mudanças, de estipular “fases”. Nasci em Salvador, com quatro meses já estava em São Paulo, com dois anos em BH, depois Rio de Janeiro dos três aos seis, até ficar de vez em BH, por dez anos! Fui para os EUA, depois fui trabalhar no Rio. Há quase nove anos, tendo passado alguns meses não consecutivos em outras cidades como Aracaju ou viajando, agora vim para cá. Faz parte da minha vida. Aqui as pessoas olham, comentam, conversam comigo, mas respeitam meu espaço.
Vergonha dos Pés, com Priscila Fantin, no Teatro Folha, em São Paulo
Até 28 de setembro, sexta, às 21h30; sábado, às 21; domingo, às 20h
Ainda é cedo para tecer comentários, pois não ví a peça. Aguardemos a “avant-première” e o desenrolar dos acontecimentos.
Acredito que a FANTINI vá se sair bem na nova jornada! Desejo-lhe pleno sucesso!
Comentário por M. R. de Almeida — 22 de setembro de 2008 @ 12:34