DJ americano lança documentário sobre funk carioca

O DJ americano Diplo se joga na favela do Rio de Janeiro e produz um documentário sobre Funk Carioca, o Favela on Blast, em parceria com o mineiro Leandro HBL. O filme será lançado na próxima semana, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro.
Enquanto não chega por aqui, o Repique conversou com Diplo para saber como aconteceu de ele produzir esse filme. E na semana que vem mergulhamos no documentário e na cena Funk Carioca propriamente ditos.
Diplo, como aconteceu de você realizar um documentário sobre o Funk Carioca?
Bom, é bem fácil de levar uma câmera na favela, gravar dez minutos e sair com um filme bem louco. A favela é um dos lugares mais dinâmicos, malucos e misteriosos no mundo. Então eu estava indo até lá, desse jeito, em um lugar nem um pouco normal desde que venho ao Brasil, há cinco anos; não falava português, só falava o idioma ‘música’, como Miami Bass e seus termos técnicos.
Lá chegando, foi uma viagem encontrar artistas e músicos e ver essa cultura que não se apóia no sistema para sobreviver. São apenas pessoas com dinheiro na mão fazendo essa cena com energia. O que no início significou um pequeno pedaço de cena, acabou virando um documentário dois anos e meio depois.
Você pode comparar a cena do Funk Carioca com outras que você tenha visto?
O Rio tem 100mil pessoas fazendo Funk Carioca e 5milhões de fãs só na cidade. Eles já nasceram nessa música pósmoderna e com esse estilo de vida. É bem mais intricado. Em outros lugares, como Nova York ou LA, havia o sistema e a cena Funk se desenvolvendo junto.
Você é conhecido por trafegar nos ‘ghettos’ do mundo inteiro e trazer à tona a música desses lugares.
Comecei em casa, fazendo música, tocando em um club na Filadélfia e Baltimore. A princípio, eu gostava de promover essa música porque não existiam lugares que as tocasse. É uma música feita com nada e que faz as pessoas se mexerem. E foi uma reação contra a música polida, certinha que tocava nas rádios e clubes.
Eu estava apenas mexendo com o tipo de música que gosto - o fato de ser música de gueto ou qualquer outra definição foi só uma coincidência. Mas as pessoas começaram a gostar, e eu comecei a fazer rádio, colocar na internet, comecei com o selo Mad Decent, que foi reunindo músicas e artistas de vários lugares - New Orleans, Miami, Rio, Baltimore, África, Austrália, Suriname… Chicago – apenas as cenas que eu queria mostrar e introduzir, e nessas, acho que acabei começando uma discussão global entre os clubbers normais e ‘ghetto kids’. Hoje todo mundo está no Myspace e troca influências.
Essa mistura toda acabou bem popular…
Eu acho que produtores jovens como eu, como Switch, Justice, Crookers, até mesmo os grandes produtores de Hip Hop, tem o ideal de misturar culturas. Não é misturar músicas locais por diversão, mas misturar influências.
Todos nós, originalmente, éramos fãs de Hip Hop, o que significa que a gente começou a aprender a fazer música sem discriminação, com negros e brancos, rhythm & blues e country, underground e comercial, ópera e África!
Tudo o que você precisa é um linha de baixo grave e as batidas.
Você pode ouvir isso quando o Timbaland faz um hit com uma música egípcia para rapper pop, ou quando a MIA faz uma música comigo tirando sarro de algum hit rapper, ou usa alguma influência de música japonesa… está todo mundo atento a tudo. Isso é uma das melhores coisas da globalização.
O que você tem ouvido ultimamente?
Eu gosto dessa banda nova chamada Myspace… que tem 2234498741923749 músicas e algumas são boas!
De verdade eu gosto de tudo. Os grandes álbuns do ano que estou curtindo são Kala, da MIA e Santogold, que foram dois que produzi; Burial e Rusko, ambos ingleses; Busy Signal… Música de vocais como Lykke Li e Adele; Músicas do meu selo, claro – Blaqstarr e Boy 8-Bit…
Qualquer coisa que se apresente e preste, estou nessa.
Mais Diplo para você: www.myspace.com/diplo