Terra Magazine

26 de setembro de 2008

Rita Lee: curti a carreira “até o fundo do poço”

repique2008 às 0:15

Sabedoria e impermanência, comédia e transformação.
Do alto da montanha, ali no monte de onde se enxerga a vida e tudo vê, Rita Lee reina sobre os 40 anos de sua carreira. Do rock ao romance. Quem nunca teve um verso de Rita agarrado na cabeça?

Pois, hoje é dia de show, a volta da turnê Pic-Nic nesse sabático fim de semana em São Paulo. Diversão garantida, para o público e para ela, que já declarou assim seu prazer de estar no palco: “Quando saio de lá a farra continua no camarim recebendo os fãs e ouvindo deles que não posso nunca parar de fazer show porque suas vidas virariam um tédio. Mal sabem eles que o tédio é todo meu quando estou longe do palco…”

O Repique conversou com Rita, trocando e-mails, aproveitando tamanha generosidade de um bate papo assim leve, sem grandes pretensões.

Rita, qual o repertório do show Pic-Nic?
Paulinha querida…o repertório do Pic-Nic muda conforme o humor do dia, nossa bagagem musical é grande e sempre tem alguém na platéia pedindo uma música que não está incluída, mas há os hits de sempre, uma música nova que se chama "Tão" e algumas que entram e saem.

E o episódio do roubo de sua guitarra, você conseguiu recuperar? (Há cerca de um mês, Rita Lee ofereceu recompensa no valor de R$ 10 mil a quem tivesse informações sobre o paradeiro dos instrumentos musicais usados no show).
Não recuperamos nada do que foi roubado, você se descabela, fica com vontade de comprar um revólver, mas depois chega um momento zen em que a gente aceita a impermanência do universo e pratica o desapego, fazer o quê?

Que músicas até hoje remanescem dentro de você?
São tantas que nem dá para enumerar.

Olhando para sua carreira, que fase você curtiu mais?
Todas, até as do fundo do poço.

Qual foi seu melhor verso?
Não saberia dizer, a sensação que tenho é que psicografo frases que vêm de outras dimensões.

Alguma que tenha sido um recado especial?
Me lembro de quando escrevi "Doce Vampiro" eu tinha o Roberto na cabeça o tempo todo.

Houve alguma música que você tem carinho especial e que por alguma razão inexplicável não tenha emplacado?
Nunca entendi o que faz com que uma música faça sucesso.

Você tem tocado muito no exterior? Onde você mais gosta de tocar?
Paulinha, dear… tenho a maior preguiça de me deslocar num avião por mais de 3 horas, daí que prefiro me apresentar na América do Sul, principalmente na Argentina.

Mas recentemente você esteve em Portugal. Como é tocar por lá?
Em Portugal sempre é bom, o povo é respeitoso e carinhoso, além de ser um país cheio de belezas históricas que tanto têm a ver conosco… a comida é de se comer ajoelhada.

Como você enxerga a produção musical dos dias de hoje, o fato de as grandes gravadoras estarem penando; e de bandas, do nada, surgirem no MySpace e emplacarem da noite para o dia?
As gravadoras majors estão na UTI e só servem para artistas que são grandes vendedores de disco. O futuro da música planetária está na net.

Você navega muito na web?
Já usei bem mais do que hoje, gosto de ler os jornais nacionais e estrangeiros, biografias, sites esotéricos, de humor negro…mas odeio bater papo!

O que você tem ouvido ultimamente?
Só ouço música instrumental, das clássicas às eletrônicas, ando sem saco para a palavra falada e cantada, para os discursinhos. (Nota do Repique: João, filho de Rita Lee, é DJ e produtor das batidas eletrônicas, com direito a músicas no selo alemão Kompakt, considerado um dos melhores).

E o que você tem lido de bom?
Já a palavra escrita eu consumo tudo o que me aparece na frente, minha última mania é literatura policial.

Quer falar de política? Já sabe em quem vai votar?
Ainda não decidi em quem vou votar, talvez seja a primeira vez que meu voto será em branco.

E como anda sua vida de rock star?
Fora do palco sou apenas uma vovó normal.

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1 Comentario »

  1. Um casal de Rockeiros fantásticos; Rita Lee e Raul… imortais; sem comentários…

    Comentário por Gilberto Gonçalves — 26 de setembro de 2008 @ 10:56

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