Terra Magazine

7 de outubro de 2008

Osgêmeos inauguram exposição inédita em Curitiba

repique2008 às 8:53

O mundo paralelo d’Osgêmeos
Foi inaugurada nesse sábado, 04 de outubro, no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, a exposição ‘Vertigem’ da dupla de grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo - Osgêmeos. O Repique bateu um papo com Gustavo para saber mais.

Oi Gustavo, conta um pouco sobre a exposição de Curitiba, a ‘Vertigem’.
É uma exposição inédita, com obras inéditas que fizemos em São Paulo no decorrer de quase quatro meses. Tem essa coisa mágica que a gente trabalha, nossas cores – o rosa, azul, verde e amarelo. Tem um clima para fazer com que as pessoas se sintam entrando num mundinho. Parece um bunker.
Tem pintura em telas e na parede, esculturas e uma instalação em que as pessoas interagem, chamada “Os músicos” – com caixas acústicas nas paredes com faces pintadas. Essas caixas estão conectadas com os instrumentos, todos pintados como rostos com uma boca na saída de som, à disposição para quem quiser improvisar, fazer qualquer tipo de som – com harmonia ou sem, ou agressivo. A idéia era de colocar a palavra na boca da pessoa, porque o som quando sai parece o instrumento falando.

Acho que quando falei com o Arnaldo, (irmão mais velho da dupla), ele estava fazendo a escultura…
A escultura é super grande, uma cabeça, um busto na verdade, que tem como suporte um carro, revestido de madeira e ferro. Não dá para ver que é um carro, e no museu, ela está estática, mas ela anda, mexe 360º, mexe boca, olhos. A idéia é fazer uma performance, fazer circular na cidade, só que precisa de alguém lá dentro – duas pessoas, uma para dirigir, outra para manipular.



E o tema da exposição, por que a ‘Vertigem’?

A vertigem do pensamento, da cabeça. Sabe o momento em que você está falando com alguém, mas sua cabeça não está nesse lugar? A gente quis mostrar como a cabeça pode ir longe.

E os personagens de vocês? Vocês trabalham personagens urbanos e regionalistas…
É uma coisa só, mesmo sendo de áreas diferentes - da área rural ou urbanos, são personagens que vivem dentro das nossas cabeças. O real, o surreal, o imaginário – são uma coisa só. Todos os nossos desenhos são o PAUSE de uma cena que está acontecendo na nossa cabeça. Eles estão vivos. A cena está viva. Nossa pintura está em movimento. A gente reproduz coisa que sonhou. Às vezes acontece de a gente ter o mesmo sonho.

O fato de vocês serem gêmeos deve influenciar bastante.
É um trabalho só. Tenho minha vida pessoal, o Otávio tem a dele, mas a gente se completa. É o que faz Osgêmeos artisticamente. É louco, vem de longe. A gente brincava com os mesmos brinquedos, que a gente mesmo criava; destruía o brinquedo como era, e reconstruía da maneira que tinha que ser, narrava uma história, punha nome… Construía uma casa e se essa casa tivesse que pegar fogo, punha fogo de verdade, queimava. E se fosse uma enxurrada, esperava chover para colocar o brinquedo e deixar ir, perdia o barco, mas ele vivia o rio.

Como começou o grafitti na vida de vocês?
A gente conheceu o grafitti na adolescência, aqui no bairro, no Cambuci. O Hip Hop aqui era muito forte nos anos 80. A gente vivia na rua, brincava, dançava break, tinha a turma do bairro, da rua de cima, da outra rua. Não tinha violência, revolver, tiro.
Fomos forçados a criar nosso próprio estilo, não tinha material, não tinha tinta pra grafitti, era só tinta automotiva, tinha que improvisar, com bico de spray de desodorante…

Como você enxerga a história do grafitti em São Paulo?
Foi forte no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, porque todo mundo estava descobrindo, tinha muito intercâmbio, galera que se juntou, foi fazer grafitti junto, viajar junto. Hoje em dia essa cena mudou. Não sei. A gente saiu um pouco da cena das ruas, começou a fazer trabalho em galerias, museus. Muita gente entrou nessa e deixou de lado as ruas. Hoje são poucas as pessoas que fazem e que encaram o grafitti como tem que ser – sair com tinta, parar embaixo de um viaduto e fazer o nome. Ocupar espaço na rua. Essa é a essência. Isso é raro. Grafitti é quantidade e qualidade. É ter estilo, é ser reconhecido pelo que faz.
Acho que essa febre passou, está mudando. Tem uma nova geração chegando. Da velha geração, quem entrou para a galeria, deixou essa cena de lado. Porque para quem é artista, poder viver de arte, não tem nada melhor.

Tenho visto cada vez menos desenhos de vocês nas ruas…
Acho que a gente tem pintado menos. A gente gosta, mas não tem tempo.
Na rua não tem dublê. Quem é de verdade sabe quem é de mentira. Quem está na rua sai para pintar toda noite. Não é fazer um ou dois grafittis e colocar no Fotolog ou no Orkut.
Tem as leis, estilo, lugar para pintar. Não pode pintar em cima de ninguém - nem grafitti nem pixação. Não pode atropelar. Ou você é ou não é.
Tem que ocupar espaço, impor respeito. Tem que entender que apagou uma obra de arte, uma história que tem mais de vinte anos. São Paulo é um dos únicos lugares do mundo em que todo mundo é unido – grafitti, stencil, pixação – punk ou hip hop. Isso é super interessante.

E sobre o episódio da prefeitura ter apagado um mural de grafitti de vocês?
Nossa idéia é refazer. Eles apagaram o mural da (Avenida )23 (de Maio). A gente se mostrou indignado. Todo mundo falou mal porque apagaram um mural de sete anos, que era referência. Eles falaram que vão refazer, a gente está esperando o contato.

Quem da nova geração vocês têm observado?
Tem uma turma que chama 163, são caras novos que tem apetite pra caramba. Tem outra turma, o AMX, bem talentosos. Mas não quero citar nomes para não esquecer de ninguém.

E qual a próxima empreitada?
Estamos indo para Tókio. Adoro Tókio, é um outro mundo. Não tem nada igual – cultura, educação, é super civilizado. As pessoas são super detalhistas. Nosso trabalho tem muito haver, a gente entra muito nos detalhes.

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2 Comentários »

  1. fui domingo na exposição !
    caralho sem palavras !
    é o que mais motivam as pessoas a nunca parar de pintar e sempre buscar a evolução ! ja sabia dessa ideia deles de como é a parada e eh o jeito certo de se pensar ! sem querer ser dono da rua apenas viver com ela!
    parabens pelo blog visitarei novamente com toda certeza um abraço !

    Comentário por lykdo — 7 de outubro de 2008 @ 12:48

  2. Falaê rapaziada, gosto muito dos grafites dOsGêmEOs, quero conhecer essa dupla…mandam muito bem…parabéns…
    grande abraço

    juneca-sk8-Oz

    Comentário por juneca — 7 de outubro de 2008 @ 14:37

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