Vencedores do Eisner começaram com Turma da Mônica

Eles são irmãos e gêmeos - Gabriel Bá e Fábio Moon, mais conhecidos pelo nome "10 pãezinhos", são os quadrinistas que faturaram vários prêmios no Eisner Awards, uma espécie de Oscar dos quadrinhos, na Comic Con, em San Diego (julho/2008). Foi a primeira-primeiríssima vez que uma produção independente ganha um prêmio dessa altura. Motivo de comoção e surpresa geral. Motivo para mais histórias.
O Repique conversou com a dupla.
Por Fergs Heinzelmann
Como foi participar da premiação em San Diego? Os prêmios pelo "The Umbrella Academy", "5" e "Sugarshock" já eram esperados, ou foram uma surpresa?
Fábio: Os prêmios foram uma surpresa boa. A aceitação dos nossos trabalhos lá fora tem sido boa, mas não tínhamos idéia que os trabalhos estavam deixando uma impressão tão forte no mercado.
Na volta pro Brasil como foi a receptividade do trabalho de vocês, alguma coisa mudou?
Fábio: Aqui no Brasil, a atenção da imprensa tem sido enorme, mas como já estamos quase no limite da nossa capacidade de produção, não estamos nem procurando novos trabalhos.
A nossa tira na Folha foi um convite feito a partir da premiação, mas também é o resultado dos anos de trabalho aqui no Brasil.
Falando em Brasil, o que vocês acham do mercado de Quadrinhos aqui?
Gabriel: Ele está em ebulição, os autores se deram conta que só depende deles e estão produzindo mais. O mercado ainda é muito pequeno, com tiragens pequenas e poucas vendas, mas a produção e variedade estão crescendo e isso é muito bom. Só produzindo que vai crescer a qualidade do trabalho. E veremos bons frutos do momento que estamos vivendo em alguns anos (porque tudo nos Quadrinhos demora muito pra virar).
Vocês admiram ou se influenciam pelo trabalho de outros quadrinistas?
Gabriel: A gente absorve um pouco de tudo que lê e acha legal, mas temos nossos prediletos. O maior de todos é o Laerte, por também ser paulistano e colocar a cidade e os personagens urbanos nas suas histórias, além de ser um puta desenhista. Outro é o Jeff Smith, criador do Bone, por ser um exemplo de Quadrinhista independente de sucesso, que acreditou no seu trabalho e foi até o fim com seriedade. O Neil Gaiman é um escritor que gostamos muito, pelo estilo e os temas que ele aborda, o jeito que ele conta histórias sobre o mundo real, mas sempre com um toque de fantasia e estranhamento. E o Eduardo Risso, que nos ensinou que pra quebrar as barreiras de continentes e mercados é preciso trabalhar muito e ser profissional.
Vocês são irmãos e conhecidos como uma dupla, mas vocês nem sempre trabalham juntos, como o Gabriel com o Umbrella Academy e o Fábio com Sugarshock. É comum cada um ter projetos separados, ou faz tudo parte de uma espécie de "empresa familiar"?
Gabriel: Nem todos os trabalhos englobam os dois, então tentamos pegar trabalhos que possam beneficiar o trabalho pessoal de cada um e atrair mais olhares para nosso trabalho conjunto também. Nossos trabalhos como "desenhistas", geralmente separados, sempre são escolhidos para dar mais destaque para a carreira solo e, consequentemente, conjunta também.
Uma pergunta para o Gabriel: como foi trabalhar com o Gerard Way (vocalista da banda de rock My Chemical Romance)?
Gabriel: Foi bom e continua sendo, pois já estamos fazendo a segunda série do Umbrella. Ele é muito criativo e gosta muito de Quadrinhos. Acima de tudo, sabe muito bem o que quer para a série e sabe contar muito bem a história nas páginas. Fazia tempo que eu não gostava tanto de uma história que, querendo ou não, é de super-heróis.
Como surgiu o interesse de vocês por Quadrinhos e como isso acabou virando uma profissão?
Gabriel: Lemos Quadrinhos desde crianças e sempre desenhamos muito. Copiávamos tudo que líamos, de Mônica a Fradin, de Spy vs Spy a Bob Cuspe e Garfield. Criávamos a nossa própria turma da Mônica e contávamos nossas próprias aventuras espelhando o que a gente lia. Com o tempo, tomando mais gosto por literatura, vimos que gostávamos muito de contar histórias e uma coisa meio que grudou na outra. Desde muito cedo, uns 14 anos, sabíamos que queríamos fazer Quadrinhos e sempre tivemos isto em mente, mesmo fazendo faculdade de Artes ou trabalhando com monitoria, aulas de História da Arte, editoração ou ilustração, nunca pensamos em fazer outra coisa da vida. Ter esta certeza sempre foi um diferencial e nos ajudou a continuar produzindo e aprimorando nosso trabalho.

E quais são os planos para o futuro?
Gabriel: Pro exterior, eu estou desenhando a segunda série do Umbrella Academy e eu e o Fábio vamos desenhar uma mini-série do BPRD, ligada ao universo do Hellboy, escrita pelo próprio Mignola e pelo Josh Dysart. Além disso, estamos escrevendo e desenhando uma mini-série nossa na Vertigo, chamada Daytripper, que será lançada ano que vem. Por aqui, fazemos uma página de HQ todo mês na revista Época São Paulo e estamos com uma tira semanal aos domingos na Ilustrada, da FOLHA. Pra finalizar, o Umbrella deve ser publicado em breve em português, é só esperar.
Para quem quiser conhecer mais, vale acessar o site da dupla: “10 Pãezinhos”.
orgulho da Bebel!
Comentário por Bebel — 14 de outubro de 2008 @ 11:58
Gostei muito dessa entrevista….
Boa sorte pra vcs..
Tambem quero ser quadrinista…
Se der manda algumas sugestões para o meu Email…
Valeu..
Comentário por Ygor — 16 de janeiro de 2009 @ 13:02