A matinê de sexta-feira do Tim Festival

Tim Festival, São Paulo. Sexta-feira, horário de verão, começa cedo a programação do festival, SETE DA NOITE - uma matinê praticamente, na cidade enlouquecida, começo do fim da semana, todo mundo descendo dos saltos, se desengravatando, trânsito.
Quem vai se abalar até o parque do Ibirapuera nesse horário senão os teens? Que paulistano consegue sair pra dançar antes das 11 da noite?
Realmente o Tim Festival é feito para o Rio de Janeiro, mas tudo bem (lá o festival é noite adentro, aqui tem que acabar à meia noite).
Foi o Teennnnn Festa. Uma mistura improvável de atrações– Junior Boys, Dan Deacon, DJ Switch, DJ Yoda e Gogol Bordello – os ciganos punks do eixo Nova York – Ucrânia, que atraiu levas de ciganos urbanos, nada mais trendy, os gipsy glam. O vocalista, Eugene Hutz que morou no Rio, cantou até Morena Tropicana. Dizem que foi demais, eu não vi.
DJ Switch foi ok. Agora o DJ Yoda emocionou com seus mash ups – colagem e sobreposições – cruzou e remixou música, cenas de cinema e seus diálogos. Apelou para o jeito mais eficiente de se comunicar com o público - palavras no telão, enquanto todos estavam vidrados: “E aí galera de São Paolo?”, “Vamos agitar essa porra”, “Let’s make some noise”.
Trilha sonora de entrada apoteótica de sala de cinema, desfilou Star Wars, ‘Eye of the tiger’ do Peter Frampton remixado com projeção Rocky Balboa, Big Lebowsky, Austin Powers… Simpsons, Mario Bros, hits do Youtube. Uma infinidade de referências. Nada mais pop que cultura americana.
Cruzou gêneros – dançou-se de tudo: Michael Jackson aos nove anos, cantando ABC – “easy as… 1,2,3 or simple as…do re mi, a,b,c, 1,2,3, baby, you and me”. Funk Carioca, Madonna, Rock, House, Disco, Hip Hop, toda a salada e Marvin Gaye – “I heard it through the grapevine, not much longer would you be mine”- o momento mais sexy da noite. Transgêneros. Cruzamos todas as fronteiras.
Essa noite tem mais, no epicentro da cidade, Parque do Ibirapuera todo cenografado, abertura de Bienal, Cérebro Eletrônico, MGMT e The National – outra leva de turmas, dessa vez, os Mutantes – Secos e Molhados – Abravanados - os neo-hippies e os indies melancólicos. Acho que terá mais público dessa vez.