Evento discute o Índice de Felicidade no Brasil

por Ana d´Angelo
Hoje, 29 de outubro, o SESC Pinheiros abriga a I Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta, o FIB - o novo índice que mede riquezas no lugar do PIB – Produto Interno Bruto – que já é aplicado no Butão.
Vários especialistas, gente da PUC-SP, institutos e ONGs brasileiras querem começar o debate aqui para que o Brasil também comece a adotar esse curioso indicador como um assunto de política pública. Afinal, felicidade interna, bruta ou líquida, todo mundo quer.
O Repique conversou com Susan Andrews, psicóloga e antropóloga pela Universidade de Harvard (EUA) e uma das entusiastas da aplicação do FIB no Brasil.
Discutir felicidade significa discutir o que é importante na vida? Dessa maneira, o conceito não é subjetivo o bastante para buscar um senso comum?
Na última década, um número cada vez maior de cientistas tem se esforçado para decifrar os segredos da felicidade, para estudar a felicidade objetivamente. De fato, uma nova ciência cujo nome em inglês é Hedonics emergiu para estudar aquilo que nos faz felizes, e por quê. Felicidade, algumas vezes chamada pelos cientistas de “bem-estar subjetivo”, tem diversos benefícios físicos, mentais, sociais e profissionais. Pessoas felizes têm sistemas imunológicos mais fortes, e existem algumas evidências de que tenham maior longevidade. Elas exibem melhor desempenho no trabalho, menor absenteísmo, e são mais capazes de lidar com situações difíceis. Elas são mais bem sucedidas: ganham mais, têm melhores casamentos e se saem melhor nas entrevistas de emprego. Além disso, têm maior capacidade de liderança, são mais sociáveis e despertam mais empatia nas outras pessoas. Logo, é definitivamente melhor ser feliz!
Como surgiu o conceito do FIB?
O conceito de FIB – Felicidade Interna Bruta - foi lançado no Butão em 1986, quando o jovem rei Sigme Wangchuck estava sendo questionado por um jornalista sobre o baixo PIB do seu país. O rei então espontaneamente respondeu, “A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto”. E desde aquela época, o FIB se tornou a métrica para planejar o desenvolvimento econômico do Butão. Nos últimos anos esse conceito tem se tornado cada vez mais atraente num mundo preocupado com o aquecimento global e com os altos níveis de estresse e doenças psicossomáticas. Nossa contínua devoção ao crescimento econômico a qualquer custo, em vez de melhorar nossas vidas, está gerando desigualdade e insegurança. Recentes pesquisas revelaram que o mero crescimento econômico não está nos tornando mais felizes. Nos EUA, onde o PIB triplicou desde os anos 1950, o nível de felicidade na verdade declinou. No Japão a renda per capita quadruplicou entre 1958 e 1986, sem que houvesse qualquer aumento na felicidade. Em um número cada vez maior de países, as taxas de alcoolismo, suicídio e depressão têm crescido dramaticamente, mesmo quando seus cidadãos continuam acumulando cada vez mais coisas.
O que o conceito leva em conta?
As pessoas através do mundo estão se interessando por novos índices para medir o progresso, e os butaneses parecem estar na dianteira. Eles incluíram no seu sistema de mensuração do progresso não apenas o desenvolvimento econômico, não apenas o nível de escolaridade e estado de saúde, mas também a satisfação não material, que tem se provado mais poderosa para a felicidade do indivíduo do que o ganho material. As nove dimensões da Felicidade Interna Bruta são: bom padrão econômico de vida, boa governança, educação de qualidade, boa saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.
A ONU está interessada no indicador?
Essa inovadora e compreensiva abordagem do FIB tem mobilizado o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - no sentido de financiar sua contínua elaboração no Butão. Como o diretor do PNUD para aquele país, Bakhodir Burkhanov, me disse, “uma vez que as Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas quanto à saúde, educação, proteção ambiental etc., sejam atendidas em um determinado número países na data limite de 2015, necessitaremos de um novo conceito para ser discutido. O FIB pode ser a versão futura das Metas de Desenvolvimento do Milênio – considerando o bem-estar psicológico e a manutenção do equilíbrio da vida. Essas são coisas que serão mais importantes na próxima década”.
O que o Butão tem que impressiona?
Fiquei extremamente impressionada durante a minha recente visita ao Butão. Denominado “Campeão da Terra” pelas Nações Unidas no ano passado, esse país tem 74% do seu território sob proteção ambiental. 90% das suas crianças estão na escola – recebendo educação grátis, cuja alta qualidade é garantida pelo fato de que as professoras fazem um rodízio entre as zonas urbanas e rurais. Todas as pessoas têm acesso à assistência médica, mesmo nos mais remotos vilarejos. O nível de corrupção governamental é extraordinariamente baixo. Como o diretor para UNICEF naquele país me disse admirado, “o Butão é uma referência para o mundo”.
Mas o FIB desvaloriza o progresso material?
O conceito de Felicidade Interna Bruta não implica em negar o progresso material, em adotar uma espartana rejeição do mundo físico. Pelo contrário, representa um harmonioso equilíbrio entre as fontes materiais e sutis de satisfação – uma confortável vida exterior combinada com amorosos relacionamentos e paz interior. Um modelo para o mundo refletir profundamente a respeito, e emular. Em meio a crise financeira global, a visita ao Brasil do principal pesquisador em FIB no Butão, Sr. Karma Ura e do representante internacional em FIB do Canadá, Sr. Michael Pennock, não poderia ser num momento mais apropriado. Com o enorme interesse que suas conferências estão gerando, esperamos que o FIB possa criar um novo rumo para o Brasil.
1ª Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta
De 29 de outubro a 02 de novembro, no SESC Pinheiros (SP), das 16h00 às 21h00.
Colaborou Ana d’Angelo
Oi, Paula Guedes. Parabéns por trazer à tona este tema: felicidade. Parece-me que o Estado tem um papel importante no nível de satisfação dos seus cidadãos. Em um mundo extremamente consumista, é importante ressaltar que a felicidade está muito atrelada à capacidade de conquistar bens materiais. Mas como os bens não cessam de serem produzidos, a conquista da felicidade seria uma utopia, pois exige consumo constante. Por isso defendo a necessidade de o Estado definir políticas públicas centradas na condição psicológica do Ser. Se o indivíduo estiver bem estruturado psicologicamente, ele conseguirá equilibrar as dificuldades que o mundo consumista impõe. Já acreditei em Marx que, resumidamente, dizia que as condições materiais de uma sociedade definem o modo de agir e de pensar dessa mesma sociedade. Acho isso uma “balela”. Mas este assunto vai longe. Um abraço!
Comentário por Charles Piero Siemeintcoski — 29 de outubro de 2008 @ 16:48
Parece que finalmente nossa Terra está dando os primeiros passos para se tornar um planeta de regeneração! Fiquei feliz de ler essa notícia.
Comentário por Claudia — 29 de outubro de 2008 @ 17:00
Maravilhoso esse conceito do FIB. a Bíblia já fala que os bens materiasi não trazem a felicidade. Tem até uma passagem bíblica que diz (não me peçam o versículo, capítulo, que não me recordo): “às vezes, quando Deus quer tirar o sono do homem, dá-lhe muitos bens.” É mais ou menos isto. O homem não foi feito para tanta correria, tanta competição, tanto materialismo! O homem é mais! É também sentimento, emoção e amor!
Comentário por Berenice Machado Lira de Morais — 29 de outubro de 2008 @ 18:44
Paarabéens pela matériiaa!
eu sou estudante de jornalismo da PUC Goiás e adorei o conteúdoo!
muiito criatiivoo ee que toodo mundo deveriia sabeer mesmo, é um assunto que deveria ter mais acessoO”!
todoos nós vivemos em meio aa um globo de devastação, destruição ee materializaçãoO ee que isso deveria ser deixado um pouco de lado, já que há coisas mais legais para se dizeer..!
ótiimaa matériiaa!
vou atée fazeer um programa de rádio sobre issoO!
=)
Comentário por karolina Braganick — 9 de novembro de 2009 @ 16:05
olá KAROLINA gostaria do seu contato por favor !!!!
meu email é esse abaixo!!!!
ronaldo_braganick@hotmail.com
aguardo Retorno !!!!
obrigado
Comentário por RONALDO BRAGANICK — 29 de novembro de 2009 @ 1:46