Terra Magazine

31 de outubro de 2008

O afropopbrasileiro de Margareth Menezes

repique2008 às 9:25

Margareth Menezes – das rainhas do carnaval de Salvador, com certeza a mais low profile – comemora 20 anos de carreira e lança seu álbum ‘Naturalmente’ em que interpreta composições próprias e de grandes autores da MPB contemporânea. O Repique conversou com ela – sobre música, Bahia, Carnaval, Baile dos Mascarados e outras coisitas…

Repique - Maga, conta um pouco do ‘Naturalmente’.
Margareth Menezes - O CD é um projeto especial, paralelo, que comemora 20 anos de carreira. Foi o Mazzola quem produziu. Canto várias músicas da MPB de autores que gosto – gravei uma música de Chico César, Arnaldo, Nando Reis, Marisa e Pepeu. Faz parte do meu trabalho de pesquisa da MPB. Não faço só músicas de Carnaval, nem meus CDs têm só músicas de carnaval – com certeza é o que mais aparece, mas porque tem mais divulgação. Eu já fiz teatro, comecei minha carreira no teatro – então fui atrás desse lado mais intérprete. Tudo o que é Brasil me interessa. Essa mistura toda.

Ficou bem diferente das suas músicas de carnaval.
Acho engraçado que quando um artista internacional mistura gêneros e influências todo mundo acha lindo. Quando um brasileiro faz isso, todo mundo estranha. Acho um absurdo isso. Por que eles podem e nós não? Ninguém tem o poder de limitar. Quando você faz o mesmo que vinha fazendo, fulano fala ‘fez mais do mesmo’; se faz diferente, eles vêm perguntar. Fernanda Takai fez um álbum de Bossa Nova, Maria Rita fez um álbum só de sambas, e daí? Tem que quebrar esse paradigma.

Mas você está insatisfeita com as críticas?
Não. A crítica é importante. É que eu não deixei de cantar Axé Music. Continuo cantando Axé e mais alguma coisa. Aqui na Bahia temos Raul Seixas, João Gilberto, os cantores da Tropicália, Dorival Caymmi… Então não me vejo limitada. O Carnaval são cinco dias do ano. Depois tem todo o resto do tempo para exercitar minha liberdade. Esse álbum foi um desafio, e o desafio renova.

E como você se vê nesse cenário quântico baiano que você apontou?
Sou só uma cantora (risos). Pertenço a uma geração de música tropical com força em percussão. Assumi minha influência afro, digo que o que faço é afropopbrasileiro – que é muito mais amplo do que axé.

E os shows que você está fazendo no Rio? (Margareth fez shows toda quinta-feira de outubro no Mistura Fina).
Foi legal. É um show experimental, que fiz para acompanhar o lançamento do álbum, mas sem produção ainda. Em março farei o show oficial de lançamento, com cenário, vou para São Paulo… Aqui no Rio foram cinco apresentações. Talvez eu ainda faça mais uma. Depois vou parar e me concentrar no que estou preparando para o Carnaval. Em novembro vou lançar um documentário sobre os blocos afros – cinco deles: o Ilê Aiyê, Malê Debalê, Muzenza, Cortejo Afro e Filhos de Gandhy – blocos que têm um trabalho social lindo - registramos tudo isso, os ensaios e o show que chamamos de ‘O Encontro’, que foi no Teatro Castro Alves com participação de Virgínia Rodrigues, Jeronimo, Daniela Mercury, entre outros.

E os preparativos para o Baile dos Mascarados no ano que vem?
Quinta-feira de carnaval. Assim como foi esse ano, ninguém tem que pagar, mas tem que ir fantasiado. A proposta é ‘vista sua fantasia’.

 

Antes disso, Margareth toca no Bailinho do Rodrigo Penna (RJ), esse domingo, 02 de novembro. Como DJ, ela vai fazer um set de MPB ‘pra frente’ mesclando Pitty, Marcelo D2, Carlinhos Brown, Lenine… Ao todo quinze músicas. De sua autoria, Dandalunda.

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2 Comentários »

  1. E elza soares?

    Comentário por clau — 31 de outubro de 2008 @ 15:19

  2. elza soares? MAGA MUDOU O NOME, ACHO ESSA CANTORA NOTA DEZ PENA QUE Á MIDIA SÓ DA VALOR PRA IVETE E CLAUDIA LEITE. MAGA E OTIMA TEM UMA VOZ LINDA PARABENS POR ESSE 20 ANOS DE FESTA

    Comentário por REINON — 31 de outubro de 2008 @ 17:37

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