Terra Magazine

30 de novembro de 2008

Michel Gondry causa euforia em sua estadia em SP

repique2008 às 19:14

A julgar pela festa de sexta no ‘bar secreto’, Michel Gondry anda se divertindo em sua estadia em São Paulo. A despeito do que anunciava o convite da festa em que iria tocar na sexta-feira, fazendo um ‘DJ set’, o cineasta surpreendeu a todos que ali estavam. Com o público presente eufórico com sua presença discreta e tímida, curiosos pelo que veriam em sua cancha, o diretor acabou tocando foi bateria, improvisando uma Jam Session junto ao projeto “Dois Homens Altos”- Vitor Mafra discotecando com acompanhamento do francês radicado em Sampa, Gui Sibaud, um dos arquitetos da Triptyque no baixo, e Cibelle cantando, improvisando também sobre temas sugeridos pela platéia.
As pessoas dançavam até mesmo até mesmo por cima do sofá e das mesas. Noitada.

Quem viu, mentiu.
Por fim, o moço sai da noite bem acompanhado. Tudo muito discreto. À francesa.
Fica até terça.

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29 de novembro de 2008

Thiago Pethit e a cena de Freaky Folk ao seu redor

repique2008 às 10:46

Aposte: Thiago Pethit, o ex-ator agora músico que abriu o show de Bonnie Prince Billy no projeto Folk-se do Studio SP, na última quinta-feira.
Thiago acaba de lançar seu EP (Extended Play – um álbum que contém mais uma música, mas não o suficiente para configurar um LP, o famoso Long Play ).  Sua música traz sopros de nouvelle vague, tango, “tragédia, amorosa ou existencial” no ar. “São seis músicas que lancei há dois meses. Canto em inglês, francês, espanhol e português”, produzido e vendido num esquema totalmente independente. (www.myspace.com/lepethitprince)

O Repique conversou com o moço para essas dicas de música de sábado.

Thiago, quais são suas influências?
Fui morar em Buenos Aires no ano passado, lá estudei canto e composição de Tango em um conservatório. Desde pequeno escuto muita música antiga e também vejo muito filme antigo. Literatura também me inspira. E por causa do cinema minhas músicas têm muita imagem. Eu componho muito pensando em cenas.

E por que cantar em tantos idiomas?
Isso é uma coisa que me interessa desde pequeno, sou meio autodidata, aprendo de forma bem fácil idiomas, morei fora, estudei um pouco… Trocar de idioma é uma forma de me esconder e de não ser eu. Os idiomas propõem uma voz diferente ou um tema diferente. Minhas músicas são muito autorais. Falo de mim através de outros olhares.

E por que Folk?
É um gênero revisitado, que soa anos 70. Depois de tanta produção, computador, etc, ressurge um violão e instrumentos mais orgânicos. Sou Folk, mas não sou o que chamam de Folk na linha Bob Dylan. É bem diferente.

Sim, seria mais Neo-Folk, se é que existe essa denominação?
Nos EUA eles definem como Freaky Folk para diferenciar do que seria o Folk americano anos 60/70, ou do folclore deles.

É meio mal resolvido isso, não?
Abrange muita coisa que não tem nada haver entre si, como Coco Rosie e Chris Garneau.


www.myspace.com/cocorosie


www.myspace.com/chrisgarneau

Não conheço Chris Garneau.
É bem bonito. Músicas lo-fi, voz e piano.

Você não acha muito triste o Folk? Às vezes ou sempre…
Acho que existe essa tendência sim, à melancolia. Acho que tem a ver com a relação da voz+violão também. No medu caso, tudo que eu componho no violão fica muito íntimo. O violão virou meu melhor amigo, quando comecei a compor, só queria contar as coisas pra ele, sabe? (risos)

E o show de quinta no Sutdio SP, como foi?
Foi eu, violão e percussão, diferente do show que faço geralmente, com formação completa: acordeom, violão, bateria, piano e baixo acústico.  Foi bem difícil porque show de abertura… as pessoas vão lá para ver a outra pessoa. Mas conquistei algumas pessoas. No camarim conversei com o Bonnie (atração principal da noite) sobre isso e a resposta foi “você deve ter passado o que eu passei ontem” – porque ele abriu para o show de uma banda universitária em algum lugar do interior(!).

Afe.
E depois ele emendou “Relaxa, um dia alguém vai abrir para você também”.

Fala um pouco do Bonnie Prince Billy, eu mesma não conheço…
Ele é americano, tem uns 40 anos. Fez a trilha do último filme do Win Wenders. Cada disco que ele lança ele coloca um novo pseudônimo. Lá fora já está bem conhecido, aqui ainda é novidade.


www.myspace.com/princebonniebilly

E o show dele como foi?
O show dele foi super bonito. Bem intimista, ele e mais outro gringo tocando violão e cantando com ele, afinadíssimos. Foi longo. As pessoas pediram bis e ele deu bis longo e foi atendendo aos pedidos do público.

E que outros sons você anda ouvindo?


Leonard Cohen
www.myspace.com/leonardcohenlegacy


Beirut
www.myspace.com/beruit


Lykke Li
www.myspace.com/lykkeli


Andrew Bird
www.myspace.com/andrewbird


Little Joy
www.myspace.com/littlejoymusic

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27 de novembro de 2008

Michel Gondry em São Paulo: DJ por uma noite

repique2008 às 23:01

Essa noite de hoje tem Michel Gondry DJ set em São Paulo. O cineasta francês, diretor de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", "Natureza Quase Humana" e "Sonhando Acordado" + vários videoclipes de ponta – (’Around the world’, do Daft Punk por exemplo, Bjork, Radiohead, Beck e muito mais), está na cidade para divulgar a exposição "Rebobine, Por Favor" e seu filme homônimo que entra em cartaz no dia 12/dez.

A expo é réplica do que foi apresentado na galeria Deitch Projects em Nova York.


Criatividade, sensibilidade e nostalgia
Sinopse rápida do filme e expo: na trama de "Rebobine, Por Favor" os personagens interpretados por Jack Black e pelo rapper Mos Def resolvem refilmar o acervo de uma locadora depois que todas as fitas VHS são estragadas. Assim, fazem suas próprias versões de sucessos de bilheteria como "O Rei Leão", "Os Caça-Fantasmas", "Robocop" e "De Volta para o Futuro".
Para a exposição, treze cenários do filme foram transpostos para o MIS para que os visitantes possam fazer também, a seu modo, seus próprios vídeos.

Michel Gondry na pele de DJ
Depois da coletiva de imprensa, o diretor mergulha na noite paulistana, tocando no tal ‘bar secreto’, ou ‘bar sem nome’ ou ainda ‘CGxAA’ (indicação das iniciais das ruas da esquina em que fica o bar).
O lugar é sucesso na noite paulistana. Enquanto não abria para o público geral, os donos (franceses) faziam as festas do pessoal da moda. Todas as melhores festas do SPFW em junho foram lá. E desde então bombou. Sem nome nem divulgação do endereço. Sucesso conceitual. Só podia ser coisa de francês.

O lugar certo é low profile
Hoje o bar é aberto ao público, mas para entrar precisa ter nome na lista, ser convidado pelo anfitrião ou aniversariante da noite, chegar cedo ou ser minimamente interessante - interessante aqui não é ser celebridade, personalidade em evidência ou ter dinheiro. Nenhumas dessas alternativas funcionam, embora dinheiro no bolso seja recomendável, a cerveja long neck custa R$ 8 e os drinks em geral R$ 18. Ser do mundo da moda também ajuda bastante.

A hostess filtra a freqüência. Nunca lota, por medida de bem estar dos freqüentadores, isso é bastante elegante e raro. 180 pessoas no máximo. Se tiver show de bandas gringas ou festival na cidade pode ter certeza que algum músico desgarrado vai pintar ali na madrugada, a exemplo dos The National, MGMT, REM, The Killers… sem frescura e  acessíveis. Área VIP discreta - no andar de cima - não existe aquela arrogância de quem está do lado de dentro ou do lado de fora, afinal o que os olhos não vêm o coração não sente.

O lugar parece uma sala de estar - sofás de couro preto, quadros e aqueles chifres de caça pendurados na parede, mais parece um lobby de hotel, tão cosmopolita quanto. Só que ferve. Um mistério - ninguém está ali pelo DJ – geralmente nenhum grande nome da cena, embora haja a festa mensal da hypadas WWW, embora já tenha passado por ali a dupla Justice, e hoje, ninguém menos que Michel Gondry.
Tampouco ninguém está ali pela música – pop, divertida, disco, retrô, uma ou outra novidade de ponta. Não importa, o que tocar todo mundo dança. O set é sempre bem despretensioso mesmo, tipo bailinho. Tem noite que é à base de Jukebox.
O que pega ali é o clima. É sempre festa, de terça a sábado. Bar com pista, festa-festinha, dessas bem freqüentadas por amigos em comum. O mundo é pequeno, todo mundo se conhece. E lá é aconchegante.
Os donos não concedem entrevistas, não gostam que divulguem o endereço, não querem crescer. Anti-comercial.

Músicas que bombam por ali:
‘Lovesick’, do Friendly Fires, (novidade de ponta); ‘Nada tanto assim’, do Kid Abelha, (e outras várias MPS rolam ali); ‘Give a little respect’, do Erasure, ‘Smalltown Boy’ do Bronski Beat - (mais anos 80 impossível); até "Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor", do Luiz Caldas rola, (bizarro).

E agora fica a pergunta: o que tocará Michel Gondry essa noite? Rock? Frenchy? Bandas de que fez os videoclipes? Trilha sonora de seus filmes? Noitada para poucos.

"Rebobine, Por Favor – A Exposição", em cartaz no MIS de 02 de dezembro a 11 de janeiro.
Av. Europa, 158 - Jardim Europa - São Paulo. Entrada gratuita.

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Daniel Daibem: Jazz ao alcance das massas

repique2008 às 8:41


(Foto: Priscila Roque, Flickr)

A simplicidade do Jazz
Música boa está ao alcance das massas? Jazz poderia ser mais popular? Depois de um ano de alguns shows de jazz gratuitos na cidade - nacionais e internacionais - o Repique bateu um papo com Daniel Daibem, o locutor da Rádio Eldorado e apresentador do programa diário ‘Sala dos Professores’ - “um programa de 20 minutos, suficiente para chamar atenção aos detalhes da música. Para quem já gosta e para quem quer começar a gostar.” Bom, que fique claro que os professores são os músicos. Daniel está longe de ter um tom professoral. Vamos a ele e suas opiniões.

Daniel, Jazz é para as massas?
Com certeza. O problema não é a massa, mas quem conduz a massa, que põem música nas rádios e TVs e formam um bando de ouvido bobo.
Jazz existe para se aprender com ele. Tem muita coisa para se assimilar. É um estilo de música para você ouvir o outro. Cada vez é diferente porque o músico obedece a natureza do momento. Ele é um serviçal. É como o surf, você conhece as manobras, mas obedece as ondas. É sempre a mesma coisa, mas nunca é a mesma coisa.

Mas você acha que Jazz é popular o suficiente?
É popular. Veio de gente preta e pobre. O ritmo veio da África, do sofrimento de uma gente que veio trabalhar embaixo de chicotada na América. Sua procedência é totalmente percussiva e o sentimento percussivo é africano.

Tivemos alguns show de jazz gratuitos esse ano aqui em São Paulo, nenhum lotou.
Tem que fazer mais gente ir. É uma prova. O problema não é dar o show, tem que orientar. Não adianta ser de graça, porque neguinho não vai. Tem que criar o gosto. Não é em uma semana, são anos. Para fazer o caminho contrário demora um pouco.

Você vem fazendo isso na sua jornada…
Fazendo numas. Falo ainda com um público pequeno, classe A/B.

Jazz tem essa aura de sofisticação…
Música é música. Adoro quando vou a um show de parque aberto e tem um mendigo dançando. Já mandou o recado. Tem gente que paga pau de intelectual, que fala que curte jazz e não sente nada. Isso é igual com vinho, gastronomia e por aí vai.
O Jazz nasceu na era do salão, Big Bands, todo mundo dançando. Depois virou quarteto, e ficou cerebral, tipo ‘não pode bater o pé’, atrapalhar o show, essa coisa João Gilberto. Jazz é uma música de celebração.

Músico de Jazz tem Myspace?
Todo mundo. Os artistas grandes também têm que estar no Myspace. É uma mídia que qualquer um usufrui. Até a Rita Lee tem – ela sabe que tem que estar ali.

Qual o feedback do público depois dos seus programas?
Agradecem, dizem que nunca tinham entendido música dessa forma. Jazz é como um idioma, tem estrutura, tem suas regras, assim como o futebol. É preciso conhecer as regras desse idioma. É emoção e sentimento, mas se você entende o que está sendo dito, você vai dar mais risada. Tem algumas formas, temas que foram compostos, pergunta e resposta – quando um grupo de sopro pergunta e outro responde. Improviso não é criar do nada. São pequenas frases melódicas, que podem citar outras frases no meio de outras, tipo ‘I’ve got you under my skin’ de repente entra ‘Garota de Ipanema’.

Tipo um mash up.
Exatamente, só que a máquina está no vocabulário, nas mãos, na boca.

Quem você acha que facilita a popularização do Jazz?
Dos novos… Jamie Cullum que toca de maneira bem acessível, Joshua Redman, que não é exatamente novo. Está aí há 15 anos.

E quem dificulta?
Brad Mehldau, por exemplo, é um cara super complexo, mas ao mesmo tempo ele pega uma música do Radiohead e fica legal.

Onde a cena jazzística está fervendo?
Nova York está bombando. O jazz é americano. A gente nunca vai tocar jazz bem. Assim como os norte americanos não batem o samba como a gente, o nosso jazz sempre vai ter sotaque. O músico brasileiro que toca jazz toca um ritmo brasileiro na concepção do jazz, tipo baião, em que se pode brincar com o tema. E isso é bom demais.

E aqui no Brasil?
Está bem servido. Esse ano teve Herbie Hancock, Diana Krall, Lonnie Smith… Tem o ‘Jazz nos Fundos’, que apesar de lotar e as pessoas conversarem, todo mundo vai lá para ouvir música boa, as pessoas são educadas, só pode fumar do lado de fora. É super adequado.

Você já tocou lá…
Sim. Toco guitarra, faço parte de um organ trio, Hammond Grooves – bateria, guitarra e órgão.

Não tem baixo?
É uma formação dos anos 60, o órgão que puxa porque o cara puxa o contrabaixo no pé.

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26 de novembro de 2008

Exposição traz ‘transa entre o mar e a brasa’

repique2008 às 8:44

Abre hoje na galeria Milan (R. Fradique Coutinho, 1360 – São Paulo) a exposição individual do artista Thiago Rocha Pitta, ‘Animação/Jorração’. Mineiro cariocalizado, 28 anos, agora com vontade de mudar para São Paulo. O Repique bateu um papo com o moço que comentou até a exposição que está acontecendo em Versalhes.


(Nuvem de cristais de sais)

Thiago, conta um pouco sobre sua exposição.
São quatro trabalhos. Um vídeo, um pintura-instalação, um trabalho em papel e outro trabalho em um jardim, esse último, como se fosse um cinema arcaico, sem projetos, é um buraco aqui no quintal da galeria, uma tela de aço polido inclinada em 45º que reflete a brasa de um fogo consumindo. O fogo é magnético. É esse o sentido no formato de um cinema.
Tem outra que é uma tela de cristal de sal, 11 metros de altura, que fica pendurada, conforme varia o tempo - mais seco ou mais úmido – o sol escorre e pinga como se fosse uma chuva lenta.

O vídeo Proto-tide (foto) é um braseiro em uma praia na maré baixa, quando a maré vai subindo rola uma transa entre o mar e a brasa. É bem divertido.
Embaixo, tem uma obra que é a versão condensada desse trabalho com o sal, só que em formato de nuvem, menor e mais denso. O sal não escorre da tela.

E o lado subjetivo desses trabalhos?
Tem essa coisa de transformar uma coisa natural em cultural. Assim como transformar o barro em um vaso, ou uma caça virar comida. Você tira algo da natureza em nome da cultura. E o barato do sal é o seguinte: o sal retarda o tempo das coisas. A gente precisa de sal para não evaporar, para não desidratar. Sem sal você perde a umidade. O salvem da erosão das montanhas, há milhões de nãos atrás o mar não era tão salgado quanto hoje, o mar era mais agressivo, evaporava mais rápido, chovia mais rápido. Eram processos mais rápidos. A tendência é ficar cada vez mais salgado, por isso uma chuva retardada.

Você é bem jovem ainda. Você acha que você é uma aposta?
Estou na minha primeira fase. Crio e exponho desde 2001, estou representado pela Milan desde 2004, já é minha 3ª vez na (mostra) Paralela, acho que já não tem mais aposta. Aposta foi a quatro anos. Meu pai era artista, fui criado em ateliê, aprendi a desenhar ao mesmo tempo que aprendi a escrever. Não acho que eu seja precoce, eu só comecei mais cedo.

Você se encaixa em algum movimento artístico?
Não gosto disso. Turma para mim é pra balada. Gosto de alguns artistas. Gosto de alguns escritores, adoro por exemplo Moby Dick; Joseph Conrad. Literatura pra mim é tão importante quanto. Gosto também de Robert Smithson (foto abaixo), um artista americano da década de 1960.

E aquela exposição Jeff Koons em Versalhes? (O artista pop americano, adepto do estilo kitsch, está causando uma enorme polêmica entre os franceses).



A maior bobagem do mundo. Mas tem tudo a ver com Versalhes, tudo o que tem lá é o Koons do século XVIII, tão cafona quanto aquela elite cafona que foi decapitada.
É o cafona moderno e o cafona antigo.

Mas na hora que a Sofia Coppola faz o ‘Maria Antonieta’ todo mundo acha cool.
Não tenho autoridade para falar, mas pelo menos era mais interessante. Mais louca.

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25 de novembro de 2008

O jogo de equilíbrio da nova lei da meia-entrada

repique2008 às 11:46

A história do dia em que a meia-entrada teve o preço dobrado, e a inteira se tornou inviável ao poder aquisitivo do cidadão comum.

Brasília – Depois de duas semanas de adiamento, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado deve votar hoje (25/nov) o projeto de lei que regulamenta a meia-entrada no país.

O projeto propõe cota de 40% para venda de ingressos de meia-entrada - modelo que já funciona “com sucesso” em Minas Gerais e Santa Catarina controlando o descalabro de, em alguns casos, a meia-entrada responder por 80% da bilheteria de espetáculos; a padronização do documento de identificação estudantil, criação de um conselho de fiscalização, proposta de “ressarcimento aos produtores de espetáculos, do benefício da meia-entrada concedido a estudantes e idosos” - ‘detalhe’ que não deve passar; e não aplicação do benefício aos ingressos relativos a camarotes, áreas e cadeiras especiais.

Ok, se tudo isso se reverter em queda vertiginosa nos preços dos ingressos praticados por aqui – um dos mais caros do mundo.

A meia-entrada é uma tradição na vida estudantil. Começou como forma de incentivo das próprias salas de cinema, nos anos 50. Foi-se e voltou na forma de emissão de carteirinhas exclusivas da UNE e UBES. Um dinheiro que todo estudante pagou e nunca se sentiu representado. Era a própria compra de um benefício. Legitimidade zero que logo descambou para parcerias com ‘redes Pizza Huts’ – (piada pronta) - que emitiam carteirinhas sem critério algum. Ou pior: R$ 9.000.000,00 (nove milhões) arrecadados por uma rádio (Jovem Pan) com a venda de 100 mil carteiras/ano a R$ 30,00 - esses números são de Ricardo Chantilly, da Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), publicados no blog Ilustrada no Pop, da Folha Online.

Nesse contexto, melhor poder usar a carteirinha da escola, faculdade ou estabelecimento de ensino. Muito mais legítimo e econômico – adeus taxa UNE.

Daí piorou. A coisa se desnaturou de vez porque de aulas de inglês, yoga até cursos de mecânico de motos (nada contra a esses cursos em si), todo mundo emitiu carteiras estudantis sem qualquer controle ou padronização, possibilitando fraudes de todo gênero.

De hoje não passa. Todo mundo vai ter que ceder. Nada mais necessário do que regular essa ‘economia’ de espetáculos, eventos e salas de cinema e teatro. A meia-entrada é um mecanismo importante de acesso à cultura e ao entretenimento por parte dos estudantes e idosos. E entre os ‘toma-lá-dá-cá’ e os ‘direitos adquiridos’ sobre algumas atividades econômicas que tanto nos acostumamos a ver, a vitória seria viabilidade econômica da atividade, ingressos a preços baixos e garantia de que a cota de 40% dos ingressos sejam voltados para o tal benefício – do contrário está facinho de estudantes e idosos dançarem.

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Show do Loop B e do Helmet no Goiânia Noise

repique2008 às 8:59

Goiânia Noise - terceiro dia e encerramento

por Fergs Heinzelmann
(Fotos: Laila de Castro)

Na madrugada de domingo para segunda terminou a maratona de três dias de Goiânia Noise. Foi sem dúvida o dia das bandas mais pesadas, como o Claustrofobia e o Periferia S.A., ambos de São Paulo. Na sequência, o Inocentes tocou seus vários sucessos dos seus mais de 25 anos de carreira. A noite e o festival encerram-se com a apresentação de outros veteranos, os americanos do Helmet, liderados pelo vocalista e guitarrista Page Hamilton, que tocou, cantou, fez piadas, elogiou quem vestia a camiseta da banda e até mesmo se disse solteiro, dando um alerta para as moçoilas da platéia.

Curiosamente, justo neste dia, em meio a tantas bandas barulhentas, que iam do punk rock ao metal, passando pelo hardcore, uma apresentação se destacou pela performance e pelas batidas tipicamente brasileiras mescladas a instrumentos bem pouco convencionais, como uma furadeira, um carrinho de mão, pedaços de máquina de lavar, uma escada de construção, tanque de gasolina de um carro: Loop B, um veterano da música eletrônica no Brasil, que retornou aos palcos do Goiânia Noise, onde já havia se apresentado na terceira edição do festival, há mais de 10 anos atrás. O músico, que já trabalhava com música eletro-acústica nos anos 70, contou algumas das técnicas utilizadas naquela época, pré-digital, a exemplo dos loops, que eram criados a partir de rolos de fita cortados e emendados novamente.
Perguntado sobre seu processo criativo atual, o que vem primeiro: as bases ou os inusitados instrumentos? Segundo ele, a primeira etapa é a composição da base, no momento a música brasileira, como o samba e nossos ritmos tradicionais tem marcado seus trabalhos mais recentes, a exemplo do "Samba da furadeira". Depois começa a busca pelos instrumentos, que podem estar em qualquer lugar, mas os ferro-velhos são um interessante local de pesquisa, diz ele. Passado esse processo de experimentação dos mais diferentes objetos, ele escolhe os que utilizará definitvamente em cada uma das bases.

Como nem sempre é possível carregar todos os objetos nas apresentações ao vivo, muitas adaptações e improvisações são feitas na hora, como foi o caso do carrinho de construção utilizado na performance em Goiânia, que estava numa parte do Centro Cultural Oscar Niemeyer - que no momento se encontra em reforma. Loop B diz que qualquer objeto pode produzir som, mas que nem todos os sons são interessantes da mesma forma. Alguns servem apenas para performance no palco, outros se prestam apenas às gravações em estúdio, por emitirem sons muito baixos, difíceis de serem captados ao vivo.

Da parte latina do festival, vieram o Ganjas, do Chile, e o Tormentos, da Argentina, que agradaram bastante ao público. Entre a apresentação do Periferia S.A. e do Inocentes, Page Hamilton, do Helmet, conversou com a imprensa e contou que estava muito satisfeito em voltar ao Brasil, onde não tocava desde 1994. Na noite anterior ele havia se apresentado em São Paulo, como atração confirmada apenas três dias antes, substituindo o lugar do show de Brasília na agenda, que foi cancelado. Ele se disse muito contente com a apresentação na edição paulistana do Noise e também com as cinco caipirinhas, que confessou ter tomado!

Hamilton se disse um fã assumido da música brasileira, e que lamenta até hoje não pode ter assistido ao vivo a um show de Tom Jobim. Ele contou também que o que provavelmente diferencia o Helmet das outras bandas de metal é justamente essa influência de outros sons em sua vida, como o jazz, que torna suas composições menos matemática, pois é uma música que vem da alma e agrega sentimento e uma cadência diferenciada às músicas.

Também falou sobre o setlist da noite, que tenta sempre modificar a cada apresentação, mas que ele deveria incluir músicas dos discos da banda nos anos 90, como ‘Betty’ e ‘Aftertaste’, além de músicas mais recentes, do álbum Monochrome, lançado em 2006. Sobre novas composições prometeu um especial para o ano que vem, quando comemorará 20 anos com a banda, com faixas novas e talvez alguma edição especial comemorativa.

O show do Helmet começou mais de uma hora depois do previsto, mas o público se manteve firme e empolgado durante toda a apresentação e saiu de Goiânia satisfeito com os três dias do Festival que movimentou o rock do país todo.

Colaborou Fergs Heinzelmann, que também assina o blog: www.fergolina.wordpress.com

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24 de novembro de 2008

Goiânia Noise: mistura do rock nacional com gringo

repique2008 às 8:37

Fim de semana de Goiânia Noise, o festival de rock que há 14 anos une o melhor da cena local goiana a bandas de dentro e fora do país.
O Repique se mandou para lá para conferir.

Por Fergs Heinzelmann
(Fotos: Laila de Castro)

Primeira noite – sexta-feira
Tantas bandas gringas - da Argentina, Inglaterra, Finlândia e Bélgica - e os headliners Helmet, Vaselines e Black Mountain aqui no Goiânia Noise são apenas um detalhe em meio a tanta coisa bacana e interessante para se ver. Na primeira noite de Festival, pude comprovar, porque Goiânia é conhecida como a "Seattle brasileira", fazendo um paralelo com a cidade americana que na década de 90 revelou as famosas bandas grunges, como o Nirvana e o Pearl Jam. O público que compareceu ao Centro Cultural Oscar Niemeyer, (segundo um integrante da banda Black Mountain “lembra um pouco o cenário do seriado "Battlestar Galactica", e dá uma sensação de liberdade por ser aberto”) estava lá para ver rock, fosse ele local, nacional ou vindo do exterior. As bandas Gloom, Demosonic, Diego de Moraes e o Sindicato, The Backbitters e Motherfish, todas de Goiânia, se apresentaram ao lado do paulistas do Holger, Mickey Junkies e Continental Combo, além dos cariocas do Canastra e Marcelo Camelo (ex- Los Hermanos, um dos shows mais esperados), o gaúcho Frank Jorge e Lucy and the Popsonics, do Distrito Federal. Os escoceses do Vaselines e o americanos do Calumet Hecla e Black Lips, foram as atrações estrangeiras da noite.


Canastra
O Canastra fez uma apresentação extremamente bem humorada, e colocou o público para dançar. Bem antes de subirem ao palco, os meninos já chamavam a atenção pelo curioso figurino: camisas estampadas com temáticas tropicais.
A banda é composta por sete integrantes e muitos instrumentos: guitarra, gaita, trompete, saxofone, baixo acústico, trombone e bateria. As influências da banda vão do jazz ao samba, passando pelo country, surf musica e Woody Allen. Edu Vilamaior, vocalista e baixista da banda, contou que as trilhas sonoras dos filmes do cineasta americano, influenciam o som da banda, bem como o músico italiano Ennio Morricone. O nome da banda, como se pode imaginar, vem do jogo de cartas, associado à idéia de sorte e azar no jogo.


Frank Jorge
O gaúcho Frank Jorge está lançando seu terceiro álbum, com o "criativo nome", diz ele, de "Frank Jorge - Volume 3". Ele comenta que apesar de óbvio o nome tem o propósito de encerrar uma trilogia, iniciada com o disco "Carteira Nacional de Apaixonado", em 2000. Diz que suas novas composições ainda são influenciadas pelo rock dos anos 60 e sonoridades da América Latina, além da música brega nacional, como Roberto Carlos e até mesmo Reginaldo Rossi, que tem ganhado cada vez mais espaço em suas músicas. Aliás, ele comenta que gostaria que não houvesse tanto preconceito com este estilo musical no Brasil e diz que o fato de utilizar esta referência em sua música é uma maneira de ressaltar a importância destes compositores.
A apresentação de Frank Jorge fez uma boa mistura dos dois álbuns anteriores do cantor, além dos sucessos da antiga banda do músico, Graforréia Xilamônica. "Amigo Punk" foi cantada junto pela platéia, e "Elvis da fase decadente é melhor que muita gente", faixa do novo álbum, também foi muito bem recebida.


Vaselines
Os escoceses do Vaselines, de volta depois de quase 20 anos afastados dos palcos vieram ao Brasil apresentar os sucessos que fizeram com que Kurt Cobain, vocalista da banda Nirvana, fosse um de seus maiores fãs e também um dos maiores responsáveis por divulgar o som do Vaselines pelo mundo, ao fazer versões de "Molly’s lips", "Jesus don’t want me for a sunbean" e "Son of a gun". Possivelmente por este motivo, estas foram as três músicas de maior apelo junto ao público no setlist.

Eugene Kelly e Frances Mckee, estavam muito à vontade no palco, acompanhados por outros três músicos, entre eles o guitarrista Stevie Jackson, da banda também escocesa Belle and Sebastian. Fizeram piadas e comentaram que o Brasil é "the sexiest country", além de dizerem que na Escócia se bebe muito porque as pessoas não fazem muito sexo.

Perguntei a dupla ‘o que eles estavam achando do Brasil’ e eles se disseram surpresos com o clima pacífico, já que no exterior o assunto violência é muito comentado. Perguntei também se eles estavam contentes com a volta da banda e os dois se disseram muito animados com a nova turnê, que já passou pela Súecia, Estados Unidos e agora Brasil. Sobre um novo disco, contaram que em 2009, a gravadora Subpop, deve lançar remasterizações dos álbuns da banda, provavelmente com faixas inéditas. Além disso, Eugene disse estar escrevendo novas composições e que pretende reuní-las, eventualmente, em um novo material.


(Show da banda Black Mountain)

Segunda noite – Sábado

No segundo dia do Festival Goiânia Noise, o público pode conferir as apresentações da bandas locais, Cicuta, Mersault e a Máquina de Escrever, Mugo, Black Drawing Chalks e MQN; Amp, de Pernambuco; Guizado, The Dead Rocks e o Instituto (tocando Tim Maia Racional), de São Paulo; Gangrena Gasosa, do Rio de Janeiro; Os Ambervisions, de Santa Catarina e Cabruêra, da Paraíba. Além das atrações internacionais, Black Melkon, da Inglaterra; Black Mountain, do Canadá e The Flaming Sideburns, da Finlândia. Apesar do show do Instituto encerrando a noite - um dos mais aguardados e também um dos mais assistidos - o destaque do sábado foram os canadenses do Black Mountain. O Black Mountain foi uma boa surpresa, trazendo um momento mais denso e introspectivo, numa noite repleta de apresentações nervosas, como o "sarava-metal" do Gangrena Gasosa e o mini pogo a mini roda punk, promovida pelos catarinenses do Ambervisions.

Também entre as bandas nacionais, o MQN (foto), banda do anfitrião e um dos organizadores do festival, Fabrício Nobre, também foi uma das melhores apresentações da noite. O tradicional banho de cerveja promovido pelo vocalista ensopou todos que estavam por perto, que sabiam todas as letras e foram convidados a subir no palco e dividir o espaço com a banda.

O Repique conversou Amber e Jeremy, do Black Mountain:

Há quanto tempo vocês se conhecem? São todos canadenses? Vocês já tinham outros projetos antes do Black Mountain?
Jeremy - Alguns de nós nos conhecemos há bastante tempo, mais ou menos uns 10 anos. E sim, tocávamos em outras bandas, mas nos reunimos no Black Mountain há uns cinco anos. Somos todos canadenses, de várias partes do Canadá, apenas Josh, nosso baterista, nasceu nos Estados Unidos.

É a primeira vez que vocês tocam na América do Sul? Estão gostando do Brasil?
Jeremy - É a nossa primeira vez aqui, estivemos em São Paulo antes e agora Goiânia. Eu acho que gosto daqui um pouco mais, na verdade.
Amber - São Paulo é muito grande, muitas pessoas, aqui é menor, mais próximo do público. Na verdade nos dois dias que passamos lá não conseguimos ver muitas coisas, mas eu pude andar pelas ruas e achei tranqüilo, ao contrário do que nos disseram que no Brasil você deve tomar cuidado, pois pode ser roubado ou seqüestrado. Pra mim foi super tranqüilo, estou gostando bastante.

Nos últimos cinco anos, muitas bandas vindas do Canadá começaram a aparecer na mídia, como o Arcade Fire e Broken Social Scene, algo aconteceu no Canadá nestes últimos anos, ou foi apenas uma coincidência?
Amber - O Canadá tem muitas bandas, que vêm tocando há uns 10 anos, eu acho que se você consegue se manter compondo e tocando por 10 anos, algo realmente acontece, as pessoas passam a te conhecer depois desse tempo.
Jeremy - O Canadá é um país muito grande, as pessoas em geral não entendem bem a geografia do país. Vancouver está para São Francisco, nos Estados Unidos, assim como Toronto está para Miami, então é natural que muitas bandas surjam neste espaço imenso de terra que separa estas duas partes, são muitas culturas e influências diferentes.

Colaborou Fergs Heinzelmann, que também assina o blog: www.fergolina.wordpress.com

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23 de novembro de 2008

Lançamento da semana: o álbum do Empire of the Sun

repique2008 às 10:40

Dica de som para encerrar o fim de semana com trilha sonora nova na discoteca é o lançamento da semana: o duo australiano Empire of the Sun - um projeto paralelo de Luke Steele do The Sleepy Jackson e Nick Littlemore do PNAU. Um dos projetos revelação 2008, um dos álbuns mais aguardados entre a nação dançante.
Nome e visual inspirados no filme de Steven Spielberg.

Ouça aqui: www.myspace.com/empireofthesunsound

Warm up, pós-night, eletrônico, synthpop, indie pop, new rave, disco dancing, futurismo oitentista, música boa.

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22 de novembro de 2008

Vocalista do Black Lips passa mal e prossegue show

repique2008 às 11:10

por Fergs Heinzelmann
(fotos: Laila de Castro)

Aquecimento para o Goiânia Noise
A banda Black Lips já começou sua turnê pelo Brasil dando o que falar.  Conhecidos por seus shows polêmicos, pode se dizer que os moços vindos de Atlanta, nos Estados Unidos, levam o rock às últimas consequências. Na apresentação de quinta-feira, em Brasília, o guitarrista da banda, Cole Alexander, não contente em fazer um solo com uma garrafa de cerveja, vomitou sobre a própria guitarra e como se nada fosse seguiu tocando.

O "about" encontrado no site da banda diz um pouco mais sobre o que para a grande maioria do público seria uma atitude grosseira e deselegante: "After swiftly becoming one of the Atlanta underground’s most talked about bands, and along the way being banned from numerous venues for their wild live shows, the group released albums and seven inches on different underground garage labels like Bomp and In The Red." Mas quem se importa com grosseria e deselegância com um marketing desses?

O som frenético da banda, com raízes no garage rock, com um quê caipira aproveita-se desse marketing polêmico para criar letras ainda mais polêmicas, como a música escrita para Eberbaugh, guitarrista da formação original da banda, morto num acidente de trânsito, em 2002: "How do you tell a child that someone has died?" e "Katrina", sobre o furacão que devastou a cidade de Nova Orleans, em 2005. De qualquer forma, a performance quase semi-escatológica parece ter fundamento, pois o público adorou o que viu e longe de ficar enojado, aplaudiu de pé. That’s only rock n’ roll!

Vamos ver que ecos chegarão de seus shows no Festival Goiânia Noise, que rolou ontem em Goiânia e que rolará hoje, sábado, em São Paulo, no Noise Festival.

http://www.black-lips.com

Colaborou Fergs Heinzelmann, que também assina o blog: www.fergolina.wordpress.com

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