O jogo de equilíbrio da nova lei da meia-entrada
A história do dia em que a meia-entrada teve o preço dobrado, e a inteira se tornou inviável ao poder aquisitivo do cidadão comum.
Brasília – Depois de duas semanas de adiamento, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado deve votar hoje (25/nov) o projeto de lei que regulamenta a meia-entrada no país.
O projeto propõe cota de 40% para venda de ingressos de meia-entrada - modelo que já funciona “com sucesso” em Minas Gerais e Santa Catarina controlando o descalabro de, em alguns casos, a meia-entrada responder por 80% da bilheteria de espetáculos; a padronização do documento de identificação estudantil, criação de um conselho de fiscalização, proposta de “ressarcimento aos produtores de espetáculos, do benefício da meia-entrada concedido a estudantes e idosos” - ‘detalhe’ que não deve passar; e não aplicação do benefício aos ingressos relativos a camarotes, áreas e cadeiras especiais.
Ok, se tudo isso se reverter em queda vertiginosa nos preços dos ingressos praticados por aqui – um dos mais caros do mundo.
A meia-entrada é uma tradição na vida estudantil. Começou como forma de incentivo das próprias salas de cinema, nos anos 50. Foi-se e voltou na forma de emissão de carteirinhas exclusivas da UNE e UBES. Um dinheiro que todo estudante pagou e nunca se sentiu representado. Era a própria compra de um benefício. Legitimidade zero que logo descambou para parcerias com ‘redes Pizza Huts’ – (piada pronta) - que emitiam carteirinhas sem critério algum. Ou pior: R$ 9.000.000,00 (nove milhões) arrecadados por uma rádio (Jovem Pan) com a venda de 100 mil carteiras/ano a R$ 30,00 - esses números são de Ricardo Chantilly, da Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), publicados no blog Ilustrada no Pop, da Folha Online.
Nesse contexto, melhor poder usar a carteirinha da escola, faculdade ou estabelecimento de ensino. Muito mais legítimo e econômico – adeus taxa UNE.
Daí piorou. A coisa se desnaturou de vez porque de aulas de inglês, yoga até cursos de mecânico de motos (nada contra a esses cursos em si), todo mundo emitiu carteiras estudantis sem qualquer controle ou padronização, possibilitando fraudes de todo gênero.
De hoje não passa. Todo mundo vai ter que ceder. Nada mais necessário do que regular essa ‘economia’ de espetáculos, eventos e salas de cinema e teatro. A meia-entrada é um mecanismo importante de acesso à cultura e ao entretenimento por parte dos estudantes e idosos. E entre os ‘toma-lá-dá-cá’ e os ‘direitos adquiridos’ sobre algumas atividades econômicas que tanto nos acostumamos a ver, a vitória seria viabilidade econômica da atividade, ingressos a preços baixos e garantia de que a cota de 40% dos ingressos sejam voltados para o tal benefício – do contrário está facinho de estudantes e idosos dançarem.
Aposto que os estudantes legitimos vao se fuder!!!
Comentário por renato hg — 25 de novembro de 2008 @ 13:22
Acho que apenas deveria ter um controle mais rigoroso na entrada dos estabelecimentos. Sou aposentada, fui ao teatro e mostrei RG e comprovante do INSS e o rapaz na portaria estava tão atrapalhado com todo mundo entrando ao mesmo tempo que nem olhou direito. Deveriam fazer uma triagem, fornecer um cartão para passar em uma catraca, como fazem muitos edificios comerciais.
Comentário por claudia — 25 de novembro de 2008 @ 13:59
O Brasil é o “país da carteirada”. Todo mundo quer achar um jeito de ser esperto.
É um assunto bastante controverso esse de “meias” e gratuidades em geral. Tem muito estudante que tem MUITA grana e se beneficia do sistema, enquanto, graças à “dobra” no valor do ingresso, os carentes ficaram de fora, porque até a meia é cara.
Comentário por Vinicius Duarte — 27 de novembro de 2008 @ 18:33