Show do Loop B e do Helmet no Goiânia Noise


Goiânia Noise - terceiro dia e encerramento
por Fergs Heinzelmann
(Fotos: Laila de Castro)
Na madrugada de domingo para segunda terminou a maratona de três dias de Goiânia Noise. Foi sem dúvida o dia das bandas mais pesadas, como o Claustrofobia e o Periferia S.A., ambos de São Paulo. Na sequência, o Inocentes tocou seus vários sucessos dos seus mais de 25 anos de carreira. A noite e o festival encerram-se com a apresentação de outros veteranos, os americanos do Helmet, liderados pelo vocalista e guitarrista Page Hamilton, que tocou, cantou, fez piadas, elogiou quem vestia a camiseta da banda e até mesmo se disse solteiro, dando um alerta para as moçoilas da platéia.

Curiosamente, justo neste dia, em meio a tantas bandas barulhentas, que iam do punk rock ao metal, passando pelo hardcore, uma apresentação se destacou pela performance e pelas batidas tipicamente brasileiras mescladas a instrumentos bem pouco convencionais, como uma furadeira, um carrinho de mão, pedaços de máquina de lavar, uma escada de construção, tanque de gasolina de um carro: Loop B, um veterano da música eletrônica no Brasil, que retornou aos palcos do Goiânia Noise, onde já havia se apresentado na terceira edição do festival, há mais de 10 anos atrás. O músico, que já trabalhava com música eletro-acústica nos anos 70, contou algumas das técnicas utilizadas naquela época, pré-digital, a exemplo dos loops, que eram criados a partir de rolos de fita cortados e emendados novamente.
Perguntado sobre seu processo criativo atual, o que vem primeiro: as bases ou os inusitados instrumentos? Segundo ele, a primeira etapa é a composição da base, no momento a música brasileira, como o samba e nossos ritmos tradicionais tem marcado seus trabalhos mais recentes, a exemplo do "Samba da furadeira". Depois começa a busca pelos instrumentos, que podem estar em qualquer lugar, mas os ferro-velhos são um interessante local de pesquisa, diz ele. Passado esse processo de experimentação dos mais diferentes objetos, ele escolhe os que utilizará definitvamente em cada uma das bases.


Como nem sempre é possível carregar todos os objetos nas apresentações ao vivo, muitas adaptações e improvisações são feitas na hora, como foi o caso do carrinho de construção utilizado na performance em Goiânia, que estava numa parte do Centro Cultural Oscar Niemeyer - que no momento se encontra em reforma. Loop B diz que qualquer objeto pode produzir som, mas que nem todos os sons são interessantes da mesma forma. Alguns servem apenas para performance no palco, outros se prestam apenas às gravações em estúdio, por emitirem sons muito baixos, difíceis de serem captados ao vivo.
Da parte latina do festival, vieram o Ganjas, do Chile, e o Tormentos, da Argentina, que agradaram bastante ao público. Entre a apresentação do Periferia S.A. e do Inocentes, Page Hamilton, do Helmet, conversou com a imprensa e contou que estava muito satisfeito em voltar ao Brasil, onde não tocava desde 1994. Na noite anterior ele havia se apresentado em São Paulo, como atração confirmada apenas três dias antes, substituindo o lugar do show de Brasília na agenda, que foi cancelado. Ele se disse muito contente com a apresentação na edição paulistana do Noise e também com as cinco caipirinhas, que confessou ter tomado!
Hamilton se disse um fã assumido da música brasileira, e que lamenta até hoje não pode ter assistido ao vivo a um show de Tom Jobim. Ele contou também que o que provavelmente diferencia o Helmet das outras bandas de metal é justamente essa influência de outros sons em sua vida, como o jazz, que torna suas composições menos matemática, pois é uma música que vem da alma e agrega sentimento e uma cadência diferenciada às músicas.
Também falou sobre o setlist da noite, que tenta sempre modificar a cada apresentação, mas que ele deveria incluir músicas dos discos da banda nos anos 90, como ‘Betty’ e ‘Aftertaste’, além de músicas mais recentes, do álbum Monochrome, lançado em 2006. Sobre novas composições prometeu um especial para o ano que vem, quando comemorará 20 anos com a banda, com faixas novas e talvez alguma edição especial comemorativa.

O show do Helmet começou mais de uma hora depois do previsto, mas o público se manteve firme e empolgado durante toda a apresentação e saiu de Goiânia satisfeito com os três dias do Festival que movimentou o rock do país todo.
Colaborou Fergs Heinzelmann, que também assina o blog: www.fergolina.wordpress.com