Michel Gondry em São Paulo: DJ por uma noite

Essa noite de hoje tem Michel Gondry DJ set em São Paulo. O cineasta francês, diretor de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", "Natureza Quase Humana" e "Sonhando Acordado" + vários videoclipes de ponta – (’Around the world’, do Daft Punk por exemplo, Bjork, Radiohead, Beck e muito mais), está na cidade para divulgar a exposição "Rebobine, Por Favor" e seu filme homônimo que entra em cartaz no dia 12/dez.
A expo é réplica do que foi apresentado na galeria Deitch Projects em Nova York.

Criatividade, sensibilidade e nostalgia
Sinopse rápida do filme e expo: na trama de "Rebobine, Por Favor" os personagens interpretados por Jack Black e pelo rapper Mos Def resolvem refilmar o acervo de uma locadora depois que todas as fitas VHS são estragadas. Assim, fazem suas próprias versões de sucessos de bilheteria como "O Rei Leão", "Os Caça-Fantasmas", "Robocop" e "De Volta para o Futuro".
Para a exposição, treze cenários do filme foram transpostos para o MIS para que os visitantes possam fazer também, a seu modo, seus próprios vídeos.
Michel Gondry na pele de DJ
Depois da coletiva de imprensa, o diretor mergulha na noite paulistana, tocando no tal ‘bar secreto’, ou ‘bar sem nome’ ou ainda ‘CGxAA’ (indicação das iniciais das ruas da esquina em que fica o bar).
O lugar é sucesso na noite paulistana. Enquanto não abria para o público geral, os donos (franceses) faziam as festas do pessoal da moda. Todas as melhores festas do SPFW em junho foram lá. E desde então bombou. Sem nome nem divulgação do endereço. Sucesso conceitual. Só podia ser coisa de francês.
O lugar certo é low profile
Hoje o bar é aberto ao público, mas para entrar precisa ter nome na lista, ser convidado pelo anfitrião ou aniversariante da noite, chegar cedo ou ser minimamente interessante - interessante aqui não é ser celebridade, personalidade em evidência ou ter dinheiro. Nenhumas dessas alternativas funcionam, embora dinheiro no bolso seja recomendável, a cerveja long neck custa R$ 8 e os drinks em geral R$ 18. Ser do mundo da moda também ajuda bastante.
A hostess filtra a freqüência. Nunca lota, por medida de bem estar dos freqüentadores, isso é bastante elegante e raro. 180 pessoas no máximo. Se tiver show de bandas gringas ou festival na cidade pode ter certeza que algum músico desgarrado vai pintar ali na madrugada, a exemplo dos The National, MGMT, REM, The Killers… sem frescura e acessíveis. Área VIP discreta - no andar de cima - não existe aquela arrogância de quem está do lado de dentro ou do lado de fora, afinal o que os olhos não vêm o coração não sente.
O lugar parece uma sala de estar - sofás de couro preto, quadros e aqueles chifres de caça pendurados na parede, mais parece um lobby de hotel, tão cosmopolita quanto. Só que ferve. Um mistério - ninguém está ali pelo DJ – geralmente nenhum grande nome da cena, embora haja a festa mensal da hypadas WWW, embora já tenha passado por ali a dupla Justice, e hoje, ninguém menos que Michel Gondry.
Tampouco ninguém está ali pela música – pop, divertida, disco, retrô, uma ou outra novidade de ponta. Não importa, o que tocar todo mundo dança. O set é sempre bem despretensioso mesmo, tipo bailinho. Tem noite que é à base de Jukebox.
O que pega ali é o clima. É sempre festa, de terça a sábado. Bar com pista, festa-festinha, dessas bem freqüentadas por amigos em comum. O mundo é pequeno, todo mundo se conhece. E lá é aconchegante.
Os donos não concedem entrevistas, não gostam que divulguem o endereço, não querem crescer. Anti-comercial.
Músicas que bombam por ali:
‘Lovesick’, do Friendly Fires, (novidade de ponta); ‘Nada tanto assim’, do Kid Abelha, (e outras várias MPS rolam ali); ‘Give a little respect’, do Erasure, ‘Smalltown Boy’ do Bronski Beat - (mais anos 80 impossível); até "Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor", do Luiz Caldas rola, (bizarro).
E agora fica a pergunta: o que tocará Michel Gondry essa noite? Rock? Frenchy? Bandas de que fez os videoclipes? Trilha sonora de seus filmes? Noitada para poucos.
"Rebobine, Por Favor – A Exposição", em cartaz no MIS de 02 de dezembro a 11 de janeiro.
Av. Europa, 158 - Jardim Europa - São Paulo. Entrada gratuita.
aviso aos navegantes, michel gondri tocou bateria! isso mesmo, foi montada lá pelas tantas uma bateria na pista, e foi acompanhado pela cantora cibele, que em certo momento pediu temas para o improviso e ouviu: samba e sexo (sé que eu me lembro bem…)
foi divertido.
Comentário por od — 30 de novembro de 2008 @ 12:05