Terra Magazine

29 de novembro de 2008

Thiago Pethit e a cena de Freaky Folk ao seu redor

repique2008 às 10:46

Aposte: Thiago Pethit, o ex-ator agora músico que abriu o show de Bonnie Prince Billy no projeto Folk-se do Studio SP, na última quinta-feira.
Thiago acaba de lançar seu EP (Extended Play – um álbum que contém mais uma música, mas não o suficiente para configurar um LP, o famoso Long Play ).  Sua música traz sopros de nouvelle vague, tango, “tragédia, amorosa ou existencial” no ar. “São seis músicas que lancei há dois meses. Canto em inglês, francês, espanhol e português”, produzido e vendido num esquema totalmente independente. (www.myspace.com/lepethitprince)

O Repique conversou com o moço para essas dicas de música de sábado.

Thiago, quais são suas influências?
Fui morar em Buenos Aires no ano passado, lá estudei canto e composição de Tango em um conservatório. Desde pequeno escuto muita música antiga e também vejo muito filme antigo. Literatura também me inspira. E por causa do cinema minhas músicas têm muita imagem. Eu componho muito pensando em cenas.

E por que cantar em tantos idiomas?
Isso é uma coisa que me interessa desde pequeno, sou meio autodidata, aprendo de forma bem fácil idiomas, morei fora, estudei um pouco… Trocar de idioma é uma forma de me esconder e de não ser eu. Os idiomas propõem uma voz diferente ou um tema diferente. Minhas músicas são muito autorais. Falo de mim através de outros olhares.

E por que Folk?
É um gênero revisitado, que soa anos 70. Depois de tanta produção, computador, etc, ressurge um violão e instrumentos mais orgânicos. Sou Folk, mas não sou o que chamam de Folk na linha Bob Dylan. É bem diferente.

Sim, seria mais Neo-Folk, se é que existe essa denominação?
Nos EUA eles definem como Freaky Folk para diferenciar do que seria o Folk americano anos 60/70, ou do folclore deles.

É meio mal resolvido isso, não?
Abrange muita coisa que não tem nada haver entre si, como Coco Rosie e Chris Garneau.


www.myspace.com/cocorosie


www.myspace.com/chrisgarneau

Não conheço Chris Garneau.
É bem bonito. Músicas lo-fi, voz e piano.

Você não acha muito triste o Folk? Às vezes ou sempre…
Acho que existe essa tendência sim, à melancolia. Acho que tem a ver com a relação da voz+violão também. No medu caso, tudo que eu componho no violão fica muito íntimo. O violão virou meu melhor amigo, quando comecei a compor, só queria contar as coisas pra ele, sabe? (risos)

E o show de quinta no Sutdio SP, como foi?
Foi eu, violão e percussão, diferente do show que faço geralmente, com formação completa: acordeom, violão, bateria, piano e baixo acústico.  Foi bem difícil porque show de abertura… as pessoas vão lá para ver a outra pessoa. Mas conquistei algumas pessoas. No camarim conversei com o Bonnie (atração principal da noite) sobre isso e a resposta foi “você deve ter passado o que eu passei ontem” – porque ele abriu para o show de uma banda universitária em algum lugar do interior(!).

Afe.
E depois ele emendou “Relaxa, um dia alguém vai abrir para você também”.

Fala um pouco do Bonnie Prince Billy, eu mesma não conheço…
Ele é americano, tem uns 40 anos. Fez a trilha do último filme do Win Wenders. Cada disco que ele lança ele coloca um novo pseudônimo. Lá fora já está bem conhecido, aqui ainda é novidade.


www.myspace.com/princebonniebilly

E o show dele como foi?
O show dele foi super bonito. Bem intimista, ele e mais outro gringo tocando violão e cantando com ele, afinadíssimos. Foi longo. As pessoas pediram bis e ele deu bis longo e foi atendendo aos pedidos do público.

E que outros sons você anda ouvindo?


Leonard Cohen
www.myspace.com/leonardcohenlegacy


Beirut
www.myspace.com/beruit


Lykke Li
www.myspace.com/lykkeli


Andrew Bird
www.myspace.com/andrewbird


Little Joy
www.myspace.com/littlejoymusic

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