Terra Magazine

31 de janeiro de 2009

Festival Coachella anuncia seu line up 2009

repique2008 às 9:58


O pôster que anuncia a aventura já circula livre na rede.

Um dos festivais mais aguardados pelo público e pela crítica, o Coachella Music and Arts Festival, que acontece na cidade de Indio, em pleno deserto da Califórnia, lança seu line up.

Entre os dias 17 e 19 de abril o público que migrará rumo ao Oeste, de carro, avião, trem assisitrá as performances de Paul McCartney, Franz Ferdinand, Amy Winehouse, The Killers, Leonard Cohen, Morrissey e The Cure, entre mais de 120 bandas dos mais diferentes gêneros, conceitos e propostas, tamanhos e atitudes.


They tried to make me go to rehab
I said, no, no, no

Os brasileiros escalados para o evento são Gui Boratto e o N.A.S.A. - o projeto do DJ Zegon.
As especulações em torno de uma possível performance Ziggy Stardust de David Bowie não foram confirmadas, tampouco o Pavement e Stone Roses. (Uma pena, com o perdão da sinceridade eu trocaria o titio Paul por Bowie sem nem pensar).


Fleet Foxes
www.myspace.com/fleetfoxes


Glasvegas
www.myspace.com/glasvegas

Outros nomes que merecem destaque: Girl Talk; os mais comentados na mídia gringa ultimamente Glasvegas e Fleet Foxes, Thievery Corporation, que lançou um bom álbum em setembro de 2008; Antony and The Johnson, sempre especial ao pé de seu piano, com sua voz cristalina; e os mais dançantes Lykke Li, Late of the Pier, Supermayer, Friendly Fires… Domingo está imperdível. O encerramento apoteótico com o The Cure deverá ser inesquecível.

Os valores de ingressos e todas as informações sobre o festival estão no site www.coachella.com

Por outras bandas da Terra
O Sonar, festival de música e artes multimídias de Barcelona por sua vez, anuncia uma de suas principais atrações, o Orbital. É o comeback dos irmãos Hartnoll, um dos grandes nomes da eletrônica dos anos 90.


Orbital
www.myspace.com/orbitalofficial  

Pelo visto a crise não vai abalar os grandes festivais. Vamos ver se o público tem bala para comparecer.

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30 de janeiro de 2009

O Brasil no circuito internacional de foto de Moda

repique2008 às 10:18

Fotografia, moda e comportamento. Iguatemi Photoseries, o projeto que quer colocar o Brasil no circuito internacional de mostras de fotografia, trouxe em sua 1ª edição a exposição ‘Heaven to Hell – Belezas e Desastres’, do fotógrafo americano David LaChapelle. Sucesso de visitação.

Em sua segunda edição, em cartaz até o dia 05 de fevereiro, emplaca ‘Chop off their heads’, uma antologia de retratos ‘olho no olho’ que dialoga com a sociedade midiática” – clicadas pelo escocês radicado em Londres, Rankin.

O Repique bateu um papo com o curador do projeto, Chico Lowndes, que revela aqui o que está por trás desse projeto e das imagens dessas “exposições temporária que dão uso a um museu sem acervo”.

Chico, conta um pouco, por favor, sobre o projeto Photo Series.
É um projeto que começou no ano passado com a vinda da exposição do David LaChapelle. O objetivo é inserir o Brasil no circuito internacional de mostras de fotografia.

O Brasil não faz parte desse circuito?
Muito tímido. Já veio uma mostra do Helmut Newton, mas foi pequena. Se você fizer um paralelo comparando como o Brasil está inserido nos circuitos de música – eletrônica, pop – verá que é muito pouco.
A escolha da fotografia é por ser a linguagem que mais dialoga com Moda e Comportamento.

E por que trazer o Rankin?
Buscamos iniciar o projeto com dois grandes nomes – David LaChapelle e o Rankin.
No caso específico do Rankin, por ele ser um fotógrafo articulador do Britpop (movimento dos anos 90) que abrange essa onda Kate Moss, Alexander McQueen, John Galliano, Oasis… Ele consegue sintetizar irreverência e transgressão através de imagem.

Isso tem a ver com a Dazed & Confused (revista inglesa de comportamento, maior publicação independente do mundo, da qual Rankin é o publisher).
Sim. Além de ser o publisher, ele usa a revista como um laboratório para exercer essa linguagem.

Queria que você, no papel de curador, contasse sobre a mostra e suas escolhas.
Essa expo tem 50 imagens, editadas a partir de umas 300 e tantas. É inédita. Tem fotos que são do trabalho pessoal do Rankin e outras de seu trabalho comercial. Não fiz distinção nesse sentido.
É uma antologia de celebridades. Retratos de pessoas das áreas de moda, música, cinema e política. Reuni uma seleção que mostra bem a versatilidade do artista e também o fato dele não ser submisso ao construir a imagem de certos personagens. Por exemplo, no retrato de George Clooney, que é sempre o galã da história, ele está enfiando o dedo no nariz. O Rankin revela seu lado cômico, auto-irônico que acabou vindo à tona, posteriormente, no último filme dos irmãos Cohen.

E a montagem da expo?
Ocupamos o vão livre do MuBE, que foi cortado cenograficamente por duas lâminas vermelhas, como se estivessem sujas de sangue, como se fossem duas guilhotinas, o que remete ao título da exposição ‘Chop off their heads’ (cortem-lhes as cabeças). A lógica da montagem separa os retratos pela divisão dos grupos moda, música, cinema e política. Depois tem as subdivisões: intimismo em PB, fotos em cor levando-se em consideração outros fatores de composição como luz, direção de arte, técnicas de linguagem específicas.

E tem algumas sutilezas como a contraposição entre Debbie Harry (vocalista do Blondie) e a Grace Jones, a diva loira e a diva negra dos anos 80; a brincadeira com os casais, ou ex-casais: a Sienna Miller e o Jude Law – ela sexy e ele desolado, chorando no ombro do Ronald McDonald; o Justin Timberlake e a Britney Spears meio clima faroeste…
Tem também um tríptico: uma imagem do produtor musical Brian Eno berrando, outra só com os olhos da Bjork e outra com o Thom Yorke, que brincam com o “não, vejo, não ouço, não falo” – só que ao contrário. E por aí vai. A idéia foi criar uma narrativa sobre celebridades e suas relações com a mídia.



E qual a próxima mostra que você pensa em trazer?

Não posso dizer…, mas acontece em junho, paralelo ao calendário de moda.

‘Chop off their heads‘ fica em cartaz no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura (Av. Europa, 218, tel.: 3081.8611) até 5 de fevereiro.
Gratuita, de segunda a domingo, das 10h às 19h.

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29 de janeiro de 2009

Noite em SP resgata as polainas do Jazz

repique2008 às 10:09

Let’s get physical. Quinta-feira, noite da festa “De Polainas” no Tapas Club, Baixo-Augusta. Nove meninas - Adriana Recchi, Ana Flavia, Angela Rage, Glaucia ++, Japa Girl, Marina Dias, Nádia Edamatsu, Vic Flaksbaum e Vivi Flaksbaum - resgatam o espírito das aulas de Jazz e ocupam a pista de dança com suas coreografias. Todo mundo adere.

Movimento, modismo ou pura coincidência, o fato é que ultimamente, mais do que nunca, o espírito Flashdance tem dominado algumas festinhas e salões. Talvez seja o momento de lançarem o Wii Jazz.

O Repique conversou com Adriana Recchi, hostess de clubs e festas bacanas na cidade e uma das DJs da noite “De Polainas”. Vamos a ela:

Dri, de onde saiu a idéia de resgatar as polainas?
Na verdade a gente faz dança. A Vivi foi bailarina e já há algum tempo estávamos tentando fazer um exercício físico – academia, musculação, nada emplacava - até que um dia ela encontrou a coreógrafa dela dos anos 80, montamos a turma e resolvemos fazer Jazz juntas.
Disso surgiu a idéia de fazer uma festa com músicas divertidas, boas de dançar e de cantar, independente do estilo.

De polaina…
De polainas. A gente usa as polainas mesmo. Na primeira aula todas aparecerem de polainas. Só uma não veio e a Vivi tinha uma de reserva na bolsa. Não foi problema.
Da festa, já é a terceira edição. Em janeiro foi semanal. Mas mês que vem acho que vai virar quinzenal ou mensal.

E conta mais sobre as aulas de Jazz.
O espaço fica ali do lado do Tapas mesmo. A coreógrafa é a Dinah Perry, que é bem conhecida na cena de dança. O parceiro dela, e marido, é o Paulo Goulart Filho. Filho do Paulo Goulart e Nicete Bruno.
Mistura jazz, dança contemporânea, Pilates, RPG para trabalhar bem o corpo, e puxa bastante para a coreografia porque o que a gente quer é dançar.

E qual a trilha da aula?
Tem músicas que ela traz porque tem a contagem certa, mas também gravamos uma trilha com bastante Madonna, Flashdance claro, e Justin.

E a trilha da festa?
Freestyle. De tudo um pouco: anos 60, 70, 80, 90… Rock, Electro, Flash House.

O que é Flash House mesmo?
Anos 90, música eletrônica co bastante vocal, tipo ‘Silent Morning’.

E quem vai à festa?
Mistura de tudo. Amigos em comum e os particulares.

Muita gente de polaina? O povo adere?
Vááárias polainas.

E o povo faz muita coreografia?
FAZ! Faz coreô, canta junto, sobem no palco, pedem música…

E vem cá, não tem muitas DJs? Dá tempo de todas tocarem?
A gente se divide, no Tapas tem duas pistas. Geralmente duas tocam no bar de baixo e quatro na pista de cima, outra faz a hstess na porta, outra circula… E ao invés de fazermos set com horário, tocamos todas ao mesmo tempo, então acaba que você põe uma música e só vai pôr outra depois de tocarem mais três, dá tempo de ir para pista, conversar com os amigos. Estamos à frente e atrás das pick ups. É uma cooperativa de polainas.

Por fim, você ouviu dizer que a Olivia Newton John vem para o Brasil fazer show esse ano?
Mentira? Precisamos chamá-la para tocar no ‘De Polainas’!

De Polainas, no Tapas Club
Rua Augusta, 1246 - São Paulo

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28 de janeiro de 2009

Lançamentos: música para quem precisa

repique2008 às 11:31

Começo de ano, algumas bandas e músicos gringos estão lançando seus álbuns:

Super Indie: The Whitest Boy Alive
A banda liderada por Erlend Oye, também vocalista do Kings of Convenience, promete lançar seu segundo álbum, Rules, em março. O Repique já ouviu uma prévia e garante: a levada bossa-jazzy,rock indie da Banda continua deliciosa.
Já tem algumas músicas disponíveis na rede. Escute Island, no Myspace do quarteto:
www.myspace.com/thewhitestboyalive  

Super pop: Lili Allen
A bad girl, agora not that bad, lança seu mais novo álbum, It’s Not Me, It’s You, prometido para o começo de fevereiro, dia 09.
Groovy, synth-pop, ska… Produzido por Grerg Krustin e Mark Ronson, esse segundo álbum está mais dançante que o primeiro. E as letras, ainda sarcásticas, mas um pouco mais conseqüentes que seu sucesso Smile. Sinais de amadurecimento musical e emocional da garota.
www.myspace.com/lilymusic

Super alternativo: Diplo
‘Decent work for decent pay’, o mais novo álbum do produtor Diplo traz suas incursões etno-guetos, que vão do Funk Carioca a Hip Hop Aborígene. Músicas exclusivas de sua autoria e remixes de Mia, Hot Chip, Bloc Party, Kano, CSS, Daft Punk, Spank Rock, Peter Bjorn And John, Black Lips, etc.

www.myspace.com/diplo

Extra: não exatamente uma novidade… recomendo o Super Deluxe: Grace Jones
Para quem ainda não ouviu o álbum Hurricane de Grace Jones, corra. Lançado em novembro de 2008, a diva-modelo-atriz-cantora voltou com tudo, depois de 20 anos do último disco, em 1989.
Funky, dub, reggae, cabareth e sua voz aveludada fazendo a narrativa dominadora.
www.myspace.com/gracejonesofficial

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27 de janeiro de 2009

O Pôquer da galera: a febre da semana

repique2008 às 8:54

O Pôquer entre a galera, já faz um tempo, virou uma febre.
Todo amigo joga. Todo amigo tem uma roda (pelo menos) que freqüenta semanalmente. É sagrado. Fazem campeonato anual até. Uns se dividem dizendo que o dia oficial do Pôquer é a segunda-feira. Outros dizem que é a terça. Quem defende a segunda parece ter mais ‘razão’: "o cara passou o fim de semana inteiro com a esposa ou namorada, na segunda ela não agüenta mais ver a cara dele, quando ele diz que tem pôquer, ela diz ‘pelamordedeus, vá!’."

O Repique conversou com alguns amigos que jogam toda semana, (nem todos da mesma mesa), para entender o sucesso que faz esse jogo.

Contem aí, qual é a do pôquer?
Chris: Jogo para estar entre amigos. Não me interessa tirar dinheiro dos outros. Vou para me divertir.
O nosso Pôquer é super profissional. 20 pessoas, toda segunda-feira, mesa profissional – sabe aquelas que se vê em campeonato? Ovalada, para nove pessoas, com tampo forrado de veludo verde e borda acolchoada em couro para apoiar. Era de um cara que resolveu abrir uma casa para ter lucro. A polícia foi lá e fechou. O nosso Pôquer é entre amigos.

Roger
: Eu comecei sem querer em 2005. Eu fui e era realmente sagrado. Cacife de R$ 50 até duas da manhã.

Neto: É a alforria dos casados. As esposas não vão, não xingam, ou se xingam já se acostumaram. Sempre chega mais um. Virou um círculo de amigos. Tomamos uma, conversamos, se diverte e dá risada. O Pôquer socializa.
E é um jogo muito interessante em que você nunca vai parar de melhorar, assim como xadrez.

Quais são os fundamentos da mesa?
Chris: O cacife não é caro. R$ 30 para mil fichas. Nos primeiros trinta minutos você pode comprar quantos cacifes quiser, se acabar. Depois não mais. Em um dia ruim, chega até três.

Neto: Nossa mesa é controlada. Mas tem os alucinados que gastam uns R$ 250.
Outra regra: Mulheres não são permitidas. Só às quintas-feiras, na mesa extra, mas não é sempre que rola. E também pontualidade - se chegar atrasado, só fica olhando.

Fabio: Pôquer é dinheiro, não é baralho. Tem que apostar grana e você vai para ganhar, se não vira Banco Imobiliário.

Chris: O Pôquer tem uma coisa: não é sorte. É habilidade e só. Se tiver sorte, melhor. É um jogo de probabilidades. Você precisa ser bom em analisar comportamento humano e ser bom ator.
Os jogadores profissionais no começo só perdem, pagam para ver como os outros jogam, aprendem e aí rapelam porque sabem quando o outro está blefando.
Se o cara está com a mão na ficha, ele tem jogo. Se ele joga o corpo para trás, ele tem jogo também, está só disfarçando. Se joga o corpo para frente, está ansioso… Tem que conhecer a natureza humana.

Neto: Você nunca vai ser campeão se não aprender a blefar.

Tem umas caricaturas, não?
Chris: Tem os ‘Vacas-loucas’ que às vezes ganham e nem sabem por que, outros que adoram apostar tudo, os calculistas que juram que não blefam…

Roger: Sempre tem os ‘patos’, tem um ditado que diz: ‘ se você está numa mesa de pôquer e não sabe quem é o pato, o pato é você.

Neto: Temos até um blog que é o ‘after pôquer’ com as pérolas da noite.

E tem muitas expressões específicas?…
Roger:  Tem coisa de gringo: ‘steaming’, de vapor, quando você está suando por dentro; ‘on the nuts’ quando na 3ª, 4ª carta você já sabe que ganhou, mas não pode demonstrar. É uma delícia.

E por que virou essa febre?
Neto: Porque o pôquer mudou.

Roger: A febre, eu acredito, que seja por causa dessa modalidade que chama Texas Holdem . O pôquer antes tinha cinco cartas, trocavam-se duas ou três e apostava. Era meio bobo.

Mas era mais romântico?
Roger: Era…
Nesse Texas cada um recebe duas e abre-se até cinco cartas comunitárias, na mesa, que todo mundo vê. É muito mais rápido e as possibilidades mudam muito. É mais emocionante.
E esses campeonatos começaram a passar na TV, na ESPN. Todo mundo começou a acompanhar, dá uma adrenalina. Como deixou de ser jogo de azar e virou esporte, abriram casas por aí. Virou essa febre.

Fabiano:  Na TV, os prêmios são altíssimos. Deixa o povo ouriçado.

Tem casas de poquer por aí?
Roger: Tem casas underground. Sedes, 30 caras jogando. Mesas caras e mesas baratas.

Neto: Eu já fui e não gosto do ambiente. É gente que você não conhece, outro astral.

Pôquer vicia?
Roger: Já fui mais… Ia para casa noturna jogar, ficava até seis da manhã.

E ganha grana?
Roger: Tem dia que ganha mil reais. Gasta R$ 100 a R$ 200. Ninguém estressa, todo mundo continua amigo. Hoje, em casa, tem um pôquer a R$ 30. É o ‘pôquer crise’. Light, para dar risada.

Você conhece gente que já perdeu muito?
Roger: Tenho amigo que já perdeu 10, 15mil em uma noite. Eu não jogo esse jogo alto. Tenho família e fico nervoso.

E sua esposa fica louca com o pôquer?
Roger: Ficava, mas eu sempre chegava em casa com o chequinho.

E por que mulher não entra?
Neto: Não é machismo, mas com todo respeito, não entra. É a noite dos homens, e fica todo mundo tranqüilo. Se elas sabem que vai ter mulher, já começam a não deixar os caras irem, fazem chantagem… Assim, não tem nenhum tipo de perigo.

Vocês impõem muitas regras para se organizar?
Neto: É democrático. Todo mundo vota. Vira o ano, a gente muda algumas regras para ajustar e o jogo ter mais fluidez.
Por exemplo, estabelecemos que a cada uma hora tem intervalo de cinco minutos. Senão sai briga.
10% do dinheiro viram um fundo para despesas, para trocar baralho, comprar fichas, pagar o garçom na final do campeonato…

Quando é dia de pôquer, meu telefone começa a tocar às 11 da manhã. Todo mundo liga para confirmar, para ver se eu imprimi o ranking…

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26 de janeiro de 2009

Dois Palitos-o livro ou a caixinha de micro-contos

repique2008 às 11:01

Poucas palavras, quarta tiragem, um dos livros mais vendidos na Livraria da Vila. "Dois Palitos" - o livro-caixinha de fósforos do curitibano Samir Mesquita é uma coletânea de 50 micro-contos, cada um com até 50 caracteres.
Nessa era de Twitter e micro-bloggings, aqui temos uma síntese de histórias e cenas cotidanas, fantásticas e eróticas, outras beiram o gênero policial. Simples, divertidas e despretensiosas como:

Vida Nova
Só ontem consegui jogar fora a escova de dente dela.

ou

Efeito
A cada gole fica mais blasé.
Era o vinho francês.

O Repique conversou com o moço, um micro-bate-papo:

Samir, conta como surgiu o “Dois Palitos”?
Aconteceu em virtude de uma oficina literária com o Marcelino Freire em que o primeiro exercício era fazer um micro-conto. De pronto, fiz uns 80 e me veio a sensação da expressão “dois palitos”.
Foi assim que achei que pudesse render um livro.
Desde a hora que tive a idéia até o livro cair na gráfica passaram-se dois meses. É o livro mais rápido do mundo.

Foi publicado por alguma editora?
Não. É tudo independente, feito de modo artesanal. As caixinhas quem monta sou eu com ajuda de mãe e namorada.

Sua casa deve estar lotada de palitos de fósforos…
Tenho 5mil livros produzidos, vezes 40 que é o número de palitos na caixinha… Todos estocados em casa. Provavelmente vou ter que reavaliar o seguro do apê em caso de incêndio.

Como você consegue escrever em tão poucas palavras?
Meu lema é não encher o saco do leitor. O que está escrito é 10% da história. O resto está na cabeça do leitor.

Tem tudo a ver com a onda do Twitter…
Tem gente que acha que o livro saiu do Twitter. Mas na verdade eu uso o Twitter para divulgar o “Dois Palitos” com o sentido de publicar coisas novas e as notícias que o livro foi gerando. É perfeito porque é curtinho.

Acho engraçado que você se refere ao “Dois Palitos” como um livro mesmo.
É e não é. É algo que pode ser divertido levar por aí.
Só tem uma capa diferente. E isso muda a relação das pessoas com o objeto livro – geralmente algo pesado e careta.
Eu só brinquei com isso. E as histórias que acaba gerando são melhores que os próprios micro-contos. Por exemplo uma menina que estava com o “Dois Palitos” no bolso quando foi revistada para entrar na balada. A segurança abriu achando que tinha drogas dentro e acabou confiscando a caixinha mesmo assim porque adorou o que viu. A história da arrumadeira de casa colocar perto do fogão já é um clássico.

Você acha que o que você faz é literatura?
Não tenho essa pretensão. O que eu faço já está comunicando. Tem gente demais fazendo literatura de verdade.

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25 de janeiro de 2009

O melhor presente para São Paulo

repique2008 às 16:38

Feliz aniversário São Paulo, a cidade que nos dá vida.
A melhor coisa de São Paulo é sem dúvida sua gente. A possibilidade de fazer grandes amigos e conviver com pessoas dos mais diferentes sotaques, ascendências e culturas.
Toda essa variedade se espelha em sua vida social, gastronomia, diversão. Leva ao não preconceito como um fundamento da vida que se vive aqui. Vive-se com relativa aceitação das diferenças.
Não é que se vê a olho nu, mas o que se cultiva em casas, salões, empresas, cinemas, teatros, restaurantes, clubes. A vida genuína em São Paulo é indoor.

Que São Paulo você freqüenta?
São Paulo pode parecer grande demais, e ter muitas opções do que fazer e aonde ir. Mas a vida de cada um aqui se ajeita dentro de certos limites. No dia-a-dia da cidade, acredito eu, que cada habitante circule, em média, no perímetro de até 10 bairros. Formam-se grupos, contextos, comunidades e círculos e logo a impressão que se tem é que todo mundo se conhece. Pode parecer incrível para quem não frequente Sampa, mas é mais fácil do que se imagina trombar sem aviso prévio com amigos e conhecidos e desfrutar dessa convivência. E construir relações a partir disso. Aqui não existe anonimato.

Paradoxo: essa gente toda não tem cidadania.
Mas se seus habitantes são seu bem mais precioso, é incompreensível o descaso que têm entre si quando montados e protegidos em um carro.
Para além do trânsito, aqui as ruas não são de ninguém.
Essa mesma gente torna-se quase incapaz de trocar gentilezas e de se respeitar. Beiram a monstruosidade. Provocam-se entre si, competem, buzinam e nunca priorizam a passagem de alguém que está a pé, por exemplo. Ser pedestre em São Paulo é um ato heróico.
E é incrível que nada nem ninguém levante essa bandeira, mobilize uma campanha ou simplesmente eduque para esse fato. Seria o melhor presente que seus habitantes poderiam lhe oferecer.

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24 de janeiro de 2009

Os segredos de São Paulo em um rolê à noite

repique2008 às 13:45

São Paulo é linda nos detalhes. Cada ângulo e cada canto tem seu charme. É para quem sabe olhar.
Comemorando os 455 anos de São Paulo, o Repique conversou com dois fotógrafos do coletivo do Rolê, um grupo de fotógrafos que sai à noite na cidade registrando a plasticidade de Sampa. Vamos a eles, Ronaldo Franco e Paulo Batalha:

Rapazes, contem um pouco sobre o Rolê.
Surgiu entre amigos que se encontravam para tomar cerveja. Quase todos eram fotógrafos profissionais ou tinham a fotografia como hobby e então resolvemos sair para fotografar São Paulo à noite.
Depois de algumas vezes, as pessoas perguntavam onde poderiam ver as fotos e assim surgiu o site (www.role.art.br/ ). No final, acabou crescendo e rolaram exposições e mostras internacionais.
Mas a idéia é reunir pessoas para fotografar. Hoje somos 14, mas sempre os amigos dos amigos são bem vindos.

E como funciona?
Algum dos 14 resolve o dia, marcamos de encontrar em um bar e decidimos onde vamos fotografar.

Simples assim…
É um coletivo. O dinheiro que entra é reinvestido. Por exemplo, recentemente fomos chamados para ilustrar um guia e com o cachê compramos um projetor para fazer intervenções nos prédios de São Paulo.

Não é uma atividade profissional…
Não é profissional. A princípio não tínhamos essa intenção, porque não é a prioridade profissional de nenhum de nós, mas com a proporção que tomou, acho que acabou virando.

E contem uma coisa São Paulo é fotogênica?
Ronaldo: Extremamente. À noite ainda mais do que de dia.
Batalha: Não existe fotogenia. A beleza está no jeito de olhar. São Paulo é de certa forma maltratada mas é possível ver sua beleza – a iluminação, as construções, os prédios…

Qual a melhor parte de fazer esse Rolê na cidade?
O grande barato é poder andar a pé à noite pela cidade. Aqui, se deixar, você não põe o pé na rua nunca. Com o Rolê a cidade volta a ser um espaço de convivência. Você tem mais tempo para observar. E à noite tudo está vazio. É outra cidade. Não tem o movimento. São outras pessoas – às vezes marginalizadas – ambulantes, mendigos e prostitutas que tentam conquistar seu espaço.

Quais os lugares mais legais que vocês já clicaram?

O prédio da Bienal que conseguimos liberar um dia, vazio, para fotografarmos.

A Vila Nova Cachoeirinha que a gente entrou à noite numa favela, chamada Divinéia.

O piscinão que tem embaixo da Praça Charles Miller (Estádio do Pacaembu), onde quase fomos presos pela polícia. Lá é uma galeria de água e tem uma galera que mora lá. Quando estivemos lá não vimos ninguém, mas vimos as roupas secando, fogãozinho de lata…

E o Largo 13. Foi fantástico. Era uma rua tomada por barracas fechadas. Parecia um labirinto. Não sei se tem ainda.

Todas as fotos são do Rolê, para ver mais: www.role.art.br/

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23 de janeiro de 2009

Arquitetura e transformação na cidade de São Paulo

repique2008 às 9:57

A cidade é um todo. A cidade é de todos. Em mais um dia de Especial Aniversário de São Paulo, o Repique conversou com os arquitetos dos escritórios Elito Associados e Metro Arquitetos para entender algumas questões que organizam a vida de quem mora, trabalha e circula em Sampa. A paisagem e a história que se constrói e respira todos os dias na cidade que está sempre em obras. Vamos a eles:

Gostaria que vocês comentassem a cidade do ponto de vista de um arquiteto.
Elito Arquitetos: Consideramos que São Paulo acabou se transformando e hoje é composta de espaços privados, de uso privativo, onde as pessoas fazem o que querem e como querem. Falta valorizar os espaços públicos. A cidade acabou virando um corredor voltado para a circulação de carros, que liga esses prédios, casas, cinema, empresas, teatros e shoppings – espaços que até são abertos ao público, mas de uso privado.
Metro Arquitetos: O maior problema de São Paulo é que a cidade é segregatória. Tirando alguns bairros que são completos, como Pinheiros, por exemplo, a maioria é residencial e comercial diurno. Não são bairros mistos como no resto do mundo. A lei separa as áreas de casas, prédios e serviços. Você mora num lugar em que precisa pegar o carro para tomar um café. Isso não é saudável.

Não favorece que as relações sejam mais humanas…
Elito: A praça em frente ao Spot na Avenida Paulista (foto), por exemplo – aquele espaço é privado, é financiado pelos prédios que estão ao redor e que oferecem para a cidade, para as pessoas. É legal isso.
O vão livre do MASP também é um espaço privado aberto ao público. Seria interessante isso acontecer na cidade inteira, não só na Paulista. Esses espaços têm uma função na cidade.

O metrô é super cidadão. Além da função que tem, a arquitetura das estações e o jeito como funciona também é exemplar. Os SESCs são outro exemplo. Não é um espaço público, mas aberto ao público. Têm variedade de arquitetura entre as unidades, cada uma delas é assinada por um arquiteto, você pode até questionar esteticamente, mas são exemplares. Tem escala humana. Em especial o SESC Pompéia (assinado pela Lina Bo Bardi), qualquer um pode utilizar e lá acontece muita coisa.

Metro: Ao mesmo tempo São Paulo é tão grande. Por exemplo, na periferia existe uma vida em comunidade em que as pessoas se ajudam muito mais, tem relações de convivência, tem vizinhança. O cara não tem telefone, ele recebe ligações na casa ao lado, numa boa. Em Higienópolis, a dinâmica é outra, ninguém se fala, é super elite esnobe.


Capela do Morumbi

Do ponto de vista da arquitetura, São Paulo é autêntica?
Metro: Eu acho. Tem uma história muito longa que começa no século XVII. Tem a capela do Morumbi e o Pátio de São Paulo. Tem arquitetura gótica da Catedral da Sé, o movimento Modernista dos anos 30, da escola paulista que é diferente do Rio de Janeiro. Aqui, o que é importante é a convivência disso tudo. Se você for ao Centro, lá tem o Copan, o Edifício Itália, o edifício Esther, que é dos anos 50. Depois tem o Viaduto do Chá, que é rococó inglês, uma cobertura do Paulo Mendes da Rocha dos anos 90 ao lado da igreja Santo Antônio, uma capelinha dos século XVII – uma das primeiras casas de São Paulo.

Vocês acham que São Paulo preserva seus prédios ou a construção civil passa a máquina e faz outra coisa por cima?
Elito: A tendência é tudo o que ainda resta da antiga configuração virar empreendimentos privados e verticalizados num esquema "tabula rasa", mas há exemplos como a região da Luz (Museu da Língua Portuguesa, Dops, Estação Julio Prestes); a Barra Funda, em que os antigos galpões estão sendo ocupados por empresas… Nesses casos existe uma Operação Urbana. Mas não há dúvida de que a política de revitalização é tímida demais para a escala da cidade e seus problemas.

Metro: Sobrou muito pouco da história. A questão é que tem um órgão responsável por isso, o IPHAN que tomba os prédios e aí não pode fazer nada, o que leva ao sucateamento. Diferente do que acontece lá fora, onde se recauchuta o prédio preservando o que importa e deixando explícita sua intervenção.

Bom, e esses prédios ‘neocoloniais’, de gosto duvidoso, que todos os dias aparecem por aqui?
Metro: O que você chama de neocolonial é o neo-neo-neo-pós. Neo-colonial é Ramos de Azevedo que fez o Teatro Municipal, o colégio Caetano de Campos, a Pinacoteca – um arquiteto super importante para a cidade que fez vários edifícios públicos.
Mas a questão é simples: temos a arquitetura comercial e a ‘outra’, que é mínima se comparada com a comercial. A gente não tem cultura, a elite tem dinheiro e não necessariamente tem informação ou discernimento. A arquitetura comercial vende o que é mais barato, o mais simples e igual ao projeto anterior. Tudo mastigado e fácil de engolir. Quanto mais ornamento, melhor. É um modismo. O cara compra o apartamento pela foto, nesses stands que ficam na rua. Tem espaço gourmet, glamour, etc. Só que quem vende põe os móveis na planta decorada em outra escala. É nesse nível. Daí quando fica pronto, o resultado são aqueles banheiros e quartos minúsculos. Quem compra não tem noção da picaretagem.

Que pontos vocês acham que são de especial interesse? Os não muito famosos…
- A USP não só pelo urbanismo clássico da arquitetura moderna, mas em especial o prédio da FAU que é do Artigas.

- A Capela do Morumbi – uma ruína de taipa reformada pelo Warchavchik nos anos 50.


- A primeira Casa Modernista de São Paulo, também do Warchavchik; (foto)

- A galeria Leme, que é pequena, mas tem uma geometria específica para entrada de luz natural;

- A Cinemateca na Vila Mariana;

- A Casa do Bandeirante, que tem arquitetura colonial, a cidade abraçou aquele espaço, cresceu em volta.

- E tem uma praça nova que todo mundo está falando, a Praça Victor Civita, é suspensa, foi feita em cima de uma área que era um lixão. Ganhou prêmio. Parece ser bem interessante.

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22 de janeiro de 2009

O passo a passo para turista começar a entender SP

repique2008 às 9:14

Especial aniversário de São Paulo – Em comemoração aos 455 anos de São Paulo, no próximo 25 de janeiro, o Repique inicia hoje uma série de posts sobre alguns aspectos da maior cidade do Brasil.

São Paulo é feia que todo mundo sabe. Grande, cara, lotada de gente, trânsito lento… Por que milhões de pessoas insistem em viver aqui?

Quem vem para cá pela primeira vez se assusta. Mas, aos poucos, o modo de vida paulistano se revela – seus encantos, interesses, fluxos e histórias. Começa a fazer sentido. O Repique conversou com Christian Burk, dono da agência SP Tours – especializada em turismo receptivo, que leva os de fora para conhecer essa cidade, na grande maioria das vezes, executivos que vêm para cá a trabalho. Vamos a ele:

Chris, qual o perfil do turismo em São Paulo? Quem vem aqui faz o que?
São Paulo recebe mais ou menos sete milhões de turistas por ano. Não sei quantos são estrangeiros, mas muitos vêm a negócios. Se compararmos com o turismo médio do Rio de Janeiro, esse turista fica três dias e gasta em média U$ 250. O turista que vai para o Rio fica sete dias e gasta U$ 150. A diferença é que quem vai ao Rio, vai a passeio. O cara que vem para cá é corporativo, ele não põe a mão no bolso. Ele saca o ‘Amex Corporate’ – a empresa que paga por sua estadia. Por isso ele vai a restaurantes, procura serviços mais sofisticados, bons profissionais. Diferente do Rio, ele não dá um rolê de taxi nem entra em grupos grandes para conhecer a cidade. Hoje aqui só tem a empresa do metrô São Paulo City Tour que faz isso, custa R$ 10 por pessoa, mas tem horários fixos, quase nunca os buracos na agenda desses executivos coincidem, o cara vem para uma reunião e tem a brecha de uma manhã ou uma tarde para conhecer São Paulo.

É bem pouco tempo. Normalmente onde você leva essas pessoas para conhecer a cidade?
Gosto de mostrar São Paulo de uma forma dinâmica. O meu roteiro normalmente começa pelo Centro – Catedral da Sé, Pátio do Colégio. Lá o cara já vê o mix de gente. Explico a história do Brasil colônia e a história de como São Paulo se desenvolveu. Tenho tempo porque os grupos não são grandes - duas ou três pessoas, geralmente.

De lá, saio para a 15 de Novembro, vou para o Centro Cultural Banco do Brasil, passo pela Bolsa de Valores, pelo Banespão, vou até o Mosteiro São Bento, passo pelo Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá – lá tem a sede da Prefeitura, o Shopping Light, e vou até o Teatro Municipal.
Sigo de carro para a Sala São Paulo, Pinacoteca e vou para o Mercado Municipal. Nesse trajeto ele vê o centro financeiro, que é a periferia do Centro e as coisas mudam bastante. Não é bonito, mas tem os mercados específicos – os atacadistas : rua das noivas, dos restaurantes, dos carros.

No Mercadão deve ser uma festa dos sentidos…
Eles comem, bebem sucos, provam as frutas… Ficam loucos.
Depois do Centro, passo por Higienópolis. Em um período muito curto de tempo ele já vê uma mudança drástica: mais verde e menos gente. Passo pelo estádio do Pacaembu – se tiver tempo paro no Museu do Futebol que é fantástico.

Ainda não fui…
De lá vou para a Avenida Paulista e Jardins, passo pela Oscar Freire e vou ao Ibirapuera – o nosso Central Park. De lá ainda vou para a Vila Madalena que é um dos poucos bairros centralizados onde podemos ver casas pequenas, onde até os anos 70 era um bairro de classe média baixa, cheio de estudantes porque fica próximo a Cidade Universitária. Lá ele vê a concentração de bares. Finalizo na Praça do Pôr do Sol, onde se vê a cidade de outro ângulo – a cidade verde, não só de edifícios.

Ele tem uma impressão do todo.
Um bairro não tem nada a ver com outro. É uma oportunidade de ver que São Paulo é cidade dinâmica, que muda constantemente. Cada bairro tem sua história.

Que outro bairro você curte aqui em são Paulo?
Um bairro que eu adoro é a Lapa. Lá você vê casas pequenas de gente que trabalhava nas indústrias ao redor. Tem muitos galpões. É uma bairro de classe média. Mas a Lapa, assim como Perdizes, é um bairro que acabou. São casas simples que o cara não tem dinheiro para reformar, aí vem uma construtora e oferece uma grana, compra o quarteirão inteiro e constrói um condomínio.

Isso não acontece no Jardim América, Pacaembu ou Sumarezinho, onde os proprietários – por contatos na Prefeitura, organização, dinheiro ou informação – conseguem preservar o bairro. Aquelas casas são o ‘grande negócio’. O cara não vende e mantém o bairro horizontalizado.

No que mais os turistas piram?
No Mercado Municipal, não tem onde pirem mais. Tira a tampa.
Gostam da receptividade – dizem que temos uma gentileza natural em receber. Outra coisa, não é positivo: piram no trânsito, mas dizem que dirigimos bem e que São Paulo buzina pouco.

POUCO?????
Vai para o Rio. Vai para Nova York. Não precisa ir longe para comparar. Os carros aqui são geralmente novos, não são batidos, não se vê muito acidente com carro.

Bom, e que outros passeios você indica?
O Museu de Arte Sacra. É um museu muito bacana. É uma igreja lá dentro. Continua sendo um convento. É um espaço enorme, com área verde, uma construção colonial, obras do Alejadinho, do Barroco brasileiro. Lá tem o segundo maior presépio do mundo. Napolitano. Sensacional. Lá eu falo ‘UAU’.

Depois, Pinacoteca, MASP, Museu da Língua Portuguesa. O Jardim da Luz que é bonito, tem personalidade, obras externas da Pinacoteca… Em dez anos, quando a região do Centro melhorar, o Jardim da Luz vai ser super hype.

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