Terra Magazine

14 de janeiro de 2009

Baixo-Augusta: o celeiro de músicos da cidade

repique2008 às 10:07

Em seu processo de transformação ao longo dos anos 2000, o Baixo-Augusta virou um point da cena alternativa na cidade, onde nasceram e cresceram muitos projetos musicais nacionais.
Lá tem de tudo - da MPB autoral ao Punk Rock. E o Repique foi atrás de entender esse fenômeno. Por que o Baixo-Augusta é tão musical?

Para Gunter Sarfert, o General Elektrik da banda Jumbo Elektro o Baixo-Augusta tem muito músico por sua localização central –“Roqueiro geralmente é perrengueiro (passa por muito perrengue), anda de metrô, ônibus, etc. e a Augusta é um lugar de fácil acesso. Na Barra Funda tem também lugares legais, mas não em tão grande quantidade quanto aqui na Augusta, e nem tão fáceis de chegar.
E acabou virando um celeiro de músicos porque tem muitos tipos de baladas – Hip hop, eletrônica, rock and roll em todos os seus estilos, punk, MPB… As casas estão estabelecidas, com programação diária para todos os ritmos. E todo mundo se acostumou a ir à balada no Baixo-Augusta. Rola uma troca de idéias, tem muitos bares e boêmia, isso facilita. Na Suíça isso não rola – o que eles fazem lá? Relógio cuco.
A Augusta é um meio. Não é meramente uma rua. Ela significa comunicação. Putaria e cultura.”

Para Tatá Aeroplano - também integrante da banda Jumbo Elektro e líder do Cérebro Eletrônico, a Augusta virou um ponto que catalisa toda uma cena alternativa “porque desde o começo dos anos 2000 teve a volta do Rock e lá começou um movimento alternativo forte, com a Funhouse, o Outs… Uma coisa levou à outra e quando se viu, a Augusta virou um point. E o Studio SP tem um papel super importante por apresentar bandas alternativas e outras mais conhecidas – Orquestra Imperial, Nação Zumbi, Otto – que querem fazer um show numa casa que ofereça um som legal. E muitos outros projetos novos também, que tocam no Cedo e Sentado (shows de abertura da casa, mais cedo, com entrada gratuita) – para quem está começando é um espaço fino. É importante para o eixo Rio-São Paulo, tem revelado muitos músicos, cantoras e cantores.”


Alexandre Youssef conversa com Max de Castro.

O Repique foi então atrás de conversar com Alexandre Youssef, o Alê, um dos sócios proprietários do Studio SP – uma casa que acabou migrando do bairro da Vila Madalena para o Baixo-Augusta, com sua proposta de fazer aparecer novos nomes da cena musical brasileira. Vamos a ele:

E aí Alê, valeu à pena sair da Vila Madalena para ir para a Augusta?
Valeu. A gente sentiu a necessidade física de sair porque a casa estava lotando demais. A gente faz show e precisa de público.
Houve na cidade um ressurgimento da música ao vivo autoral. Aqui e nas principais cidades do mundo. Se você for para Nova York ou Londres, os melhores clubes são pequenas casas de show. Só em Berlim persiste - e inclusive concentra - a cultura da música eletrônica.


O galpão do Studio SP no Baixo-Augusta

E por que a opção de ir para a Augusta?
A opção da Augusta é porque é uma região central, vanguardista, mais mente aberta, tem espaço para o novo. A gente não foi para a Augusta para colar na proposta da rua, nós levamos a nossa proposta – uma casa de música alternativa ao vivo com programação diversificada.
Mas a Vila Madalena também não é alternativa e vanguardista?
Não é legal comparar. É uma região de vanguarda, mas de outra forma, cada uma tem sua cara.
A Augusta tem o proibido à flor da pele, é mais democrática. É a rua mais famosa da cidade. A Vila Madalena é tradicional na cidade, se consolidou no conceito de noite de ‘bar, voz e violão’. E aconteceu a elitização desse conceito. Em decorrência dos problemas imobiliários da Vila Olímpia muito s negócios migraram para a Vila Madalena e isso elitizou a freqüência do bairro. Do ponto de vista musical o bairro ficou muito estático no samba-rock.

Você acha que as medidas do Kassab ajudaram ou prejudicaram desenvolvimento da noite na cidade?
Nem prejudicaram nem ajudaram. A prefeitura em geral não tem noção do potencial da noite em São Paulo – que é um de seus lados mais bonitos. Não conhece e não explora do ponto de vista econômico, social e turístico. Isso é o pior - ser indiferente.
O Kassab tem a tendência a ser um Rudolph Giuliani,o prefeito de Nova York que instituiu a política do ‘tolerância zero’. Só que lá, nos bairros alternativos, tem a presença do poder público – metrô 24hs, o New Museum… Comparando com São Paulo, falta apoio. O investimento em novas profissões da noite e da cultura jovem só melhoraria a cidade e desenvolveria a economia local.

Com essa popularização toda, você acha que o Baixo-Augusta está virando mainstream?
É totalmente alternativo. Do ponto de vista sociológico, antropológico e MUSICAL. Falar o contrário é procurar "hype gringo" pra medir o que é ou não é alternativo. Estamos no Brasil e até o samba que se ouve pela Augusta é alternativo - por exemplo, o Wilson das Neves, que faz temporada no Studio em janeiro. Na frente do Studio tem o Coco Bongo e o Cabana Café. Não da pra ser considerado mainstream, né?

Qual a contribuição da Augusta e do Studio SP para a cena de música alternativa em São Paulo?
Nós somos hoje um ponto de encontro da nova cena musical brasileira. Estamos totalmente envolvidos com a nova geração da música ao vivo autoral no Brasil. Brinco que o Studio SP é neto do Aeroanta.
Então, a regra de três é essa: a Augusta está pra Vila Madalena dos anos 80, assim como o Studio SP está para o Aeroanta.

O que você acha que é a cara da Augusta?
A diversidade. A Augusta é São Paulo assumida.

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16 Comentários »

  1. Amo o estúdio SP, a Augusta e acho a cena musical dela promissora, tal como sua diversidade.
    O contato entre pessoas alternativas, de mente espandida e que curtam estilos diferentes, só pode nos trazer misturas boas, bons projetos e sempre mais e mais músicas!rs

    valeu, amei esse blog!

    Comentário por $noopy — 14 de janeiro de 2009 @ 14:11

  2. O novo espaço do Studio SP é ótimo, e a programação é fantástica. Mas tem um problema de conceito da casa que me afasta. O Studio SP oferece shows com horário de balada. Shows começando depois da meia-noite durante a semana é tarde para quem quer assistir o show e ir embora para casa.
    Por causa disso o público da casa me parece muito confuso. Quem vai para assistir ao show fica impaciente para que comece logo (pois nunca começa no horário divulgado). A outra parte está lá para a balada, não faz idéia de quem irá tocar e nem se importa, fica batendo papo na frente do palco.

    Comentário por FePa — 14 de janeiro de 2009 @ 14:24

  3. Qual o valor da entrada, dias de funcionamento e que tipo de som rola?

    Comentário por viviana fernanda — 14 de janeiro de 2009 @ 14:31

  4. nossa, vc so sabe falar da rua augusta? ah, esqueci, voce é ”alternativa”, o maior cliche dos ”anos 2000”

    Comentário por lu — 14 de janeiro de 2009 @ 14:39

  5. Oi Lu,
    Como se vê, estou fazendo um especial sobre o Baixo-Augusta, que é um mote para muitas das idéias aqui presentes. Vai até sábado. Despues, voltamos ao trivial variado: balada, música, moda, design, grafitti,cinema, comportamento, viagens, gente interessante…

    viviana, para a programação e preços, visite o site do Studio SP: http://www.studiosp.org/
    vale a pena, sempre tem algo bacana. obrigada pela visitinha.

    Comentário por paula — 14 de janeiro de 2009 @ 15:41

  6. Olá!!

    Eu sou de Santos e aqui não tem muita coisa diferente do que o trivial. Sempre a mesma coisa, por este motivo às vezes é melhor juntar o pessoal em casa, escutar músicas bacanas, beber e trocar idéias. Isso acaba virando uma noite de bar. Mas em casa só vai quem conhecemos rs, se houvesse lugares como este aqui seria ótimo para conhecer novas pessoas e trocar informações…
    Queria dicas de bandas boas que passam por aí, daí dá p/ procurar no myspace.
    Beijos.

    Comentário por alessandra — 14 de janeiro de 2009 @ 16:34

  7. Manda os endereços, preços, horarios, esquemas e etc etc etc
    grato

    Comentário por Fernando Inouye — 14 de janeiro de 2009 @ 16:56

  8. parabéns pela série! a cena da Augusta é demais mesmo!

    fica o convite pra vir pra poa conferir o circuito cidadebaixa- bonfim (guardadas as devidas proporções e as poucas primas), mas com certeza a única maneira de oxigenar/revitalizar uma área é com gente na rua.

    Comentário por maustar — 14 de janeiro de 2009 @ 17:05

  9. olha paula achei sensacional sua reportagem, continue assim .
    eu aqui em mirandopolis nao temos um lugar assim como o studio sp, mas vamos para araçatuba no novo “pub rock beer” que é show de bola e se quizer algo sobre , estou a inteira disposição… abraços e nao desista , continue , fique com deus

    Comentário por fauez — 14 de janeiro de 2009 @ 17:31

  10. Essas matérias da augusta são muito boas, parabéns e continuem a explorar mais essa rua que é o ‘coração’ da cidade!
    Um grande abraço.

    Comentário por william — 14 de janeiro de 2009 @ 17:47

  11. Muitos criticam a baixa augusta por pensarem que só tem putaria, mas se enganam ! Rua classica de varios movimentos alternativos e estilos diferenciados. Já morei um ano no final dela e posso garantir que da-li você sai com outra visão e conceitos a serem revistos.

    Abraço a todos !! Pardal - Bauru/SP

    Comentário por Fábio Negrão - Pardal — 14 de janeiro de 2009 @ 18:33

  12. Estou na expectativa de ver algo sobre os stickers colados na rua Augusta >>>> já passaram pelo blog nos últimos dias um ‘lambe’ do Tom B, a fachada do Studio SP… >>>> mas a Augusta concentra o que tem de mais representativo na cena sticker [pós-grafite] paulistana e consequentemente brasileira e mundial >>>> parece exagero mas não é [ http://www.grupoarac.com - linkar em DIA-A-DIA ].
    Independente disso, parabéns pelo blog e pela iniciativa! Tenho curtido muito!

    Comentário por Eli — 14 de janeiro de 2009 @ 18:56

  13. TATÁ AEROPLANO….. Ô infeliz, volta do rock ? Que opinião estúpida é essa. O rock nunca foi, como é que pode ter voltado. Só mesmo para esses neo-pseudo artistas agitadores culturais, na qual você (TATÁ) e a digníssima jornalista que concedeu espaço se enquadram. A busca sem limites por ser diferente a qualquer custo acabou tornando todos iguais. O underground virou mainstream e vice-versa. Parabéns, vocês finalmente conseguiram acabar com tudo. Até nunca………………MU(OZO). NÃO EXISTEM FENÔMENOS MORAIS, O QUE EXISTE É UMA EXPLICAÇÃO MORAL DOS FENÔMENOS. EIS A MINHA!!!!!!!

    Comentário por Maiakoviski — 14 de janeiro de 2009 @ 19:45

  14. Olá!
    sábado passado10/01/09, estava de bobeira e fui até a livraria cultura, depois desci a augusta a procura de um lugar para tomar uma cerveja, e nçao é que encontrei, achei um bar com música ao vivo, uma roda de samba, só que diferente dos bares comuns, o pessoal não estava tocando apenas para os clientes, estavam se divertindo. Muito legal o ambiente e a galera totalmente do bem.
    o nome do bar acho que é comendador, na esquina da Rua da delegacia.

    Comentário por Renato — 15 de janeiro de 2009 @ 18:08

  15. Arrasou na pesquisa, Paulinha! :)

    Comentário por Zeca Bral — 15 de janeiro de 2009 @ 18:36

  16. um tanto mainstream pro meu gosto

    Comentário por ivi — 23 de janeiro de 2009 @ 17:08

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