Terra Magazine

5 de fevereiro de 2009

Noites fervidas no circuito indie de São Paulo.

repique2008 às 10:54

“Life begins at 3am”. As diferentes faces do agito que rola nas cidades do Brasil. Não falaria tão cedo de São Paulo se não fosse pelo fato de que uma das figuras mais icônicas e carismáticas da noite estar se despedindo da cena indie: Rick Levy, o host, o homem que faz a porta da Funhouse, que assistiu desde 2001 todas as ‘faunas’ da noite: indies, clubbers, rockers, ravers… revela afinal como é a noitada dessas pessoas que fervem até o dia raiar durante a semana. Essas pessoas não têm obrigações no dia seguinte?
Vamos a ele:

Rick, como se transformou a noite no circuito indie, do começo dos anos 2000 pra cá?
Conheço a noite indie desde 2001, que foi bem diferente do que é hoje, principalmente no que se refere ao que era a ‘vanguarda’ naquele tempo.
Hoje não temos mais vanguarda. Com o advento da internet, o que se lança hoje, na semana que vem já não é mais novidade.
Existe o indie e o alternativo, que antes era o Britpop, hoje é o electro-rock, new rave, disco-punk.
O artista que quer estar à frente está fazendo um som mais eletrônico. Até a Lily Allen está lançando um álbum com pegada eletrônica. Seu primeiro disco era mais reggae, dub, ska.
O indie evoluiu daquele estereótipo básicão ‘Strokes- calça jeans-All Stars e franjão’. E hoje está muito mais animado. As pessoas estão mais felizes e coloridas, as meninas se maquiam mais. É uma releitura dos anos 90, quando todo mundo tinha roupa específica para sair à noite, todo mundo se montava mais. Antes era blasé. E o blasé caiu total. Aquele cara que antes passava a noite inteira encostado na parede, hoje vai continuar encostado se não for para a pista dançar. Não existe mais o ‘shoegazer’.

Você viu formar a banda Cansei de ser Sexy, não?
O Cansei foi super importante nessa transformação. Sou amigos de todos eles, conheço um a um, desde antes da banda. Eles são super ‘away’ para regras. Surgiram em 2002 quando a Lovefoxx quis fazer uma banda para pular, cantar e se jogar. Elas escreviam com canetinha no corpo, tinham uma rebeldia que os indies à época não tinham, eram todos mais contidos.

Hoje, você dança, cai, levanta. O Bonde do Rolê e todas essas bandas variantes com pegada do Funk são da mesma praia.

E quais são as melhores festas do circuito indie paulistano?
Por trabalhar na noite, vou muito pouco às festas, mas indicaria a Funhell, às quartas feiras na Funhouse – vai mais gente do que no sábado; a festa Crew e a Vai! que rolam no Glória. Todo mundo se arruma, se monta, põe salto.

E quem freqüenta essas festas?
Povo da moda, pessoal que trabalha em lojas e produtores, muitos músicos, gente que não precisa acordar cedo no dia seguinte e que não depende de horário.

E como é uma noite fervida no circuito indie?
Dançar até quebrar o salto e depois ainda ir para um after ou uma feira, ou comer sanduíche de pernil no Estadão, de maquiagem borrada, mas feliz e de alma lavada. E na sequência trabalhar, cheirando cigarro.

E que sons mais pegam fogo na pista?
Como trabalho na porta, sou o que menos conhece as novidades, mas electro-rock e disco-punk são as vertentes.

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1 Comentario »

  1. Foi um dia…
    ferveção = demodé

    Comentário por n.Nail — 5 de fevereiro de 2009 @ 15:02

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