Terra Magazine

13 de fevereiro de 2009

A noitada em Porto Alegre é do rock.

repique2008 às 11:20

Chegou a hora de Porto Alegre. O Repique foi atrás de saber como é a noite na capital gaúcha e conversou com duas pessoas: a Fergs, vocalista da banda A Red so deep, que defendeu a noitada rock da cidade. Em contraponto, Lucio Ka-Hara, o produtor da festa Neon, defendeu a cena eletrônica. Vamos a eles:

Fergs, conta como anda a noite em Porto Alegre.

Bom, tudo depende do público. Mas originalmente a balada em Porto Alegre é rock. Dos anos 80 pra cá é só o que é feito aqui. Se tem balada eletrônica, pode ter certeza que é electroclash.

Tem certeza que é só rock? Depois vão reclamar…

Tem a galera do samba-rock, mas eu nem sei onde eles vão. É difícil alguém ir a todos os lugares da cidade. Só que de onde veio a galera do samba-rock? Do rock!

E quais são as casas que pegam?

O bar mais importante da cidade é o Beco, que abriu em 2004 e que já mudou de lugar várias vezes. Agora tem dois Becos – o Cabaret do Beco e o Porão do Beco, onde tem os shows. É lá que rolam as histórias. É o mesmo dono, a mesma proposta, o mesmo nome - só aqui em Porto Alegre tem isso.

E o surreal é que quando tem duas festas no mesmo dia nesses lugares, lotam as duas casas. Houve uma vez que o dono criou uma história de uma festa open bar, e muita gente reclamou, não gostou, etc, e para tirar a dúvida, ele fez, na mesma noite, duas festas: a Open Beco – com o open bar, e a Eu odeio o Open Beco, com os mesmos DJs. Lotaram as duas.

Existe ainda o Ocidente, desde os anos 80, quem toma conta lá é a Julia, filha do Fiapo, o dono.

E o que é bem eletrônico é o Laika, onde também rola show de rock.

Então você gira, gira e cai no rock de novo. A cultura das bandas de rock aqui é muito forte.

E por que essa febre?

Consigo imaginar que é porque aqui é mais frio que qualquer outro lugar e é mais distante também. Agora tem internet, as informações chegam, mas antes as coisas não chegavam. Então as pessoas faziam elas mesmas suas bandas, tocavam suas músicas… Daí seu amigo é músico e você sai à noite para prestigiá-lo. Tem um mercado regional muito forte disso, dá grana, e as pessoas sobrevivem fazendo música.

Quais são as melhores festas?

Aqui a cultura das festas é em cima de quem organiza. Tem a Rendez-Vous, feita pela Jordana - é uma festa itinerante em puteiro – tocam músicas diversificadas. Tem a festa Lust for Life do Eduardo Normann e Mariana Kircher, da banda Space Rave – um casal que sempre agita.

Tem a 999, com hits dos anos 90; tem uma festa bacana, aos domingos que chama Kiss my Jazz. Tem muita festa com referência aos anos 60…

Anos 60?

Sim. Até tem uma música do Frank Jorge que chama ‘Obsessão anos 60’. A letra é bacana.

Não suporto mais esta obsessão pelos anos 60…
Não consigo explicar, só sei que ninguém mais
aguenta…

Bom, e quais são as bandas do momento então?

Difícil. Vou acabar falando as mesmas bandas de anos atrás e vai parecer que nada de novo acontece. Mas, das coisas novas, tem a Damn Laser Vampires, a Lautmusik… E das antigas, citaria a Walverdes que é super legal.

E a cena eletrônica, conta um pouco vai…

(Nessa hora entra o Lucio Ka-Hara para defender a noite eletrônica de POA):

Lucio: No Porão do Beco, tem a festa I Love Disco Rock.

Eu faço junto com o Gabriel Cevallos as festas Neon que são as que mais lotam. Rolam no Cabaret do Beco. Estamos encarando a coisa com mais seriedade, indo atrás de patrocínios, novos nomes…Investimos bastante em projeções e artes visuais. Já trouxemos pra cá o Boss in Drama, Database; dos gringos o Greg Wilson, Pantha Du Prince, Ben Mono… Em março vamos trazer o Lopazz, do selo Get Physical.

O Laika é um clube bem pequeno que está bombando agora com a festa do pessoal da Disconexo.

No Ocidente, às sextas, tem uma noite eletrônica, mas para um público completamente gay e a música é mais ‘bate cabelo’, ou ‘bate-peito’ - com as bichas bombadas sem camisa.

E como é a galera que freqüenta esses lugares e festas?

Fergs: Vai bastante gente nova. É meio fauna. Bem misturado. Porto Alegre é muito pequeno, não dá para apontar os guetos. Querendo ou não as pessoas se encontram nos mesmos lugares, não tem tantos espaços assim.

Lucio: Nas festas eletrônicas vai o público carente que não agüenta mais o rock e o indie rock. Gente que gosta de New Rave, fashionistas, antenados… Em Porto Alegre tem festa de tudo quanto é gênero.

E qual o roteiro de uma noitada aí?

Fergs: A galera se encontra na casa de alguém e começa a beber, vai para um bar – que não é a balada ainda, e encontra mais gente, bebe mais e aí sim vai pra balada. Ficam até 8 da manhã. Vão até onde a festa durar e acho que vai mais longe do que aí em São Paulo. Isso no fim de semana. Durante a semana é mais ir a shows. Rola essa cultura.

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6 Comentários »

  1. Não é querendo discordar do Fergs mas já descordando, o rock em Porto Alegre, ou melhor, no RS, não se aprimorou e hj esta em decadência. Cadê a Tequila Baby?? O próprio Gilberto Barea, que é integrante da Rosa Tatooada esta voltando-se para o eletrônico em seu projeto como DJ assinando Beat Barea. O cara tá bombando com um electro house muito bom. É uma das promessas da música gaúcha. O rock gaúcho não soube se reiventar. Perdeu espaço para o electro rock. E é bem como o Ka-Hara falou na entrevista: as pessoas estão cansadas de ver as mesmas bandinhas. Elas querem dançar. Uma das únicas casas que realmente consegue agregar os dois públicos, tanto eletrônico qto rock é ainda o Beco, exatamente pq tiveram a noção de mudar na hora certa. O Beco mantém uma sinergia muito parecida com o antigo Fim de Século, local de encontro da galera underground há alguns anos atrás. O Fim de Século ainda é lembrado como uma das melhores casas que Porto Alegre já teve. Ali foi o berço da música eletrônica de Porto Alegre e ali surgiram DJs de renome internacional como Fabrício Peçanha, Pacheco, Navarro, Double S. AS casas noturnas aqui que estão abrindo possuem em seu foco o eletrônico ou pelo menos 1 ou 2 projetos durante a semana. Aliás, a e-music não é um fenômeno somente local ou aqui do Brasil. Ela é mundial. Porto Alegre teve um grande site de rock, o poarock. Terminou exatamente pq não dava retorno, não tinham anunciantes. Não estou querendo dizer que o rock morreu, ela ainda existe, mas o título desta matéria esta completamente equivocada. A noite de Porto Alegre esta muito mais eletrônico. O Laika é um local pequeno realmente como mencionado, mas que não tem força alguma. Em contra partida, o Beco foi abaixo quando Steve Aoki tocou lá na casa. O único tipo de rock que ainda tem salvação em Porto Alegre é algo estilo Amy. O rock na capital gaúcha perdeu patrocínio, não tem mais verba e não soube se reiventar. O mercado evoluiu e eles não souberam evoluir junto com a nova leva de consumidores.

    Comentário por Rafael — 14 de fevereiro de 2009 @ 20:13

  2. “Dos anos 80 pra cá é só o que é feito aqui. Se tem balada eletrônica, pode ter certeza que é electroclash”

    Caralho. Esse Fergs tá muito mal informado ou o cara anda com uma viseira de cavalo na cabeça. Dos anos 90 prá cá o que se tem feito aqui em Porto Alegre é eletrônico. E o que tem eletrônico é electroclash???? hahahahahha…. Só rindo mesmo…. Esse ai desconhece República de Madras, Kimik, Chairs, Quartier Latin, Dusk, Café Segredo. Fora os botecos que começaram a investir no eletrônico como Sótão, Água Benta, Bunker Pub. As casas noturnas específicas de rock são decadentes, não tem aparelhagem apropriada, soundsystem de má qualidade. Agora uma casa que mete mais de 2 mil pessoas para assistir David Guetta, por exemplo, deve realmente ser “clash”… hahahahahha

    Comentário por Rafael — 14 de fevereiro de 2009 @ 20:35

  3. Meu Deus, o Beco é a pior noite da cidade que eu já fui.

    “Esse ai desconhece República de Madras, Kimik, Chairs, Quartier Latin, Dusk, Café Segredo.” [2]

    Comentário por Carlos Sevilha — 28 de fevereiro de 2009 @ 13:31

  4. Uma das vantagens de Poa e o ecletismo, em festa de black se ve gente do rock e do contrario o mesmo, todo mundo meio que se conhece, ninguem tem grana mesmo, entao vale o que vier.
    Mas isso nao significa que todas as pessoas que estao ali tem os mesmos discos nas prateleiras de suas casas. Poa ha muitos anos possue nichos musicais fortemente amparados por gente que entende do assunto, um deles e o Reggae, onde bandas estouravam aqui antes do que o resto do pais, a cena Hip Hop gaucha era ate pouco tempo a segunda mais forte do BR, o pessoal do eletronico vem batalhando seu espaco desde o final dos 80 e finalmente parece ter encontrado, e o samba, enredo, de raiz e rock e gigante na periferia, tendo um carnaval em sambodromo e com as devidas escolas de samba. As vezes e bom sair um pouco do segmento Bom Fim/Cidade Baixa e celebrar a diversidade. Eu nao estou por ae mas estou relativamente por dentro - ate pq poa e ciclica - e sei que a cidade (gracas a Deus) voltou a efervecer nao so na cena rock, que e legal e tal mas as vezes forca uma barra daquelas.
    Por ultimo, conto nos dedos as pessoas que sobrevivem so de musica em Poa, especialmente no rock.
    Se a cidade transpira rock por que os 2 musicos Porto Alegrenses mais conhecidos e celebrados no resto do Brasil sao Elis e Lupicinio?
    Viva o Rock!!!

    Comentário por nacho — 6 de abril de 2009 @ 4:51

  5. Porto Alegre eh baseada em uma noite, somente de:pagodes,funck,eletronica apenas nos club?dublin,sgt pepers rock anos 70 e 80 más o bom rock roll 50 e 60 naum existe nem chegou ainda aqui!!!!!!!O estado naum acompanha a evolução de sp e rj

    Comentário por Michael Misturini — 18 de julho de 2009 @ 21:11

  6. Concordo que o titulo da matéria esta errado , o rock daqui não evoluiu e quem poderia manter essa cultura acesa se foi pro eletronico, e agora busca um lugar a beira da calçada da fama, com as baladas mais burgasas da cidade. O beco.

    A resistencia do rock porto alegrense esta realmente como falaram no sgt pepers e tal, ou no ohh la la e no garagem hermetica , que realmente não tem aparelhagem apropriada. A funhouse, total resistencia,. abava se mantendo com festa de hiphop, e acabou por morrer a pouco , mas uma vez. Aqui tem muita gente que curte rock, mas se não nascer mais uma gurizada organizada como a da Marquise 51 , que é como uma “cooperativa” de bandas e produtores a fim de agitar, o rock de porto alegre vai ficar com os herois da resistencia, a uma cena metal bem organizada e uma “cena punk”(porto alegre não tem cena punk, ou seja, rock pesa cru) quase morta pela cachaça e falta de local pra tocar.

    Os cults se mantes unidos, normalmente mias organizados, criam soluções a moda faça voce mesmo, como no culturarockclub, conglomerado de cultura rock e comportamente (sem duvida o melhor clube rock puro, que porto alegre mantem, e feito para pessoas normais, que pagar uma entrada de 15 reais ). E só pra não comentar o laika é um local democratico, onde uma gurizada que comanda esta aprendendo a fazer noite na marra, até la fica bom… la o eletronico comanda, mas a sutil aparição de um eletrock eventual leva um publico rock, afim o beco , não salva mais nada, como diz o seu slogan, pois ja é uma casa mainstream e não tem nada cultura rock.

    Por fim, e cena rock, que é a que eu conheço bem em porto alegre, foi substituida e sem muitas lamurias pela cena eletronica, as bandas gauchas com alguma ambição se vão ao centro do pais, com excessão da Vera Loca que foi e acabou voltando por não conseguir espaço, mas se mantem com um publico cativo no RS, afinal eles são muito bons. O pessoal ligado aos grandes produtores musicais da cidade como os petraco criam uma cena por si só, uma cena que vem do rock porto alegrense 80, mas no meu ver é uma dos poucos grupos que ainda evolui musicalmente, com a mesma alma rock basico, muito ligado a cena musical portoalegrense de raiz, como o jazz e do blues, que ja foi bem forte por aqui algumas decadas atras.

    Comentário por Pedro Palaoro — 18 de agosto de 2009 @ 1:48

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